O cerco contra o general Eduardo Pazuello, o “craque da logística” do laranjal bolsonariano, vai se fechando por todos os lados. Supremo Tribunal Federal (STF), Tribunal de Contas da União (TCU) e até o Alto Comando (?) do Exército já estão no encalço do incompetente ministro da Saúde.

Por Altamiro Borges*

Nesta segunda-feira (15), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, atendeu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que a Polícia Federal faça diligências no inquérito que apura se houve omissão criminosa de Eduardo Pazuello na gravíssima crise sanitária que dizima o Amazonas.

Cloroquina, oxigênio e outros crimes

O pedido da PGR inclui a investigação pela PF das tratativas do Ministério da Saúde no transporte de oxigênio a Manaus e na remoção de pacientes do Amazonas. Também trata dos gastos com compra e distribuição de hidroxicloroquina e cloroquina e dos testes do tipo RT-PCR – que estão apodrecendo em depósitos.

Em sua decisão, Ricardo Lewandowski alegou que “surgiu a necessidade de melhor compreensão da dinâmica segundo a qual transcorreram os fatos, especialmente no tocante às comunicações entre os distintos órgãos da Administração Pública e às medidas adotadas no combate à pandemia”.

O ministro do STF autorizou que a PF tenha acesso, junto ao Ministério da Saúde e às respectivas pastas em Manaus e no Amazonas, aos “e-mails institucionais trocados entre os órgãos relativos ao combate à Covid”. A White Martins, empresa responsável pelos tubos de oxigênio, também será acionada.

TCU apura os gastos irregulares

Já na sexta-feira (12), o Tribunal de Contas da União deu prazo de 10 dias ao Ministério da Saúde para explicar envio de cloroquina destinada a malária para tratar do coronavírus. O TCU exigiu informações dos nomes, dos CPFs e dos cargos dos responsáveis por ampliar a produção e mudar o objetivo do programa de malária.

O despacho do TCU foi assinado pelo ministro Benjamin Zymler, responsável pelos processos que investigam ilegalidades do laranjal na distribuição de cloroquina. O medicamento não tem eficácia comprovada para Covid-19 e é o carro-chefe do governo no combate à pandemia. Bolsonaro até parece garoto-propaganda do remédio – ninguém sabe a qual preço.

Uma semana antes, Benjamin Zymler já havia cobrado informações do Laboratório Químico Farmacêutico do Exército, que produziu cloroquina para o Ministério da Saúde: 3,2 milhões de comprimidos, a um custo de R$ 1,16 milhão. Uma auditoria do TCU apontou ilegalidade no uso de recursos do SUS para irrigar estados e municípios com o medicamento.

Exército teme pela deterioração da imagem

Estas e outras apurações têm tensionado os generais, segundo informa a revista Época: “Aumentou consideravelmente nas últimas semanas a preocupação do Exército com sua imagem perante a opinião pública, diante dos crescentes erros de Eduardo Pazuello na condução do combate à pandemia”.

Para agravar a tensão nas casernas, o general Eduardo Villas Bôas ainda confirmou em livro a conspiração militar para assaltar o poder através do capitão-laranja Jair Bolsonaro. “O temor é que a imagem de afastamento da política e de excelência técnica que o Exército julga ter conquistado nos últimos anos esteja se perdendo”, enfatiza a notinha da Época.

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Altamiro Borges* é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e membro do Comitê Central do PCdoB.

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