Visitantes conhecem a exposição sobre os 50 anos da Revolução dos Cravos na tenda do PCdoB, no Espaço Internacional da Festa do Avante!, em Portugal. Foto: Reprodução

Há mais de duas décadas, tenda do PCdoB reúne política, memória, cultura, solidariedade, feijoada e caipirinha no Espaço Internacional da Quinta da Atalaia

Entre bandeiras vermelhas, livros, fotografias, mapas, conversas políticas, feijoada e caipirinha, o Brasil tem um endereço conhecido na Festa do Avante!. Há mais de duas décadas, a tenda do Partido Comunista do Brasil ocupa seu lugar no Espaço Internacional da Quinta da Atalaia e se tornou ponto de encontro entre brasileiros, portugueses e militantes de diferentes partes do mundo.

É um espaço pequeno diante das dimensões da Festa, mas que ao longo dos anos ganhou identidade própria. Quem passa por ali encontra um pouco da política brasileira, conhece campanhas e lutas do país, conversa sobre a conjuntura e, muitas vezes, reencontra amigos de outras edições.

Desde 2007, essa presença ganhou também uma barraca de comidas e bebidas brasileiras. Feijoada e caipirinha passaram a dividir espaço com política e cultura. Camisetas e canecas produzidas a cada edição também se transformaram em pequenos troféus para quem retorna à Festa e guarda lembranças da presença brasileira na Quinta da Atalaia.

Na histórica 50ª edição, a tenda voltou a combinar política, cultura, memória e convivência. Parte do espaço foi dedicada à história da Coluna Prestes. Um grande mapa apresenta o percurso realizado pelo movimento pelo interior do Brasil e serve de ponto de partida para as explicações oferecidas pelos militantes a quem passa pelo local. Mais do que uma exposição para ser simplesmente observada, o mapa provoca perguntas e conversas sobre um dos episódios mais importantes das lutas políticas e sociais brasileiras do século XX.

Portugal também aparece dentro da tenda brasileira. A exposição fotográfica 25 de Abril, 2024. A História se repete como Festa!, de Alexandre Santini, reúne registros da grande manifestação que tomou a Avenida da Liberdade, em Lisboa, em 25 de abril de 2024, na celebração dos 50 anos da Revolução de 25 de Abril. As fotografias acompanham diferentes gerações que voltaram às ruas meio século depois da Revolução e mostram como Abril permanece vivo na memória, na mobilização popular e na defesa das conquistas e dos valores de Abril.

Outro elemento dessa circulação de ideias é o Jornal Vermelho, publicação especial produzida pelo PCdoB para os festivais da Alemanha e de Portugal. Depois de começar a ser distribuído no UZ-Friedenstage, em Berlim, o jornal chegou à Festa do Avante! com textos em português e inglês sobre a disputa política brasileira, soberania, multipolaridade, cultura e solidariedade internacional.

Pelo quarto ano consecutivo, as companheiras brasileiras também participaram do Ponto de Luta, espaço de solidariedade da Festa. Durante meses, elas bordaram coletivamente a bandeira do Avante! e produziram marcadores de livros distribuídos ao público, com mensagens como “Lula Avante! 2026”, “Paz e Resistência” e “Diversidade é luta”. Feitos à mão e levados do Brasil para Portugal, os bordados transformam linhas e tecidos em mensagens de solidariedade, resistência e esperança e já se tornaram uma pequena tradição da presença brasileira na Festa.

A própria barraca brasileira conta outra parte dessa história. Durante os três dias, o cheiro da feijoada se mistura ao movimento do Espaço Internacional. A caipirinha completa uma combinação que há anos atrai portugueses, brasileiros e visitantes de outros países. Para alguns, é a oportunidade de experimentar sabores brasileiros. Para outros, é também um reencontro com uma barraca conhecida de outras edições.

Essa convivência ajuda a explicar por que a presença brasileira na Festa ultrapassou há muito a instalação de uma tenda partidária. Ao longo de mais de duas décadas, relações políticas foram acompanhadas por amizades, reencontros e histórias pessoais. Há quem volte todos os anos, quem procure as novas camisetas e canecas, quem pare para saber o que está acontecendo no Brasil e quem simplesmente chegue para conversar.

Em 2026, as eleições brasileiras estiveram inevitavelmente entre os assuntos dessas conversas. A disputa pela reeleição de Lula, o enfrentamento à extrema direita, a defesa da democracia e da soberania brasileira despertaram interesse de portugueses e de militantes de outros países. A política aparece ali não apenas nos materiais expostos, mas nas conversas que surgem espontaneamente ao redor das mesas.

O mesmo acontece com a solidariedade internacional. Cuba e Palestina, a integração latino-americana e as lutas pela paz e pela soberania atravessam os materiais, os bordados e os diálogos. Na Festa do Avante!, essas causas encontram outras vindas de diferentes partes do mundo e ajudam a transformar o Espaço Internacional em uma espécie de pequena geografia política dos povos.

A tenda brasileira participa dessa geografia com características próprias. A história da Coluna Prestes encontra as imagens do 25 de Abril. O Jornal Vermelho circula ao lado dos marcadores bordados à mão. A discussão sobre as eleições brasileiras acontece enquanto alguém pede uma feijoada ou uma caipirinha. Política, cultura, gastronomia e memória não aparecem separadas, mas convivem no mesmo espaço.

Ao longo dos três dias, por ali passaram militantes de diferentes países, brasileiros e portugueses que pararam para conversar sobre as eleições e as lutas do Brasil, pegar um exemplar do Jornal Vermelho ou um marcador bordado, conhecer as exposições ou simplesmente sentar para comer e conversar.

É uma pequena parte do Brasil dentro da Festa do Avante!, construída ao longo de mais de duas décadas e renovada a cada edição. Um espaço onde política, cultura, memória, solidariedade e convivência se misturam e onde a relação histórica entre comunistas brasileiros e portugueses ganha novos capítulos nos encontros entre pessoas, experiências e lutas de diferentes partes do mundo.

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