PCdoB oficializa candidatos para fortalecer time de Lula e reconstruir o RS
O PCdoB do Rio Grande do Sul realizou, neste sábado (25), uma calorosa e massiva convenção eleitoral, com a formalização de seu projeto para 2026, no qual a prioridade é a reeleição da deputada federal Daiana Santos, a retomada de cadeira na Assembleia Legislativa, além da luta pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os comunistas também reafirmaram sua participação na aliança majoritária pela eleição dos ex-deputados estaduais Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) como governadora e vice, além dos ex-deputados federais Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (PSol) ao Senado.
Na disputa para a Câmara, além de Daiana Santos, O PCdoB terá, ainda, o metalúrgico Antonio Santos, o Tonhão. Ao mesmo tempo, concorrerão a deputado estadual os atuais vereadores de Porto Alegre, Erick Denil e Giovanni Culau; a vereadora de Erechim, Sandra Picolli; o sindicalista e comerciário de Caxias do Sul, Nilvo Riboldi; a professora Bilina Peres, de Rio Grande, e o professor e influenciador Humberto Matos, de Porto Alegre.
O ato contou com a presidenta nacional em exercício do PCdoB, Nádia Campeão e com a deputada federal Daiana Santos. Ao final, a militância foi em caminhada, com bandeiras e entoando palavras de ordem, ao encontro dos demais apoiadores de Juliana Brizola na Casa do Gaúcho, nas proximidades da Câmara Municipal, onde aconteceu a atividade dos comunistas (veja galeria de fotos abaixo).
Desafios da batalha de 2026
“Estamos muito confiantes nesse projeto do Rio Grande do Sul. Aqui, assim como em São Paulo, conseguimos construir uma frente com todos os partidos que vão apoiar Lula. Isso é algo muito importante que se repete em outros estados”, disse Nádia. Ela salientou que “as batalhas eleitorais têm suas particularidades e o seu contexto” e que neste momento, “a conjuntura nos traz uma questão maior, que ultrapassa a nossa luta nacional e pelos direitos do povo e se entrelaça com a luta maior da América Latina pela paz, porque o imperialismo estadunidense está querendo puxar todo mundo para o pântano da guerra”.
Nesse sentido, sublinhou que o projeto de Donald Trump para a América Latina é o de subordinação da região aos EUA e de neocolonização. A dirigente disse, ainda, que “nessa batalha, o Brasil tem um papel extraordinário pela sua importância na América Latina”.
Levando em conta esse contexto, Nádia elencou as duas bandeiras mais importantes de mobilização dos comunistas. Uma delas é a defesa da soberania. “Trump quer interferir no Brasil com os tarifaços, com a tentativa de dominar os nossos recursos naturais — petróleo, minérios críticos, terras raras —, com os ataques ao nosso sistema público financeiro via Pix e com a manipulação da consciência do povo brasileiro através das plataformas digitais”, salientou.
O segundo ponto é o direito de o Brasil se desenvolver plenamente. “O PCdoB está levantando essa bandeira: conquistando um novo governo Lula, temos de lutar por um Brasil realmente desenvolvido. Sem isso, camaradas, não tem futuro digno para nação brasileira”.
Em relação à disputa para a Presidência da República, Nádia lembrou que o cenário é favorável a Lula, tanto por suas qualidades e de seu governo quanto pelos problemas que envolvem o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
A dirigente argumentou que o presidente “está saindo com certa vantagem e nunca deixou de liderar as pesquisas. Ele chegou firme para essa disputa: tem um governo com realizações e uma candidatura com a unidade do nosso campo e palanques fortes no país inteiro, além da situação do vice bem resolvida com Geraldo Alckmin”.
Já no que diz respeito ao outro lado, Nádia lembrou a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção de Flávio, o que mostra ser esta “uma candidatura urdida pelos Estados Unidos e articulada com a extrema direita da América Latina”.
Ao mesmo tempo, ressaltou que a candidatura de Flávio tem muitas vulnerabilidades. “Está claro que se trata de um empreendimento familiar desastroso e que ele está metido numa teia de corrupção, de crimes, de relação com a milícia, além de não ter conteúdo”.
As fragilidades são tantas, completou Nádia, “que os partidos da direita já estão se afastando e não vão coligar com ele. O PL, em princípio, está quase sozinho. União Brasil anunciou que não vai coligar, assim como o PP e parece que Republicanos também não”.
No entanto, Nádia chamou atenção para o fato de que a eleição não está ganha. “A batalha será dura porque o outro lado tem uma extrema direita apoiada pelo imperialismo estadunidense. E eles não estão brincando”, disse, lembrando da interferência dos EUA em outras eleições recentes na América Latina.
Contexto estadual
Ao falar sobre a nominata dos comunistas e o projeto estadual, o presidente do PCdoB-RS, Edson Puchalski, destacou que a convenção reafirma “o nosso compromisso com o povo brasileiro e com o povo gaúcho. É nessa linha que a gente tem que encarar a próxima etapa”.
Nesse sentido, Puchalski acentuou que o partido “atuou de forma pioneira para constituir uma frente popular e democrática no RS que reúne oito partidos. Além do PCdoB, nós temos a nossa federação com PT e com PV, o PDT, PSOL, PSB, Rede e Avante. O PCdoB, desde o início, defendeu essa unidade — que é histórica aqui no Rio Grande do Sul — já no primeiro turno”.
Ele avaliou que “a disputa eleitoral apresenta um cenário promissor; contudo, não podemos subestimar a força das outras candidaturas apresentadas no campo da direita, com nomes da extrema direita e do neoliberalismo”.
O dirigente reafirmou que o “time de Lula” no RS, e o PCdoB em particular, defende “um Estado forte, indutor do desenvolvimento, que enfrente a estagnação econômica em um cenário de profundos desafios sociais, climáticos e humanitários. Nós temos, neste momento, a possibilidade de inaugurar um novo ciclo aqui no estado, enraizado nas necessidades do povo, articulado com um projeto nacional de desenvolvimento. Esse é o nosso desafio”.
Como vértice do projeto do PCdoB no Rio Grande do Sul, Puchalski apontou a reeleição da deputada federal Daiana Santos, “condição fundamental para garantir a manutenção e impulsionar o crescimento da bancada comunista no Congresso Nacional, sem perder de vista o objetivo de retomar a cadeira dos comunistas na Assembleia Legislativa”.
O presidente ressaltou que os nomes apresentados pelo PCdoB “são excelentes candidaturas, enraizadas nas lutas do nosso tempo — cada um, com a sua especificidade, completa o time do PCdoB para essa batalha. Com eles, estamos apresentando uma alternativa política para o Rio Grande do Sul”.





Fotos: Priscila Lobregatte



