Lívia Macedo: “Eleger mulheres é mudar prioridades”
Minas Gerais chega às eleições de 2026 depois de anos de uma política estadual que, na avaliação de Lívia Macedo, aproximou o governo dos interesses de grandes grupos econômicos e afastou o estado das necessidades da população. A candidata do PCdoB-MG à Assembleia Legislativa aponta como marcas desse período a agenda de privatizações, a concessão de benefícios fiscais a grandes empresas, o enfraquecimento dos serviços públicos e a flexibilização dos licenciamentos ambientais, especialmente no setor de mineração.
“Minas Gerais viveu um dos piores períodos da sua história recente com o governo Zema (Novo) e agora com o Mateus Simões (PSD)”, situa Lívia.
“Precisamos sair dessa lógica em que o Estado é tratado como se fosse uma empresa e o patrimônio público é algo que precisa ser vendido a qualquer custo. Nós precisamos recuperar a capacidade do Estado de planejar e investir, cuidar das pessoas”, defende.
Vereadora de Pouso Alegre – a mais votada da história do município –, Lívia disputa uma cadeira de deputada estadual em uma “frente ampla” que, segundo ela, precisa ser capaz de “enfrentar a extrema direita” e recolocar o Estado a serviço da população. “E isso também passa, claro, pela reeleição do presidente Lula e pela sustentação do seu projeto nacional.”
Minas Gerais e a disputa sobre o papel do Estado
Para Lívia, a mudança que Minas precisa começa por romper com a concepção de que o patrimônio público deve ser vendido e os serviços estaduais submetidos a uma lógica empresarial.
Ela cita as privatizações, a desvalorização dos servidores e a falta de investimentos como expressões de um mesmo projeto. Em oposição a esse modelo, defende um Estado com capacidade de planejamento, investimento e execução de políticas públicas.
“Isso significa a valorização dos servidores, mais investimento, infraestrutura das nossas escolas, de todos os equipamentos públicos, das nossas universidades e interromper esse ciclo de privatizações”, afirma.
Na avaliação da candidata, a responsabilidade do governo estadual não pode ser transferida para as prefeituras. Educação, meio ambiente, segurança alimentar e outras áreas exigem articulação entre as diferentes esferas de governo e recursos que muitos municípios não têm capacidade de mobilizar sozinhos. “O município não pode ficar sozinho para responder aos problemas que também são responsabilidades do estado, como acontece nos últimos anos. Precisa mudar muita coisa aqui em Minas”, diz.
É nesse sentido que Lívia defende uma presença mais ativa do governo estadual nos territórios. Entre suas propostas está a criação de uma política estadual de segurança alimentar que possa, por exemplo, financiar Restaurantes Populares municipais.
A candidata também defende a criação de uma Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres e mais investimentos e articulação em áreas como educação e meio ambiente.
Sul de Minas: enfrentar o conservadorismo e discutir o território
O desafio político ganha uma dimensão particular no Sul de Minas, região que Lívia reconhece como um dos espaços mais conservadores do estado e onde a direita costuma obter votações expressivas. Para ela, uma candidatura de mulher construída nas lutas populares já representa uma forma de ampliar a disputa política na região. Mas a campanha também pretende partir de questões específicas do território.
Entre elas está a exploração de terras raras no Planalto de Poços de Caldas, região que pode assumir importância estratégica em projetos ligados à transição tecnológica e industrial. Lívia defende que a discussão seja feita sem ignorar os impactos sobre as comunidades e o meio ambiente. “Eu preciso discutir com muita seriedade os impactos sociais e ambientais desse processo e conectar ele a um projeto nacional de desenvolvimento”, articula Livia.
A questão ambiental, portanto, aparece associada à própria concepção de desenvolvimento defendida pela candidata. Para ela, Minas pode crescer economicamente, mas esse crescimento precisa se converter em melhoria efetiva das condições de vida e respeitar os territórios.
Da luta nos municípios para a Assembleia
A política de Lívia foi construída no contato direto com as comunidades, primeiro nas associações de moradores e no movimento estudantil e, depois, no mandato de vereadora em Pouso Alegre. Nesse percurso, esteve à frente de mobilizações por segurança alimentar, direitos das mulheres, meio ambiente e serviços públicos, além de participar da criação da Casa Bem Viver.

É dessa experiência que nasce uma das principais bandeiras de sua candidatura: a defesa de um Estado capaz de responder às demandas que atravessam a vida dos municípios.
“Todas essas experiências de luta mostram para nós, principalmente, que precisamos de um Estado mais presente na vida dos municípios e das pessoas.”
Mulheres no poder para mudar prioridades
Entre os temas que pretende fortalecer estão a humanização do parto, a segurança das mulheres, a educação em tempo integral e a segurança pública.
“Somos nós, mulheres, que vamos colocar com força na agenda temas como humanização do parto, a segurança das mulheres, a pauta da educação em tempo integral, segurança pública e tudo que envolve a nossa vida”, afirma.
Por isso, para Lívia, eleger mais mulheres significa também disputar quais problemas serão reconhecidos como prioridades pelo poder público.
O Bem Viver como construção coletiva
O Bem Viver, conceito que atravessa a trajetória política de Lívia, também sintetiza sua ideia de desenvolvimento para Minas: crescimento econômico só tem sentido quando se converte em melhoria concreta da vida da população e fortalece os vínculos nos territórios.
“Quando a gente fala em Bem Viver, estamos falando de uma ideia muito simples: que o desenvolvimento precisa significar a melhoria concreta na vida das pessoas e que a gente precisa fortalecer os vínculos comunitários nos territórios com cultura, com esporte, com arte. Para que, a partir desse fortalecimento dos vínculos, a gente também consiga construir as nossas lutas populares.”
É a partir dessa concepção que ela projeta o estado que pretende disputar: “uma Minas Gerais que cresça economicamente, mas que transforme esse crescimento em escola de qualidade, saúde, segurança, proteção ambiental, oportunidade para nossa juventude” — e faça isso, acrescenta, “com muita participação popular”.
Uma candidatura regional, um projeto coletivo
Lívia situa sua candidatura em um projeto político mais amplo, que passa pela reeleição de Lula, pela eleição de Wadson Ribeiro (PCdoB-MG) para a Câmara dos Deputados e pelo fortalecimento do PCdoB em Minas Gerais.
“Fortalecer nossa representação no Congresso é fundamental para o projeto político que estamos construindo, Ao mesmo tempo, queremos fazer uma campanha competitiva para Assembleia Legislativa, ampliando a nossa votação no Sul de Minas e contribuindo para que o PCdoB conquiste mais uma cadeira no Legislativo mineiro.”
Segundo Lívia, sua candidatura “nasce regionalmente, mas está completamente conectada a um projeto político, estadual e nacional”.
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