Fome é resultado de governo que não se preocupa com o povo

No Brasil de Bolsonaro, a fome virou uma constante. Pessoas revirando lixos, pagando por ossos e carcaças que antes eram doados ou mesmo descartados pelos açougues. País que voltou ao Mapa da Fome e que com a extinção de benefícios sociais, aumento exponencial da inflação, redução do poder de compra, desemprego, vê sua população a cada dia correr atrás de migalhas para sobreviver.

Reportagem da Folha de S.Paulo desta terça-feira (7) traz o impacto do desmonte de políticas públicas associado à seca, à pandemia e à crise, resultando na falta de alimentação para muitos brasileiros.

“O cenário piora a cada dia. E o que faz o governo? Acaba com o Bolsa Família. Não sem antes deixar 3,1 milhões de famílias pobres e miseráveis, todas cadastradas na fila do benefício. Bolsonaro condenou a todos à fila do osso. Enquanto o trabalhador ganha menos, os preços explodem. Comida, combustível, gás, energia, aluguel. Nos últimos 12 meses, os alimentos estão 15% mais caros; frango (30%), outras carnes (+ de 20%), gás de cozinha (+ de 37%), gasolina (43%), etanol (68%), energia elétrica (+ de 30%)”, listou o líder do PCdoB, deputado federal Renildo Calheiros (PE).

Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional apontam que 19,1 milhões de brasileiros passaram fome em um universo de 116,8 milhões que não tiveram acesso pleno e permanente à comida no final de 2020. À época, os famintos eram 9% da população, a maior taxa desde 2004. Dados que vem se agravando à medida que o tempo passa e o governo federal só se preocupa com medidas privatistas e que colocam dinheiro no bolso dos que mais tem.

Para a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), o retrato do Brasil da fome é revoltante. “A gente abre o jornal de manhã e se depara com notícias absurdas. Bate um desespero. Mais revoltante ainda é saber que toda essa situação é resultado de uma administração despreocupada com quem mais precisa, um governo genocida, do desemprego, da pobreza e do retrocesso”, destacou Alice.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) condenou o descompromisso do governo federal com a população. “Famílias famintas comem lagartos e restos de carne no Rio Grande do Norte. Sob comando de um homem áspero e incapaz da empatia, o Brasil virou um pântano de morte e sofrimento. Acabar com esse horror deve ser a única prioridade de quem ama o país e nossa gente”, pontuou.

Se engana, no entanto, quem crê que este cenário é vivido apenas no Nordeste. Reportagem da BandNewsFM desta semana também mostrou crianças do Sudeste têm recorrido ao consumo de gambás para fugir da fome. O relato foi feito por um professor da rede pública da Baixada Fluminense, região com os indicadores sociais mais baixos do Rio de Janeiro, que contou que algumas crianças têm recorrido ao consumo do animal.

“A fome tem feito muitos brasileiros revirarem os lixões em busca do que comer. Enquanto isso, Bolsonaro gastou R$ 204 milhões em compras no cartão corporativo nos últimos nove meses. Alguém sabe o que ele comprou com esses R$ 204 milhões? Não, é tudo sigiloso”, criticou a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC).

Sob a gestão de Jair Bolsonaro, o governo federal atingiu o maior gasto com cartão corporativo desde 2018. Nos primeiros nove meses de 2021, R$ 204,8 milhões foram gastos, valor 19,9% maior que o registrado em todo o ano de 2020.

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Por Christiane Peres, com informações de agências

(PL)