Manuela: "Brasil se tornou país da fome, do desemprego e do desespero"

Foto: Foto: Roberto Parizotti/Fotos Públicas

Os múltiplos relatos sobre o aumento da fome e da miséria no Brasil escancaram o total fracasso do governo de Jair Bolsonaro. Indignada com a situação, a jornalista e ex-deputada do PCdoB, Manuela d’Ávila, voltou a manifestar sua indignação, nesta terça-feira  (7), frente à situação estarrecedora vivida por milhões de brasileiros espalhados por todas as regiões do país.

“Enquanto Bolsonaro brinca de ser presidente, famílias do Rio Grande do Norte comem lagartos e restos de carne. O Brasil se tornou o país da fome, do desemprego e do desespero. Nosso povo busca por ossada de boi, restos e lagartos porque não têm vê mais saída. Precisamos mudar esse retrato!”.

Manuela fez referência a reportagem publicada no jornal Folha de S.Paulo, que explicita a extrema insegurança alimentar vivida por famílias no interior do estado, situação que se repete em muitas outras localidades do país, onde pessoas recorrem a restos de ossos e disputam espaço nos caminhões de coleta de lixo atrás de algum alimento para a sobrevivência.

A reportagem aponta, entre outros fatores, o alto preço dos alimentos e do gás, o fim do auxílio emergencial, a falta do Bolsa Família, a insuficiência no valor dos benefícios, o alto índice de desemprego e a queda acentuada no poder de compra como problemas que agravam a penúria das famílias.

De acordo com o Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar, da Rede Penssan, de novembro do ano passado, estima-se que haja 19 milhões de pessoas com fome no Brasil  — ou seja, 9% do total da população. Conforme comparativo feito pela revista Piauí, o número equivale a quase toda a população do Chile, que é de 19,6 milhões de pessoas. Além disso, 55% da população enfrenta algum nível de insegurança alimentar.

Ainda de acordo com a revista, “em 2020, 34% dos domicílios onde os moradores perderam o emprego estavam em situação de insegurança alimentar moderada/grave; nos lares onde os moradores continuaram com a jornada de trabalho normal, a fome atingiu 10%”. E acrescenta que “a parcela média do Auxílio Brasil, programa do governo que substituirá o Bolsa Família em 2022, não compra uma cesta básica em nenhuma das capitais listadas pelo estudo. A mais barata da lista, a de Aracaju, custa R$ 464,17, o dobro do benefício médio, que é de R$ 224,41”.

Por Priscila Lobregatte

Com agências