Candidatos do PCdoB durante convenção eleitoral. Foto: Priscila Lobregatte

Em menos de 20 dias, os brasileiros irão às urnas para uma das mais polarizadas eleições gerais desde a redemocratização. No Rio Grande do Sul — estado-berço de históricas lideranças e movimentos políticos do campo popular —, a luta envolve a retomada do Palácio Piratini e a conquista de grande número de cadeiras nos parlamentos e, sobretudo, a garantia da eleição de Lula para barrar a extrema direita.

No território gaúcho, a disputa pelo governo do estado se dá principalmente entre três nomes: Juliana Brizola (PDT), que lidera uma inédita e ampla frente de partidos democráticos, populares e de esquerda, reforçando o time de Lula; Luciano Zucco (PL), representante da extrema direita bolsonarista; e Gabriel Souza (MDB), vice-governador que busca manter o RS sob o comando das forças de centro-direita e direita que o governam desde 2015.

A mais recente pesquisa Real Time Big Data, divulgada no dia 10, mostra Zucco e Juliana tecnicamente empatados e o bolsonarista numericamente à frente com um ponto de vantagem: 36% a 35%. Em seguida, Souza aparece com 22%.

O cenário, embora disputado, aponta para uma presença forte dos candidatos identificados com Lula e reflete a costura feita para unificar todos os partidos do campo mais à esquerda já no primeiro turno, algo novo no estado. Estão com Juliana, além do próprio PDT, o PT, do vice Edegar Pretto, partido que forma a Federação Brasil da Esperança com PCdoB e PV; a Federação PSol-Rede, o PSB e o Avante.

Saiba mais: PCdoB oficializa candidatos para fortalecer time de Lula e reconstruir o RS

“O nosso foco, sobretudo nessa reta final, é fortalecer a unidade do nosso campo — dos partidos e frentes sociais que representam essa aliança progressista. Ao ao mesmo tempo, nos focamos em continuar apresentando as melhores ideias para o Rio Grande do Sul; mobilizando o estado em torno de um projeto de desenvolvimento e desmascarando a extrema direita, que tenta se vender como algo novo, mas que, no fundo, sabemos bem o retrocesso que representa”, explica Edson Puchalski, presidente do PCdoB-RS.

Ele reforça que, nesse sentido, a perspectiva é bastante positiva. “Estamos no caminho certo, pavimentando as condições para o segundo turno”, salienta.

No caso do Senado, levantamento da Quaest, publicado no final de agosto indica que, na combinação de intenção de votos para a primeira e a segunda vagas, Manuela D’Ávila (PSol) tem 12%, seguida de Paulo Pimenta (PT), com 9% e Marcel van Hattem (Novo), também com 9%. Ubiratan Sanderson (PL) e Germano Rigotto (MDB) vêm na sequência com 8% cada.

“Nossa linha — seja para as majoritárias, seja para as proporcionais — tem sido fortalecer nossa identidade como o time do Lula, que representa a unidade de pensamento e partidos que construímos. Temos, portanto, uma campanha de chapa. O Pimenta e a Manuela também estão muito bem posicionados, reforçando a nossa estratégia. E não tenho dúvida de que a gente vai dar uma grande contribuição para a reeleição do presidente Lula aqui no Rio Grande do Sul”, enfatiza Puchalski.

Câmara e Assembleia

Nesse contexto, as candidaturas do PCdoB à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa também ganham impulso especial. Uma das prioridades do Partido é a reeleição da deputada Daiana Santos, que vem se destacando por sua luta em defesa da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros, das religiões de matriz africana e da comunidade LGBTQIA+, além de ter forte inserção na saúde, entre outras frentes de atuação.

“A Daiana é uma liderança importante e uma deputada que vem fazendo um belo mandato. Ela representa muito bem esse sentimento da política não tradicional e consegue canalizar a esperança do povo por ser, como ela mesma diz, ‘gente como a gente’ na Câmara. Ela tem uma identidade naturalmente popular e, por isso, conseguiu estabelecer um canal direto com o povo. Ao mesmo tempo, ela também criou uma identidade com as lutas do nosso tempo. Isso é muito forte e singular”, salienta o dirigente comunista.

Puchalski avalia que “a materialidade desse perfil se reflete, principalmente, em seu projeto de lei e nas suas articulações, com os movimentos sindical e social, pelo fim da escala 6×1, uma bandeira que interessa a toda a classe trabalhadora, de todo o Brasil”.

Para a batalha pela Assembleia Legislativa gaúcha, os comunistas apostam em seis nomes, com perfis bastante diversificados que personificam a cara do PCdoB.

Mais situados em Porto Alegre e na Região Metropolitana estão os vereadores da capital Erick Denil e Giovani Culau, que têm feito mandatos bastante atuantes e conectados às necessidades da cidade, e o professor e influenciador Humberto Mattos.

“O Erick é um jovem lutador da periferia, que tem atitude e dialoga muito bem com os jovens desses territórios e com os trabalhadores. O Giovani faz uma campanha que também desperta o interesse da juventude, do movimento estudantil e da luta LGBT, além de trazer debate sobre o meio ambiente e fazer um forte enfrentamento à extrema direita na Câmara Municipal. O Humberto é um influenciador de esquerda que também tem feito uma bela campanha não só nas redes, mas em atividades presenciais e de corpo a corpo, com forte mobilização”, explica Puchalski.

Além deles, o partido também tem nomes competitivos em outras regiões do estado: a vereadora Sandra Piccoli, de Erechim, na região Norte e Alto Uruguai; Nilvo Riboldi, presidente licenciado do Sindicato dos Comerciários de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha; e Professora Bilina, que atua sobretudo em Rio Grande, no Sul do estado.

“A Sandra representa, principalmente, a luta das mulheres trabalhadoras e tem feito uma campanha muito bonita na sua região. A Belina, ligada à educação e à luta comunitária, está em sua primeira campanha, mas já vem colhendo frutos e tem sido muito reconhecida pela população local. E o Nilvo tem uma forte inserção entre os trabalhadores, em especial do comércio, destacando-se nessa frente de luta. Todos eles têm feito campanhas empolgantes”, diz Edson Puchalski.

Para essa reta final, o dirigente salienta que o PCdoB está chamando a militância para intensificar a mobilização, pelas redes, junto aos seus contatos e no corpo a corpo das ruas. “É uma ação dirigida especialmente aos filiados, militantes e apoiadores dos nossos candidatos para envolver cada dia mais eleitores. Trata-se de um momento-chave nessa luta que, obviamente, está diretamente conectada com a batalha maior: reeleger o presidente Lula e eleger Juliana e Pretto ao Piratini e Manuela Pimenta ao Senado”.