Décio Lima, Giovana Mondardo, Paulinho da Silva, Gelson Merísio, Afrânio Boppre e Pedro Uczai no lançamento da candidatura de Paulinho. Foto: Ricardo Wolf

Em meio a uma das eleições mais disputadas e divididas da história e faltando menos de 20 dias para o pleito, os comunistas estão intensificando as agendas de campanha e a mobilização popular para impulsionar o campo progressista e democrático contra a extrema direita. Mesmo num cenário especialmente desafiador em Santa Catarina, o PCdoB está animado e completamente empenhado na luta pela vitória do time de Lula no estado.

Lá, um dos focos centrais da campanha do partido é a candidatura para deputada federal de Giovana Mondardo — cirurgiã-dentista, professora universitária e vereadora mais jovem e mais votada de Criciúma que cumpre seu segundo mandato. Com uma campanha alegre, solar e ao mesmo tempo potente e contundente, a comunista vem conquistando cada vez mais espaço e apoio, para além de sua área de influência.

“Estamos bastante animados. A Giovana tem tido uma aceitação muito grande em toda Santa Catarina. Ela é do Sul do estado e fez uma reunião há cerca de um mês, em Joinville, que fica a 350 km de Criciúma, num local que cabia 350 pessoas e cerca de 200 tiveram de ficar na rua porque não coube todo mundo”, diz Douglas Mattos, presidente do PCdoB-SC.

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Ele relata, ainda, o avanço da candidata no campo virtual, onde tem forte e influente atuação. “A Giovana tem apresentado um crescimento muito grande nas redes sociais. Em abril do ano passado, tinha 28 mil seguidores no Instagram e vai chegar na eleição com mais de 150 mil. Lá atrás, ela tinha um milhão de visualizações, hoje deve estar beirando os oito milhões, podendo chegar, em breve, aos dez milhões de visualizações”, aponta Mattos.

Além disso, ele destaca a participação presencial da militância. “São dezenas de pessoas fazendo essa campanha. O lançamento dela em Criciúma também foi fantástico, lindo. Havia muita gente e cerca de 20 candidatos a deputado estadual, que são as dobradas. E muita gente ainda está querendo fazer dobrada com ela exatamente por causa desse sucesso. É um avanço muito grande”.

Alegria revolucionária

Giovana e Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Entusiasmada com sua caminhada e certa das bandeiras que defende, Giovana é contundente: “Ninguém vence quem faz as coisas com alegria. Então, vamos fazer a luta política com alegria, vamos fazer a luta revolucionária do nosso tempo com alegria e vamos colocar energia e intencionalidade naquilo que a gente acredita”, declarou em evento recente com mulheres.

Falando como parlamentar antenada às questões do estado e do País, Giovana tem demonstrado maturidade política suficiente para estar em Brasília, além de amplo conhecimento sobre o governo do bolsonarista Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição e do qual tem sido uma das principais críticas no campo da esquerda.

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Nesta semana, Giovana declarou: “O governador falou, numa entrevista, que temos de mudar o presidente da República porque ele não gosta de Santa Catarina. Quem está virado de costas e não recebeu Lula quando ele veio aqui foi o governador e não o contrário”.

Giovana continuou lembrando que “o governador nunca pisou em Brasília para pedir recursos e melhorar as coisas que a gente precisa aqui no estado. Os nossos hospitais estão ‘passando o pires’ — e, aliás, ‘levando gancho’ porque se o diretor é um pouquinho mais progressista, não recebe o valor que ele prometeu e que é obrigado a enviar para os hospitais”.

A candidata salientou, ainda, que Jorginho “virou as costas para o governo federal, mesmo tendo recebido R$ 6 bilhões para investir em empresas catarinenses; mesmo tendo recebido R$ 50 milhões para investir no Novo PAC; mesmo tendo recebido ambulâncias, UPAs, UBSs e uma série de outras coisas que o governo federal, independentemente da posição política do governador, mandou para o nosso estado”.

Inclusão e igualdade

Paulinho e Merísio. Foto: Ricardo Wolf

A candidatura a deputado estadual de Paulinho da Silva é outro destaque. Ex-vendedor de picolé e garçom e hoje advogado e cumprindo seu quarto mandato como vereador em Chapecó, Paulinho é ligado às lutas sociais e, em especial, pela saúde e pela inclusão das pessoas com deficiência e com Transtorno do Espectro Autista, condição que passou a conhecer de perto com o nascimento de seu filho, hoje com 28 anos.

“A sociedade ainda não está adequada para acolher as pessoas autistas, cegas, surdas ou com deficiência, mas ver tanta gente abraçando essa causa nos enche de força e esperança. Usamos o símbolo do infinito na nossa caminhada justamente por acreditarmos que o respeito, a empatia e a inclusão não têm limites e devem ser um compromisso de todos nós”, disse durante evento de campanha.

Ao falar de sua carreira política em programa local, Paulinho lembrou: “na Câmara, minha postura sempre foi clara: combater regalias. Fui eu que denunciei a criação do 13º salário para políticos, encabecei a lei reduzindo as férias de 90 para 30 dias, proibi a contratação de parentes (nepotismo) e barrei o absurdo plano de saúde dos vereadores que seria pago com o dinheiro do povo. É esse trabalho firme e incansável de fiscalização que eu quero levar para a Assembleia Legislativa”.

Douglas Mattos ressaltou a forte receptividade e apoio que Paulinho tem angariado, recordando o evento em que lançou seu nome a estadual: “Acho que o lançamento de sua candidatura, em Chapecó, foi o maior de todas a deputado estadual de todos os partidos. Tinha mais 1,5 mil pessoas”.

Larissa e Lula. Foto: reprodução/redes sociais

Outro nome importante do partido na disputa por uma cadeira na Alesc é o da jovem Larissa Stephanie, professora formada em Administração, que tem como algumas de suas principais lutas a proteção das mulheres, a educação pública, os direitos dos trabalhadores e a igualdade de direitos.

O combate ao alto índice de feminicídios no estado tem sido uma de suas frentes de atuação: “Enfrentar a violência contra as mulheres catarinenses passa, primeiramente, por se fazer cumprir uma lei que hoje é desrespeitada pelo governo do estado: garantir delegacias da mulher abertas 24 horas por dia. Porém, precisamos de mais. Para fazermos um estado mais seguro para as mulheres são necessários coragem, orçamento adequado e respostas urgentes”, explica, comprometendo-se com essa luta na Assembleia.

Governo do estado e Senado

No caso do cenário majoritário, apesar do peso da extrema direita, o quadro não está garantido, indicando a abertura de novos flancos para o campo democrático. Mesmo diante da preferência por Jorginho demonstrada por metade do eleitorado, segundo as pesquisas, as candidaturas oponentes vêm se empenhando para levar a disputa ao segundo turno.

Pesquisa AtlasIntel publicada no dia 10 mostra o atual governador com 51% no primeiro turno estimulado, seguido por João Rodrigues (PSD) com 18% e Gelson Merísio (PSB), candidato de Lula e apoiado pelo PCdoB, com 17,6% — ele foi o que mais cresceu no último período. Levantamento da Quaest no final de agosto mostrava Merísio com apenas 4%, enquanto Jorginho e Rodrigues tinham índices parecidos aos atuais, de 50% e 17% respectivamente.

“O clima eleitoral em Santa Catarina é de bastante disputa para levar a decisão ao segundo turno. O governador está à frente, mas a margem mostrada nas pesquisas atualmente não garante vitória no primeiro turno — e segundo turno é uma eleição nova — e temos visto um claro crescimento do nosso candidato. Merísio tem muito trânsito e capacidade de diálogo, já foi deputado estadual quatro vezes, presidente da Assembleia Legislativa e candidato a governador”, pondera Mattos.

O dirigente destaca, ainda, que o campo representado pelo PSD não fechou com a extrema direita no estado e que “tem muita gente, como nós, que diverge profundamente do Jorginho, a ponto de não apoiar ou votar nele no segundo turno”.

Para o Senado, as pesquisas variam e, apesar de os candidatos da direita aparecerem na primeira posição, os de esquerda também têm acumulados bons índices.

A mesma AtlasIntel de setembro indica, no quadro consolidado de primeiro e de segundo voto, Carol De Toni (PL) com 28%, Esperidião Amin (PP) com 20% e Carlos Bolsonaro (PL) com 15%. Décio Lima (PT) registra 12%, e Afrânio Boppré (PSol), 9%.

No entanto, quando questionados sobre seu primeiro voto, 34% dos eleitores apontam Carol De Toni e praticamente 20% escolhem Décio Lima. Em seguida vêm Esperidião Amin, com 16%, e Carlos Bolsonaro com 13%. No caso do segundo voto, Boppré vai a 15%.

Considerando o cenário positivo para as candidaturas do PCdoB e a evolução do campo popular no estado, Mattos reforça que, nessa reta final de campanha, a orientação do Partido tem sido reforçar a militância nas ruas e redes, além da realização de reuniões espalhadas pelas principais áreas do estado.

“Temos equipes fazendo arrastão nos bairros por várias cidades e regiões. É uma coisa muito bacana. Segundo os relatos dos nossos companheiros e companheiras, tem havido muita declaração espontânea de voto. Então é um clima muito gostoso, de bastante aceitação. Sabemos que nenhuma eleição se ganha por antecipação, estamos com os pés no chão, mas estamos muito animados e com o partido totalmente unificado em torno desse projeto”.