A condenação de Lula é a continuação do golpe

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Sem provas, rasgando o Código Penal e a Constituição Federal, o juiz de 1ª instância Sérgio Moro condenou o ex-presidente Lula baseado nas ilações dos procuradores da Lava Jato e numa delação arrancada por pressão de um condenado preso, além de convicções e uma apresentação de powerpoint. Rebaixou a Justiça brasileira a perseguição política, algo tão repugnante quanto o cinismo que paira sobre a elite deste País.

Por Jandira Feghali*

 
O imóvel, situado no Guarujá, estava registrado em outro nome, com hipoteca, sessão fiduciária e lista de credores claramente apresentados. E, ainda assim, 73 testemunhas negaram a acusação do Ministério Público Federal durante todos esses meses de inquérito. Não foi o bastante para eles. Era preciso condenar Lula, sentenciá-lo e tentar, de uma vez por todas, isolá-lo da disputa política de 2018. O objetivo sempre foi óbvio para todos nós.


A condenação segue na esteira do golpe de 2016, tentando impor um projeto que não tenha empatia com a demanda popular. Enquanto isso, vemos o senador tucano Aécio Neves se livrando de condenações e Michel Temer continuando na Presidência mesmo com tantas provas de crimes cometidos.
 É irônico que isso aconteça exatamente durante a tentativa de admissibilidade do processo contra o presidente através da CCJ da Câmara dos Deputados. E, pior, após a aprovação no Senado Federal da assombrosa reforma trabalhista, afastando todo o debate na sociedade sobre ambos os assuntos. É um escárnio com a democracia e a história política deste país.


 Lula é um dos maiores líderes mundiais e entrou para a História ao retirar o Brasil do escandaloso mapa da fome. Época essa em que morriam 300 crianças por dia por consequências da inanição. Realidade que jamais foi combatida com eficácia ou vontade política por PSDB e PMDB. Lula desafiou as dificuldades, dobrou as classes dominantes e deu a milhões de jovens outro futuro. Uma vida com dignidade e oportunidade.

Mesmo tendo esperança que essa sentença será derrubada na 2ª instância, fora da mitomania que está entranhada na Operação Lava Jato, precisamos ocupar as ruas e defender o Estado Democrático de Direito. O lawfare de Moro e aliados é um ataque severo a nossa democracia.

Expresso minha solidariedade ao ex-presidente Lula e reitero que sua volta será triunfante, eleito pelo voto e sabedoria do povo, novamente. Não subestimem a inteligência do povo brasileiro que rejeita a injustiça, a manipulação, a política rebaixada, e quer de volta seu país, suas conquistas e seu direito de escolher os destinos do Brasil.

*Deputada do PCdoB pelo Rio de Janeiro