Ricardo Montalvão: Por um governo popular e algumas medidas

Tarefas hercúleas serão demandadas das forças progressistas consequentes no sentido de garantirmos as eleições do ano que vem (2018).  Isto não está e não deverá estar em contradição com a luta pelas diretas já, entretanto, creio que pode se prever que não conquistaremos eleições diretas para 2017. Assim, antes de tudo lutar para eleger o Presidente da República e um Congresso progressista, no sentido de uma correlação de forças favorável às esquerdas, coloca-se como condição sine qua non.

Por Ricardo Montalvão*

Sendo otimista e cumprida esta condição: governar e tornar o país governável demanda(rá) que o novo governo federal faça alianças com forças que não sejam de esquerda, como a centro-esquerda…  E, neste tocante, isto é governar e/mas, e na medida do possível faz-se mor ir superando o neoliberalismo, com sua política ante-povo, resgatando o papel que o Estado pode e deve cumprir nos vários setores da sociedade, da economia, etc; revertendo os estragos que os reacionários de hoje já estão deixando de herança; recuperar, assim, empresas de importância chave para o patrimônio nacional, para a soberania do país, como a Petrobras, por exemplo. Ver aonde é/será possível o apoio e o papel a ser jogado, nos projetos de um governo progressista, pelo empresariado nacional e do setor produtivo. É toda uma enorme agenda a ser perseguida por um governo assim, isto é, de feição democrática e progressista.  Recuperar e recolocar em prática a distribuição de renda e de combate aos desníveis e desigualdades sociais que tanto fazem, ainda, amplas parcelas do nosso povo sofrerem as mais bárbaras crueldades, como fome, sede, falta de infraestruturas, etc, faltas assim, de elementares condições de vida em situações de pobreza extrema em um país tão rico e promissor como é o nosso.

Então, dizia, sendo otimista e contando com a eleição de(a) presidente(a) e de um Congresso  Progressista,  ou possível de se articular  ou negociar, com ele: de uma vez por todas:  criar os instrumentos de propaganda e proliferação das ações e projetos do governo, além da ampliação e fortalecimento dos já existentes (como a internet,  revistas de esquerda, progressistas, etc. )

Várias medidas ou políticas poderiam ser adotadas como propostas e objetivos a serem perseguidos(as),  além das já elencadas como: 1- Recuperação do patrimônio nacional entregue ao capital estrangeiro, tendo como símbolo as jazidas do pré-sal,  a Petrobrás;  2- Voltar a apostar na industrialização do país e investir nela, como, por exemplo, voltar a dar o papel necessário que para isso tem que ter os investimentos em ciência e tecnologia e inovação;  3- Recuperar o prestígio e a posição da nossa nação que chegou a alcançar no governo Lula; assim voltar a perseguir as integrações no Mercosul, nos BRIC’S , etc, etc.  Entretanto, isso tudo e muito mais dependem(rão)  de elegermos um presidente progressista e um Congresso menos reacionário e conservador e mais “de esquerda”  e progressista,  um Congresso Nacional, no mínimo que seja possível negociar com ele.

E sonhar, como nos ensinou Lênin:  “É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho.  De observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias.  Sonhos, acredite neles.”  (Lênin, Que fazer?).  Assim, crer no sonho e construir um Brasil soberano, com justiça social, um país próspero e democrático, uma grande nação que corresponda às suas enormes potencialidades, tanto muito rico em matérias primas, como com um povo singular, miscigenado, criativo, etc.  E diante da vida real: um país com elites atrasadas, retrógradas, ultraconservadoras e sem projeto de país; aonde ainda impera oligarquias “do tempo do onça”, subjugado pelo imperialismo e o capital financeiro nacional e internacional.  Enfim, acreditar; fazer o povo explorado e oprimido saber que o futuro da nação depende deles, da tomada de consciência de seu valor, de sua ousadia, de sua audácia, coragem, etc.

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E até lá temos muito o que fazer: mobilizações, lutas de ideias, etc, etc.

 

*Ricardo Montalvão é profissional liberal autônomo. Graduado na PUC-GO.