Frente Ampla para um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento

Nas lutas, a Centralidade da Questão Nacional

A questão nacional deve estar no centro das nossas lutas com foco  anti-imperialista, anti-neocolonial,  por independência nacional.

Por Antônio Barreto*

Do ponto de vista ideológico, nesta fase ultraneoliberal do capitalismo, o estado passou a ser o alvo central para o domínio neocolonial.

O imperialismo  ¹“se utiliza de todo o aparato dos estados, sua superestrutura, sistema monopolizado de mídia e ainda parte da população civil, para impedir novos polos de poder, garantir fontes de energia, mercado, força de trabalho barata, com imposição de  dependência e submissão”.

É o que se passa no Brasil, a partir do golpe de estado de 2016 e, ainda hoje,  no campo da resistência e enfrentamento para estancarmos a sangria do país e retomarmos as rédeas para Novos Rumos com independência e soberania, há ainda uma certa exitação, falta de unidade e muita confusão ideológica e política em setores da esquerda, que ou pendem para o esquematismo esquerdista ou n’outro extremo para a ilusória união geral do povo, o nacionalismo burguês tupiniquim.

Nem num polo nem n’outro.  A Frente Ampla, sob a direção da esquerda, por um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, deve juntar a intelectualidade progressista e  também  setores empresariais pequenos e médios e todos (as) os (as) que defendem um país desenvolvido e independente, o  que  pressupõe também ter  clareza de que está participando de um projeto de feição e clareza anti-imperialista.

Nesse sentido,  devemos concentrar nossas baterias para recuperar a democracia solapada pelo golpe, defesa do Estado Nacional Brasileiro, sua independência, soberania e propostas concretas para um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento e consequentemente, ter como meta recuperar os direitos trabalhistas,  sociais, políticos, humanos e culturais subtraídos nos últimos dois anos e ampliá-los, o que vai nos custar muitos e duros embates de classes.  Para evitar novos retrocessos,  devemos cambiar as atuais  estruturas do estado e realizar  uma profunda reforma dos meios de comunicação, democratizando-os. Sem isso, tudo pode voltar à estaca zero, com uma simples canetada até mesmo de um juiz de província, a serviço do inimigo externo, como estamos vendo no momento atual.

Para nós a questão não se encerra  na democracia e conquista dos direitos sociais. Pensamos bem mais à frente.  Quando falamos de soberania, não nos referimos apenas à questão das relações entre nosso país e outras nações – a nossa política externa. É isso e muito mais. Trata-se em primeiro lugar de termos  uma nova política macroeconômica dissociada do capital financeiro internacional, um política de desenvolvimento nacional com autonomia, sair do estágio de um país exportador de produtos primários, inclusive sob controle do capital estrangeiro, para um país industrializado que acompanhe o desenvolvimento tecnológico do século XXI. Independente, com soberania para decidir,  por exemplo, participar de um BRICS e  com todos os setores estratégicos da economia, recursos naturais e serviços também estratégicos, sob controle do estado.   No caminho inverso segue a burguesia nacional, subordinada e entreguista.  Essa  luta será uma constante, até a consolidação do  processo de transição ao socialismo.

Enquanto persistir o cenário atual e até conseguirmos começar consolidar um estado minimamente desenvolvido do ponto de vista da sua economia, com soberania e independência política frente ao imperialismo, a centralidade da luta política,  sindical e social é a questão nacional. Tudo o mais, deve estar subordinado a isso.  Não vamos conseguir recuperar direitos sociais, trabalhistas, igualdade de gênero  e “raça” e mesmo minimizar ou extirpar os preconceitos de cor, sexo  e todo tipo de discriminação que aflorou com mais força ainda nesse clima de ódio que grassa no país, sem desenvolvimento nacional. Isso não quer dizer que vamos arquivar essas bandeiras de luta que deverão  continuar na ordem do dia,  inclusive nas etapas de transição ao socialismo.  Mas nós comunistas,  devemos estar seguros dos passos a seguir em cada momento e da hierarquia das bandeiras de luta, ou seja,  a nossa tática correta para o objetivo definido. Como afirmou o camarada Renato Rabelo no seminário de Estudos Avançados da Escola Nacional do PCdoB, em julho deste ano,  “Sem desenvolvimento nacional, não pode haver progresso social”.

¹Dilermando Toni – Seminário de Estudos Avançados – Escola Nacional do PCdoB – Julho de 2017

*Presidente do Cebrapaz