Sob Bolsonaro, trabalhadores estão sem aumento real há três anos

(Divulgação)

Sob o governo Bolsonaro, os trabalhadores formais completaram três anos sem ganho real – aumento salarial acima da inflação. Segundo o boletim Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), divulgado nesta quarta (26), na mediana de 2021, somente 18,6% dos acordos firmados resultaram em aumentos maiores do que a inflação dos últimos 12 meses.

“Três anos muito difíceis para os trabalhadores: em 2019 e 2020, o reajuste mediano tinha empatado com a inflação; em 2021, ficou 0,1% abaixo do INPC”, destacou a Fipe em nota.

No ano passado, a inflação – medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE, fechou em alta de 10,16%. Entre os itens que mais pesaram no bolso dos trabalhadores foram os produtos cujos preços são administrados pelo governo federal, combustíveis (alta no ano de 49,02%) e da energia elétrica (alta no ano de 21,21%), além dos preços dos alimentos (alta no ano de 7,71%).

Além de reajustes baixos, a Fipe também registrou um crescimento no número de acordos e convenções que previam o pagamento escalonado dos índices de reajuste. “Isso quase não aparecia antes da pandemia e salta em alguns momentos, dependendo do número de categorias que fecharam negociação. O reajuste vem pequeno e ainda é pago parcelado”, disse o coordenador do Salariômetro e professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, Hélio Zylberstajn. Segundo ele, como a inflação em dois dígitos e os juros em elevação, a situação “não é boa pra os trabalhadores”.

De acordo com a Fipe, o piso salarial terminou em R$ 1.332 no ano passado. A variação foi de 4,5% em relação a 2020. Os benefícios fixos, como, por exemplo, vale-refeição e vale-alimentação, não apresentaram alteração.

O setor de Serviços foi o ramo da economia com a maior defasagem entre o percentual de reajuste mediano e a inflação pelo INPC. Segundo o Salariômetro, a diferença para os trabalhadores desse setor ficou em -38,9%. A Agropecuária teve a segunda pior diferença, com -30,9%.

Comércio, Construção Civil e Indústria, defasagem entre o percentual de reajuste mediano e a inflação pelo INPC ficou -15,7%.

Por região do país, no Nordeste os empregados formais receberam o menor reajuste mediano, de 5%, e tiveram a maior variação negativa em relação ao INPC, de -39,4%.