Rendimento real recua ao menor nível desde 2012

(Foto Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias)

A taxa de desemprego no Brasil recuou para 11,6% (ou para 12,4 milhões de pessoas), no trimestre encerrado em novembro de 2021 na comparação com o trimestre de junho a agosto. Mas faltou trabalho para 29,094 milhões de pessoas no país, somando os desempregados, subocupados por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas que estariam disponíveis para trabalhar.

O rendimento real habitual caiu 4,5% no período para R$ 2.444 e recuou 11,4% em relação a igual trimestre de 2020. Foi o menor rendimento da série histórica, iniciada em 2012, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (28).

Segundo a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, o emprego que cresceu no período reflete a “a sazonalidade dos meses do fim de ano, período em que as atividades relacionadas principalmente a comércio e serviços tendem a aumentar as contratações“.

No entanto, o IBGE destaca que “nenhum dos grupamentos de atividades teve crescimento no rendimento médio real habitual”. Pelo contrário, de acordo com o órgão, o movimento foi de achatamento da renda. Houve quatro reduções no rendimento da Indústria (6,1%, ou menos R$ 155), Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (4,0%, ou menos R$ 146), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (7,1%, ou menos R$ 270) e Serviços domésticos (2,3%, ou menos R$ 22).

Isso demonstra uma fragilidade na recuperação do mercado de trabalho brasileiro. Em meio a uma economia em recessão e desemprego elevado, somada a uma situação de inflação galopante e juros altos com aval do governo Bolsonaro, o Brasil soma 38,578 milhões de trabalhadores informais. Com isso, a taxa de informalidade ficou em 40,6%, significando que quase metade dos trabalhadores ocupados no país estão no trabalho precário, sem direitos trabalhistas, vivendo de “bico”. São milhões de brasileiros que se deparam com os aumentos na conta de luz, do aluguel, do gás de cozinha e dos alimentos e têm suas rendas corroídas pela inflação.

De acordo com o IBGE, o número de trabalhadores por conta própria (25,8 milhões de pessoas) cresceu 2,3% (588 mil pessoas) na comparação mensal e 14,3% (3,2 milhões de pessoas) na comparação anual no trimestre encerrado em novembro, um recorde da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. O trabalho sem carteira assinada

no setor privado cresceu (alta de 7,4% na comparação com o trimestre anterior) para 12,2 milhões de pessoas.

Na comparação anual, também não houve crescimento no rendimento de qualquer grupamento, mas seis deles mostraram reduções: Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (7,1%, ou menos R$ 116), Indústria (15,5%, ou menos R$ 439), Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (9,5%, ou menos R$ 206), Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (9,4%, ou menos R$ 363), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (12,8%, ou menos R$ 520) e Serviços domésticos (4,4%, ou menos R$ 43).

Na comparação trimestral, nenhuma posição na ocupação teve aumento em seus rendimentos, enquanto quatro tiveram quedas: Empregados com carteira de trabalho assinada (4,0%, ou menos R$ 97), Empregados sem carteira de trabalho assinada (6,8%, ou menos R$ 111), Trabalhadores doméstico (2,3%, ou menos R$ 22) e Empregados no setor público (inclusive servidor estatutário e militar) (5,2%, ou menos R$ 215).