Relatório da CPI da Covid não poderá ser ignorado, afirmam deputados

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Após seis meses de trabalho, a CPI da Covid aprovou na terça-feira (26), por 7 votos a 4, o relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que explicitou crimes cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro, seu governo e apoiadores durante a pandemia, que já vitimou mais de 600 mil brasileiros.

Com a aprovação do relatório, a comissão de inquérito, criada para investigar ações e omissões do governo durante a pandemia, encerra seus trabalhos pedindo o indiciamento de 78 pessoas e duas empresas. O relatório aprovado pelos senadores tem 1.289 páginas e responsabiliza o presidente Jair Bolsonaro por considerar que ele cometeu pelo menos nove crimes.

Há também pedidos de indiciamento de ministros, ex-ministros, três filhos do presidente, deputados federais, médicos, empresários e um governador – o do Amazonas, Wilson Lima. Duas empresas que firmaram contrato com o Ministério da Saúde – a Precisa Medicamentos e a VTCLog – também foram responsabilizadas.

Para os deputados do PCdoB, o documento é “histórico” e não poderá ser ignorado.

“Histórico! Por 7 a 4, com último voto de Omar Aziz, é aprovado o relatório da CPI da Pandemia que imputa 9 crimes a Jair Bolsonaro e indicia por crimes contra a Humanidade e outros delitos. Em homenagem aos mais de 606 mil mortos e seus familiares, haverá justiça! Além disso, Renan diz que Bolsonaro agiu como um ‘missionário enlouquecido para matar o próprio povo’ e que ‘tem pulsão de morte e figura ao lado dos facínoras que cultua, como Ustra, Pinochet, Hitler, entre outros’. É uma fala fortíssima! A CPI finda desferindo duros golpes”, avalia o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP).

A vice-líder da Minoria, deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também repercutiu o resultado da votação em suas redes. “Histórico! Parabéns à CPI da Covid pelo resultado! Fica a expectativa das consequências judiciais e as devidas punições. Que a Câmara instaure imediatamente a Comissão do Impeachment. E que pautemos o Projeto de Lei de auxílio às famílias das vítimas do presidente”, elencou.

Já a vice-líder da Oposição, deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC) afirmou que a CPI, agora, se transformará “numa Frente Parlamentar de acompanhamento da Pandemia” e que “Bolsonaro vai pagar por cada crime cometido”.

O documento, agora, está nas mãos da Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão responsável pela possível abertura de processos indicados na CPI.

“É um documento histórico e não poderá ser ignorado!”, destacou a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA).

A declaração soa como um apelo ao procurador-geral da República, Augusto Aras, até então aliado de Bolsonaro, para que não engavete a investigação feita pelos senadores e que descortinou uma série de crimes envolvendo o governo federal e seu mandatário na pandemia. Caso a PGR decida acusar o presidente, a denúncia será submetida à Câmara dos Deputados e, se for aprovada, seguirá para julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em sua conta no Twitter, o deputado federal Rubens Jr (PCdoB-MA) também comentou o resultado e ironizou a tensão que deve estar afetando a família presidencial. “Acabou a CPI, mas os trabalhos continuam. Bolsonaro e seus filhos foram indiciados. Tic tac.”

 

Por Christiane Peres

 

(PL)