Plenária do PCdoB põe soberania cultural no centro do futuro do Brasil
Encontro reuniu militantes, artistas, gestores e trabalhadores da cultura de diferentes regiões do país para debater os desafios de 2026 e fortalecer a cultura como dimensão estratégica da democracia, da soberania e do desenvolvimento brasileiro
A Secretaria Nacional de Cultura do PCdoB realizou, no sábado (8), a Plenária Nacional de Cultura, em formato online, reunindo militantes, artistas, produtores, pesquisadores, gestores e trabalhadores da cultura de diferentes estados. Com o tema “Cultura com Lula para construir o futuro do Brasil”, o encontro debateu os desafios da batalha eleitoral de 2026 e as contribuições dos comunistas para o futuro das políticas culturais brasileiras.
Na abertura, o secretário nacional de Cultura do PCdoB, Alexandre Santini, apresentou as contribuições formuladas pelo Partido na área cultural para o programa de governo da candidatura Lula 2026 e destacou a importância de reunir a militância antes das eleições. As propostas partem de uma compreensão da cultura para além de uma política setorial, como dimensão estratégica do projeto nacional de desenvolvimento.
A superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, apresentou informe sobre a titulação dos Teatros da Amazônia, o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, como Patrimônio Mundial, reconhecimento obtido recentemente durante reunião do Comitê do Patrimônio Mundial na Coreia do Sul, da qual integrou a delegação brasileira. Bia chamou atenção para trabalhadores e povos amazônicos historicamente invisibilizados nas narrativas sobre esses patrimônios e defendeu seu reconhecimento “como parte importante da nossa infraestrutura social, como instrumento de desenvolvimento, como eu já disse de geração de trabalho e renda e de fortalecimento da nossa memória e da nossa soberania nacional”.
Na sequência, a deputada federal Jandira Feghali defendeu a soberania como elemento central da disputa política e a incorporação de sua dimensão cultural às formulações sobre o futuro do país. Para Jandira, a cultura atravessa economia, comunicação, soberania digital, identidade, democracia e disputa de valores. “Porque a gente ouve, todo mundo falar de tudo, mas a gente não ouve falar da soberania cultural. Como se ela não fosse decisiva para a soberania brasileira.”
O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, apresentou um balanço da reconstrução das políticas culturais desde a recriação do MinC pelo presidente Lula. Destacou a recuperação das instituições e dos instrumentos de gestão, o fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura, os investimentos em patrimônio e infraestrutura, a expansão da Cultura Viva e a execução das políticas conquistadas a partir da mobilização do setor durante a pandemia. “Nós recuperamos esses quatro anos todas as políticas que tinham sido interrompidas e ainda executamos as políticas que foram construídas durante o cenário de pandemia.”
Márcio apontou ainda como desafios do próximo período a ampliação dos investimentos, o fortalecimento da economia da cultura e das culturas populares, a internacionalização da produção brasileira e os avanços na regulamentação do streaming, da inteligência artificial e dos direitos autorais como parte da defesa da soberania cultural.
No segundo momento da plenária, representantes de diferentes estados apresentaram contribuições sobre Sistema Nacional de Cultura, Cultura Viva, audiovisual, cota de tela, comunicação pública, financiamento, servidores da cultura, universidades, juventude, patrimônio, reforma tributária, diversidade sexual e de gênero, culturas negras e indígenas, economia da cultura e soberania digital.
O debate também apontou para o fortalecimento dos sistemas estaduais e municipais, políticas permanentes para artistas e trabalhadores culturais, maior articulação dos Pontos de Cultura e o desenvolvimento da indústria cultural brasileira.
Ao finalizar a reunião, Santini valorizou a representatividade nacional, a qualidade das contribuições e o encontro entre diferentes gerações de militantes, artistas, gestores e trabalhadores da cultura. Ao destacar o acúmulo e a capacidade de intervenção do Partido no campo cultural, afirmou que “essa reunião aqui é uma demonstração viva disso”.
As contribuições serão sistematizadas pela Secretaria Nacional de Cultura para ampliar o documento programático do Partido e subsidiar as candidaturas comunistas nos estados. A plenária também apontou para o fortalecimento do Coletivo Nacional de Cultura do PCdoB, a mobilização na batalha eleitoral de 2026 e a perspectiva de realização de um encontro nacional presencial após as eleições.




