Para Iedi, o desempenho da economia vem sendo camuflado

(Isac Nobrega/PR)

Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “o desempenho da economia brasileira em 2021 vem sendo camuflado pela existência de bases muito baixas de comparação em um grande número de atividades. O quadro é mais preocupante do que parece”.

“A indústria praticamente só perdeu produção ao longo de todo o ano, o varejo mesmo com a reabertura das lojas deu sinais negativos e o setor de serviços, até pouco tempo atrás obstruído pelos momentos de piora da pandemia, teve quedas recentemente, a despeito do avanço da vacinação. Na segunda metade de 2021, a maioria dos grandes setores econômicos voltou para níveis inferiores ao pré-pandemia”, ressalta o Iedi.

A análise tem como referência os dados mais recentes do IBGE sobre os principais setores da economia. De acordo com o instituto, em documento publicado na semana passada, “a nossa economia, que já estava debilitada antes mesmo da Covid-19, devido à grave crise de 2015-2016, agora compadece das cicatrizes da pandemia: ruptura das cadeias de fornecimento, inflação e taxas de juros em elevação, desemprego alto, agentes econômicos endividados etc. Crise hídrica e incertezas políticas e na condução da agenda econômica complementam a lista de desafios e obstáculos ao crescimento econômico em 2021”.

“Como consequência, a maioria dos setores já voltou a uma situação pior que o pré-pandemia, isto é, logo antes do surto de coronavírus atingir o país. É o que mostram as comparações com fev/20. A indústria, em dez/20, estava 3,4% acima de fev/20; perdeu este diferencial positivo já na primeira metade de 2021, chegando a um nível 0,8% abaixo deste patamar e seguiu perdendo terreno, de modo que em out/21 estava com uma produção 4,1% inferior ao pré-pandemia”, destacou o Iedi.

No setor de Serviços, o Iedi ressalta que o faturamento real do segmento encolheu -1,2% em outubro na comparação com mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. Isto, quando ele já havia apresentado queda de -0,7% em setembro. Do outro lado, as vendas reais do varejo ampliado, que inclui os segmentos de veículos, autopeças e material de construção, ao registrarem -0,9%, tiveram seu terceiro mês consecutivo no vermelho.

“O declínio recente dos serviços coloca em evidência a interrelação entre os diferentes setores da economia. Com varejo e indústria no vermelho há algum tempo, se reduzem muito as chances de os serviços manterem sua toada de expansão. Todos os segmentos no negativo em out/21 estão vinculados ao nível geral de atividade econômica”, frisou o Instituto.

Para a entidade da Indústria, o setor “praticamente não cresceu em 2021”. A indústria perdeu -0,6% de sua produção na passagem de setembro para outubro. “Inclusive na comparação com 2020, que, até há pouco tempo, era favorecida por bases baixas de comparação, o sinal negativo é verificado: -0,6% em ago/21; -4,1% em set/21 e -7,8% em out/21”, sublinhou.

Em outubro, as perdas foram difundidas em todos os setores. “Atingiu 70% dos ramos do varejo frente a set/21, embora geralmente menos intensa que nos meses anteriores”. Entre os destaques: Material de construção (-0,9%), veículos e autopeças (-0,5%) e móveis e eletrodomésticos (-0,5%), estiveram entre as maiores perdas.

“Nos serviços, quatro dos cinco ramos (80%) ficamos no vermelho”, apontou o Iedi, ao afirmar que “na indústria, a seu turno, 73% dos ramos ficaram no negativo”. Regionalmente, em destaque no resultado negativo está a indústria paulista, “uma das mais modernas e completas do país, cuja queda ante set/21 (-3,1%) foi bem mais intensa do que a do agregado nacional do setor.

“O comércio varejista também passou a registrar sequência de perdas sistemáticas”, diz Iedi. Em outubro, “as vendas reais do varejo recuaram -0,9% em seu conceito ampliado e -0,1% em seu conceito restrito, já corrigidos os efeitos sazonais”. “Com isso, são três meses seguidos de encolhimento das vendas, tendo como resultado levar as vendas de volta a níveis inferiores ao pré-pandemia”.

“O comércio ampliado está 2,8% abaixo de fev/20 e o restrito 0,1% aquém deste patamar. Ou seja, a indústria não está só a perder tudo o que havia conquistado no segundo semestre do ano passado, quando as medidas emergenciais adotadas pelo governo estavam plenamente em atuação”.

Segundo o instituto ainda, olhando para 2020, com bases de comparação menos deprimidas, “as variações interanuais também não escondem mais a perda de dinamismo do comércio. Houve perdas nos últimos três meses e agora em out/21, o varejo registrou -7,1% em ambos os conceitos”.

A análise do Iedi se soma às inúmeras avaliações e previsões de vários setores da economia, verificados nos próprios índices oficiais do governo, que apontam para uma queda do PIB no quarto trimestre, depois de cair dois trimestre anteriores, como o Ipea, o Monitor do PIB FGV e o Índice de Atividade do Banco Central.

Trata-se de uma realidade que Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro, tenta camuflar. Cresce o subemprego, o trabalho precário, e a renda desaba, em meio ao desemprego elevado, inflação galopante, juros elevados e a volta da fome aos lares brasileiros.