ONU: China condena “acusações infundadas” contra a Rússia sobre Bucha

O representante chinês, Zhang Jun, exigiu verificação das acusações e a Inglaterra se recusou a abrir reunião do CS da ONU

(Foto ONU)

O representante da China no Conselho de Segurança da ONU, Zhang Jun, afirmou que as “circunstâncias e as causas” das mortes de civis em Bucha, na Ucrânia, devem ser verificadas para “evitar acusações infundadas”.

As tropas russas deixaram a cidade de Bucha no dia 30 de março, mas a Ucrânia só falou de corpos estirados pelas ruas da cidade no dia 2 de abril.

Zhang Jun disse durante a reunião do Conselho de Segurança que “toda e qualquer acusação deve ser baseada nos fatos, antes que conclusões sejam tiradas. As partes devem agir com moderação e evitar acusações infundadas”.

“As circunstâncias e as causas específicas do incidente devem ser verificadas e determinadas”, continuou.

O representante russo, Vasily Nebenzya, centrou seu discurso no Conselho de Segurança nas inconsistências que existem na versão da Ucrânia sobre o caso de Bucha.

“Os corpos não estavam lá logo após a retirada das forças russas”, afirmou.

O prefeito de Bucha, Anatoliy Fedoruk, gravou um vídeo logo depois das tropas russas terem recuado. Ele não menciona, em nenhum momento, que foram encontrados corpos estirados pelas ruas, como agora diz o governo ucraniano.

Nebenzya também comentou que “os cadáveres no vídeo não se assemelham a corpos que ficaram na rua por 3 ou 4 dias”. O vídeo divulgado pela Ucrânia mostra corpos com marcas de sangue fresco.

Segundo o New York Times, imagens de satélite registram os corpos estirados nas ruas de Bucha desde o dia 11 de março, o que torna sua versão ainda mais inverosímil.

O representante russo também mencionou um vídeo gravado em Bucha, logo depois da retirada russa, em que um militar ucraniano pede permissão para atirar em civis.

SANÇÕES E NEGOCIAÇÕES DE PAZ

A China alegou na ONU que as sanções impostas, de forma unilateral, pelos Estados Unidos e seus aliados contra a Rússia não vão resolver a crise na Ucrânia, mas “acelerar o transbordamento da crise e trazer novos e complexos problemas”.

“A comunidade internacional deveria criar condições favoráveis para as negociações entre os dois lados, abrir espaço para um acordo político, e não criar bloqueios para aumentar a resistência contra a paz ou jogar lenha na fogueira para agravar os confrontos”.

“Convocamos os Estados Unidos, a Otan e a União Européia a se engajarem em diálogos compreensivos com a Rússia para encarar de frente as suas diferenças acumuladas ao longo dos anos”, pontuou.

O representante chinês ainda falou que “pequenos e médios países não devem ser empurrados para a vanguarda do confronto entre grandes potências”, como aconteceu na Ucrânia, que foi levada pelos EUA para o centro de seu embate contra a Rússia.