Nádia Campeão durante 2º dia de Congresso da Conam | Foto: reprodução vídeo.

A defesa da soberania nacional e o fortalecimento da mobilização popular marcaram a participação da presidenta nacional em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, no segundo dia do 15º Congresso Nacional da Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores), realizado neste sábado (11), em Fortaleza (CE). Convidada para o debate sobre a conjuntura nacional e internacional, a dirigente afirmou que as eleições presidenciais de outubro serão decisivas para o futuro do Brasil e convocou o movimento comunitário a intensificar o diálogo com a população em defesa da democracia, dos direitos sociais e de um projeto de desenvolvimento soberano.

Ao abrir sua intervenção, Nádia destacou a convergência entre os partidos do campo progressista e o movimento comunitário organizado pela Conam. Segundo ela, todos compartilham a mesma responsabilidade histórica de lutar por mudanças estruturais em favor da classe trabalhadora.

“Todos nós aqui estamos no mesmo barco, do mesmo lado, na mesma trincheira de luta. A nossa luta é uma luta progressista para fazer mudanças no nosso país e mudanças no interesse do povo e da classe trabalhadora”, afirmou.

Para a dirigente, discutir a conjuntura brasileira exige, necessariamente, analisar a disputa presidencial que será travada nos próximos meses. Ela ressaltou que a eleição definirá não apenas o comando do Executivo, mas também os rumos do desenvolvimento nacional e a capacidade de ampliar políticas públicas voltadas à população.

“Nós precisamos enfrentar essa disputa eleitoral de forma ativa, proativa. Conversando, debatendo, atuando, discutindo, ganhando consciências, porque estão em jogo coisas muito importantes.”

Ao abordar o cenário internacional, Nádia avaliou que o mundo atravessa uma profunda reorganização geopolítica, marcada pela perda da hegemonia dos Estados Unidos e pelo fortalecimento de novos polos econômicos, especialmente a China. Segundo ela, esse contexto aumenta a pressão sobre países como o Brasil, ricos em recursos naturais e estratégicos.

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A presidenta interina do PCdoB afirmou que a soberania nacional será um dos principais temas da disputa eleitoral. Para ela, o Brasil precisa preservar sua autonomia para decidir sobre suas riquezas, seu modelo de desenvolvimento e seu futuro.

“O Brasil precisa de um presidente que defenda o Brasil, a economia brasileira, o povo brasileiro e a Constituição brasileira. Quem decide as coisas do Brasil é o povo brasileiro, não é Donald Trump.”

Durante sua exposição, Nádia também criticou a postura do pré-candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, afirmando que suas posições favorecem interesses externos em detrimento da soberania brasileira. Segundo ela, o país vive uma disputa entre projetos antagônicos: um comprometido com os interesses nacionais e outro alinhado às pressões estrangeiras.

Ao tratar das prioridades do próximo período, a dirigente reforçou que a defesa da soberania deve caminhar junto com a ampliação dos direitos sociais. Ela destacou que o Sistema Único de Saúde (SUS), a educação pública, a moradia, a geração de empregos e a reindustrialização do país precisam ocupar lugar central na agenda nacional.

“O SUS é uma conquista extraordinária do povo brasileiro, mas nós precisamos melhorá-lo. Nós precisamos ter cirurgia, exame, medicamento e tratamento. A saúde não pode esperar.”

Nádia também defendeu uma mudança na política econômica para ampliar os investimentos públicos. Segundo ela, os elevados gastos com juros limitam a capacidade do Estado de financiar políticas voltadas à população e favorecem a concentração de renda.

“Não basta eleger o presidente Lula. É fundamental elegê-lo, porque estaremos defendendo o Brasil e os direitos do povo brasileiro. Mas isso não basta. Nós precisamos estar mobilizados e organizados para cobrar mais direitos e enfrentar os poderosos que querem apenas se enriquecer.”

Ao encerrar sua participação, a presidenta nacional em exercício do PCdoB destacou que a mobilização popular deve continuar independentemente do calendário eleitoral. Para ela, organizações como a CONAM têm papel estratégico na construção de um projeto nacional voltado ao desenvolvimento, à justiça social e à valorização do trabalho.

“O Brasil tem direito de ser um país grande, desenvolvido e rico para o seu povo. É por esse Brasil que a Conam e o movimento comunitário devem continuar lutando com muito afinco.”