"Estou horrorizado com relatos de que cerca de 150 pessoas morreram no naufrágio na costa da Líbia", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. (Marinha militar)

“As unidades do Crescente Vermelho da Líbia conseguiram resgatar 62 corpos de imigrantes”, afirmou à Agência France Presse (AFP) Abdel Moneim Abu Sbeih, alto funcionário da organização, que equivale à Cruz Vermelha. 110 continuam desaparecidas do que já é um dos piores naufrágios de imigrantes na tentativa de travessia do Mediterrâneo, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). 145 pessoas foram salvas na quinta-feira (25).

“Estou horrorizado com relatos de que cerca de 150 pessoas morreram em um naufrágio na costa da Líbia”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Um dos sobreviventes relatou que havia cerca de 300 pessoas a bordo do barco de madeira que soçobrou, que partira de Al Khoms, a 120 km a leste da capital, Tripoli. Para a guarda costeira líbia, seriam 250. O alarme sobre a tragédia partiu da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur): “Notícia terrível”. A ONU já considera o naufrágio “o pior de 2019”.

As autoridades ainda não têm uma estimativa sobre o total das vítimas, que fogem das guerras e da devastação causada pelas políticas neoliberais no continente que sofreu o flagelo da escravidão e do colonialismo.

A Líbia se tornou no centro da imigração ilegal para a Europa após o país ser destruído pelos bombardeios da Otan em 2011 e seu líder, Muammar Kadafi, assassinado.

Diante da dimensão do morticínio, Khoms enfrenta dificuldades para enterrar os corpos resgatados, desde os procedimentos legais e identificação das vítimas, até encontrar um local para o enterro.

Em maio último, mais de 80 imigrantes morreram afogados em um naufrágio, a 60 km da costa da Tunísia, em frente à cidade de Sfax. Só houve quatro sobreviventes. A embarcação partira, apinhada, de Zuara, na vizinha Líbia.

Segundo a OIM, o total de mortos no Mediterrâneo desde o início do ano já ultrapassa de 600, a maior parte, na chamada ‘rota central’, que parte da Líbia. Até 8 de maio, 17 mil pessoas haviam chegado à Europa, depois da perigosa travessia – 30% menos do que os que vieram em 2018.

Na outra margem do Mediterrâneo, o campeão da xenofobia e ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, anunciou que 140 migrantes que estão a bordo de embarcações da Guarda Litorânea italiana não desembarcarão se não houver um acordo para sua distribuição em países europeus.

A Guarda Litorânea resgatou vários botes infláveis à deriva no Mediterrâneo central e acolheu 50 migrantes que haviam sido resgatados pelo pesqueiro italiano Accursio Giarratano. A operação de socorro ocorreu em águas internacionais no litoral de Malta, mas esse país rejeitou recebê-los.

Como disseram os manifestantes antirracismo e anti-xenofobia – a Trump, nos EUA, diante de um centro de detenção de refugiados – e que vale, igualmente, para as autoridades dos países ricos da Europa: “se não quer que venham, pare de criá-los”.

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