Lavrov: roubar ativos estrangeiros está se tornando hábito no Ocidente

Lavrov, chefe da Diplomacia da Rússia, em entrevista coletiva concedida em Moscou

(Crédito: ANP/Mikhail Metzel/TASS)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia chamou de “roubo” a sugestão do ‘chefe da diplomacia’ da União Europeia, Josep Borrell, de que o bloco europeu, embasado no precedente dos EUA em relação a reservas afegãs confiscadas, de subtrair as reservas russas congeladas em bancos europeus em prol do regime de Kiev. A declaração foi feita na terça-feira (10), durante visita à Argélia.

“Parece justo dizer que isso é um roubo que eles [os países ocidentais] nem tentam esconder”, disse Lavrov, falando a repórteres. Tais ações “tornam-se uma espécie de hábito para o Ocidente” , acrescentou, apontando para o fato de que os EUA congelaram fundos “pertencentes ao Afeganistão, o Banco Central Afegão”.

Na véspera, Borrell disse ao Financial Times ser “muito a favor” de confiscar os ativos do Estado russo no exterior, enfatizando que a ideia é “cheia de lógica”. Lógica de bandidos e imperialistas, claro.

“Temos o dinheiro em nossos bolsos, e alguém tem que me explicar por que é bom para o dinheiro afegão e não é bom para o dinheiro russo”, disse Borrell, referindo-se ao dinheiro afegão preso nos bancos centrais dos EUA e da Europa.

Lavrov se referiu a esse assalto às reservas do Afeganistão, visto por Borrell como nova jurisprudência neocolonial. “Eles congelaram dinheiro pertencente ao Afeganistão – ao banco central afegão, na América. E eles querem gastar esse dinheiro não para as necessidades do povo do Afeganistão, que sofreu as consequências de 20 anos de operação da OTAN em seu país, mas para outros fins não relacionados à restauração da economia afegã”, disse o chanceler russo.

Em fevereiro, o governo Biden anunciou que iria confiscar a metade dos US$ 7 bilhões em dinheiro afegão retido pelo Fed e gastá-lo para pagar as famílias das vítimas do 11 de setembro após processos judiciais. A outra metade supostamente seria devolvida ao Afeganistão como “ajuda humanitária”, segundo a Casa Branca.

Lavrov aproveitou para ironizar a patética figura que se intitula chefe da diplomacia europeia. “Em breve poderemos testemunhar a eliminação do cargo de principal diplomata da União Europeia, uma vez que a UE praticamente não tem uma política externa própria e, em vez disso, apoia totalmente as abordagens impostas pelos Estados Unidos”.

Moscou continuará a se opor às tentativas dos Estados Unidos de “erodir os princípios nos quais a ONU se baseou” e de criar uma ordem mundial unipolar, concluiu.

Diante da avidez manifestada pelos bucaneiros do século XXI, o presidente do parlamento russo (Duma), Vyacheslav Volodin, alertou que Moscou poderia tomar medidas de retaliação se os EUA e seus vassalos avançassem com seus planos de confisco.

“No que diz respeito às empresas sediadas em território russo cujos proprietários são cidadãos de países hostis e onde foi tomada a decisão [de confiscar bens russos], é justo tomar medidas recíprocas e confiscar bens. Esses ativos serão usados para o desenvolvimento do nosso país”, disse Volodin.

Questão sobre a qual, diga-se de passagem, existem numerosos precedentes, sob governos progressistas. Após o início da operação militar russa na Ucrânia, as nações ocidentais congelaram cerca de metade das reservas internacionais da Rússia, US$ 300 bilhões.