Indústria de transformação por intensidade tecnológica piora em 2021

(Foto: José Carlos Lacerda/Agência CNI de Notícias)

A indústria de transformação pouco reagiu em 2021, com volume de produção que, comparado a 2020, não foi o suficiente para compensar as perdas do primeiro ano de pandemia no Brasil. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) analisou o desempenho do setor produtivo por faixas de intensidade tecnológica e concluiu que foram as indústrias de maior e menor grau tecnológico que mais saíram perdendo – como efeito da queda nos investimentos e acentuação do processo de desindustrialização no primeiro caso e; no segundo, da redução da demanda associada ao recuo da renda e do desemprego elevado no país.

Das quatro faixas de intensidade tecnológica, duas sequer conseguiram crescer no ano passado. “O pior resultado coube à indústria de alta tecnologia, que depois de recuar -3,2% em 2020, voltou a cair -2,9% em 2021, sob influência tanto do complexo eletrônico como do ramo farmacêutico”, avalia o Iedi.

Desemprego e queda na renda

A produção da faixa de média baixa intensidade, onde estão incluídos os bens de consumo semi e não duráveis encolheu 0,1% em 2020 e -1,2% em 2021.

“Muito disso coube aos ramos de combustíveis e derivados de petróleo e de alimentos, cujos preços em ambos os casos viram importante elevação ao longo do ano. Ademais, também concentra vários setores de bens de consumo semi e não duráveis, que são mais afetados pelo alto desemprego e perda de poder de compra da população”, diz o instituto.

Os dois grupos também tiveram os piores resultados no final do ano passado. “Todos registraram queda de dinamismo e no caso da alta e da média baixa, o que já era negativo tornou-se ainda mais negativo. No 4º trim/21, a indústria de alta tecnologia caiu -11,9% ante o 4º trim/20 e a de média baixa tecnologia, -6,5%”, destaca o Iedi. E assim entramos em 2022.

Os grupos intermediários de intensidade tecnológica foram as duas faixas que regiram em 2021, principalmente por ter sua produção associada ao mercado externo, ou seja, não refletem o grau de absorção de bens industriais do país.

A indústria de média tecnologia cresceu 10,4% no ano passado, enquanto a de média alta tecnologia teve avanço de 13,6%. Aqui estão incluídas a produção de bens de capital, da indústria química e do setor automobilístico.

“Também nestes casos, como dito anteriormente, embora tenham assumido uma trajetória de recuperação em 2021 como um todo, o final do ano trouxe sinais de retrocesso. Findado o período de bases de comparação muito deprimidas, ficou mais difícil manter os resultados positivos”, acrescenta em análise aos dados o Iedi.

“A indústria de média alta tecnologia caiu -5,1% no 4º trim/21 e, a despeito do revés, ainda se manteve como o grupo que melhor se saiu no período. Já a média intensidade tecnológica recuou -7,9% no último trimestre. No primeiro caso, a maior influência veio da indústria automobilística (-10,9%), enquanto no segundo as perdas atingiram todos os seus ramos, com destaque para: -4,1% na metalurgia e -13,7% em borracha e plástico”.

A produção física total da indústria de transformação cresceu 4,3% no ano passado, após perda de 4,9% em 2020. Apesar disso, o instituto chama atenção para a retração tanto no contraponto entre meses de dezembro de 2021 e de 2020, quando houve queda de 5,9%, quanto entre quartos trimestres, recuo de 6,6%.

72,4% das exportações são de bens de baixa tecnologia

Outro estudo recente do Iedi identifica uma espécie de “espelhamento” na composição da importação e exportação de bens industriais no Brasil. Enquanto 72,4% das exportações da indústria de transformação são de bens de baixa e média baixa intensidade tecnológica e menos de 30% são de alta e média alta tecnologia, na importação o caminho é o oposto: 71,6% são bens típicos da indústria de média alta e alta tecnologia e o restante é de média baixa e baixa tecnologia.

“Esse padrão reflete defasagens em tecnologia e inovação que se acentuaram nos últimos anos e que podem se acentuar ainda mais”, alertou Rafael Cagnin, economista do instituto.