Governo ignora pauta dos caminhoneiros e cancela reunião de negociação

Caminhoneiros fazem paralização na BR 101, Niterói-Manilha, na altura de Itaboraí, no Rio de Janeiro.

(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O governo cancelou uma reunião com caminhoneiros que estava marcada para a próxima quinta-feira (28). A reunião, marcada pelo presidente da Frente Parlamentar Mista dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, deputado Nereu Crispim (PSL-RS), tinha por objetivo abrir um canal de diálogo que evitasse a greve nacional da categoria, que está marcada para o dia 1º de novembro.

“Em razão das notícias veiculadas na imprensa de que a reunião seria realizada com a participação de Ministros de Estado, o que não se coaduna com o convite enviado, esta Secretaria Especial de Articulação Social informa o cancelamento da reunião do dia 28”, diz mensagem enviada ao deputado pelo órgão da Secretaria de Governo.

O cancelamento se dá em meio a mais um aumento do combustível, anunciado nesta segunda-feira, o que só reforça o descontentamento da categoria e o movimento pela paralisação nacional em curso, conforme afirmam as lideranças dos caminhoneiros e o próprio deputado.

Conforme Nereu Crispim, “o governo está encomendando a paralisação de 1º de novembro”.

Entre as reivindicações dos caminhoneiros estão a redução do preço do diesel, revisão da política de preços da Petrobrás e o estabelecimento e cumprimento de um frete mínimo.

Na semana passada, tentando desarticular a greve, Bolsonaro anunciou, sem maiores detalhes, que daria uma “ajuda” de R$ 400 mensais aos caminhoneiros, o que foi classificado pelos líderes como “esmola”, melzinho na chupeta”, “piada de mau gosto” e ajuda “ridícula”, diante do preço do diesel e do valor insignificante que isso representa para o necessário abastecimento dos caminhões.

Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo, interlocutores afirmam que Bolsonaro não leva a sério a ameaça de greve, não acredita na paralisação a partir de novembro e não quer o deputado Nereu Crispim se “auto promovendo” às custas do governo.

Para o deputado, o chamado Auxílio Diesel de R$ 400 é “esmola”, e afirma que Guedes e Bolsonaro só “trabalham para banqueiro e investidor da Bolsa de Valores” e que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, é uma pessoa de “conversa fiada” e que nunca conseguiu resolver uma pauta.