Governo avalia que a curva epidemiológica está parada no pico

Testes para Covid-19. Foto: Roque Sá/Agência Senado

O Ministério da Saúde comemora queda de -5% na variação da curva de 14 dias pra cá, embora ela permaneça no pico de mortes há 12 semanas, fenômeno que não ocorreu em nenhum outro país.

O Brasil chegou a 104.201 mortes em função da pandemia do novo coronavírus, com o registro de mais 1.175 óbitos em 24 horas. Os dados foram divulgados na entrevista coletiva de apresentação do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde hoje (12). Ontem o painel trazia 103.026. Ainda há 3.454 óbitos em investigação.

Já os casos acumulados somaram 3.164.785. Há 715.107 casos em acompanhamento com mais 55.155 contágios ocorridos nas últimas 24 horas. Ontem, o sistema do Ministério da Saúde marcava 3.109.630 pessoas infectadas desde o início da pandemia.

Segundo o consórcio da imprensa, o país registrou 1.164 mortes pela Covid-19 confirmadas nas últimas 24 horas, chegando ao total de 104.263 óbitos. Em casos confirmados, já são 3.170.474 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 58.081 desses confirmados no último dia.

Curva parada no pico

Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 978 óbitos, uma variação de -5% em relação aos dados registrados em 14 dias. A média móvel de casos foi de 43.959 por dia, uma variação de -5% em relação aos casos registrados em 14 dias.

A avaliação sobre a evolução da curva epidemiológica é semelhante à do consórcio da imprensa. A curva de casos novos da 32ª semana epidemiológica (SE) oscilou 3% para baixo em comparação com a semana anterior. Na comparação das médias diárias, na 32ª SE o índice foi de 43.505, enquanto na SE 31ª ele estava em 44.766.

A curva das mortes por covid-19 oscilou no mesmo patamar (3% para baixo), totalizando 6.914 novos registros. Na análise das médias diárias de óbitos, foram 988 na 32ª semana epidemiológica contra 1.016 na anterior.

Na avaliação do secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, o Brasil encontra-se em uma estabilização das duas curvas. “Temos considerado um intervalo de confiança de até 5%. Quando há este patamar afirmamos que há uma estabilização. O número de casos está dentro do limite de confiança, mas para baixo”, explicou.

No caso dos falecimentos, ele argumentou que a equipe do Ministério vê uma tendência de queda, embora ainda em platô. O Brasil está na casa da média de cerca de mil mortes desde o fim de junho.

Como o Ministério da Saúde gosta de destacar, até o momento,  2.309.477 pessoas se recuperaram da doença. Este dado serve apenas confirma a dimensão da gravidade e da letalidade da doença, mas o governo acredita estar oferecendo um dado positivo para não enfatizar o número absurdo de mortes.

Covid-19 nos Estados

Os estados com mais mortes por covid-19 são: São Paulo (25.869), Rio de Janeiro (14.295), Ceará (8.052) e Pará (5.909). As Unidades da Federação com menos óbitos são: Tocantins (482), Roraima (555), Mato Grosso do Sul (558), Acre (569) e Amapá (606).

Pelo mapa da situação da epidemia no país, doze estados estão estabilizados, nove apresentam redução e oito mostram aumento de casos da covid-19.

O incremento, antes concentrado no Sul e no Centro-Oeste, voltou a ficar mais distribuído, incluindo estados do Norte, região que sofreu mais no início da pandemia.

Já quando consideradas as mortes, houve elevação de números em oito estados e diminuição em 12, com outros sete em situação de estabilização. Também neste caso, o foco deixou de ser o Sul o Centro-Oeste (com exceção do Mato Grosso do Sul), com aumento de mortes em estados do Norte e Nordeste.

A epidemia praticamente já atinge todo o país, com casos registrados em 5.485 municípios, o equivalente a 98,5%. Já as mortes foram notificadas em 3.785 cidades, o correspondente a 68%. Também vem sendo reforçada a interiorização da epidemia, com 60% dos casos novos no interior e 40% em regiões metropolitanas. Já no quesito novos óbitos, os percentuais estão quase igualados (51% em regiões metropolitanas contra 49% no interior).

Segundo o consórcio da imprensa, no total, 6 estados e o Distrito Federal apresentaram alta de mortes: SC, MG, DF, MS, AM, AP e TO.

Em relação a terça (11), o DF estava com a média de óbitos em estabilidade e, hoje, está subindo. BA estava com a média subindo e, agora, está em estabilidade.

Subindo: SC +43%, MG +30%, DF +17%, MS +27%, AM +69%, AP +38% e TO +60%.

Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente: PR +11%, RS +2%, ES -9%, SP -3%, GO 0%, MT -15%, PA 0%, BA +1%, PB -11%, PE -8%, PI +15% e RN -15%.

Em queda: RJ -46%, AC -53%, RO -21%, RR -47%, AL -20%, CE -20%, MA -28% e SE 20%.

Internações por motivos respiratórios

As hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) totalizou 548.353 desde o início da pandemia. Destas, 278.714 (50,8%) por covid-19. Ainda há 85.435 (15.6%) cujas causas estão em investigação.

Quanto ao perfil das internações por SRAG, 51,1% tinham acima de 60 anos, 57% eram homens e 43% eram mulheres. No recorte por cor e raça, 32,3% eram pardos, 31,1% brancos, 4,7% pretos, 1% amarelo, 0,3% indígenas e 30,6% não informaram.

Já nas mortes por SRAG, 72,5% eram idosos, 58% eram homens e 42% mulheres. Na distribuição por cor e raça, os índices aumentam para pardos (35,8%), pretos (5,2%) e não declarados (28,9%), oscilam para amarelos (1,1%) e indígenas (0,4%) e diminuem para brancos (28,7%).

Testes

Até o momento, foram distribuídas 5.397.908 reações para testes laboratoriais (RT-PCR). Desses, foram analisados 1,8 milhão de exames laboratoriais na rede pública e 2 milhões em laboratórios privados, totalizando 3,8 milhões de testes realizados.

Brasil no mundo

O Brasil ocupa o 2º lugar no ranking de mortes e de casos, atrás apenas dos Estados Unidos, que teve 4.941.796 pessoas infectadas e 161.356 óbitos até o momento. Quando considerada a população, o Brasil ficou em 8º na incidência (casos por 1 milhão de habitantes) e em 9º na mortalidade (falecimentos pela covid-19 por 1 milhão de habitantes). O país subiu nos dois quesitos nas últimas semanas, quando estava na 10ª posição nas duas listas.

Já quando considerados os casos de países na última semana epidemiológica (referência utilizada por autoridades de saúde para medir a evolução o fenômeno), com dados até o dia 8 de agosto, o Brasil (304.535 casos) ficou atrás dos Estados Unidos (379.759) e da Índia (392.623).