Flávio Dino: Discurso da violência é o discurso da divisão do Brasil

Foto: Reprodução

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), alertou que a onda de intolerância provocada pelos discursos de ódio contra as minorias e partidos de esquerda é extremamente grave e contrário a uma das características brasileiras, o respeito à democracia. Em entrevista à Revista Fórum nesta terça-feira (9) em São Paulo, Flávio Dino afirmou que o “discurso da violência é o discurso da divisão do Brasil”.

“Somos um povo pluri étnico, um povo que se formou a partir de uma grande unidade nacional e nós não podemos perder isso. O verde e o amarelo estão do nosso lado. Porque esse discurso da violência é o discurso da divisão do Brasil. É o discurso de brasileiros contra brasileiros. A verdadeira campanha patriótica, nacional, a verdadeira bandeira que preserva o Brasil como Nação, é a nossa campanha. Porque pressupõe o diálogo”, ressaltou o governador do Maranhão.

Retomar o poder de agenda

Para Flávio Dino, é decisivo retomar o poder de agenda na campanha para vencer o segundo turno das eleições presidenciais. “Se você pega a campanha presidencial desde o início, o campo político da esquerda, de democracia e popular, está na defensiva. As vezes muito reativos e, portanto, tendo que responder a uma falsa agenda. Uma agenda que não corresponde ao centro daquilo que o cidadão quer ouvir e que ele precisa saber e que é decisivo para o seu voto”.

“O principal sem dúvidas é conversar com as classes populares, conversar com as pessoas que sofreram com a recessão nos últimos anos, com o desemprego. E mostrar que o nosso campo político é aquele que detém as condições de fato melhorar a economia e a geração de empregos. Primeiro porque já fizemos isso anteriormente. Segundo porque temos um programa”

O governador afirmou que o programa econômico da candidatura de Bolsonaro (PSL) é rigorosamente igual à do Michel Temer. “Diria que até pior em alguns aspectos porque pressupõe privatizações selvagens, por exemplo, da Petrobras e de bancos públicos”. Flávio Dino destacou é preciso dizer isso para a população. “O programa econômico de Bolsonaro é recessivo, regressivo – ou seja, de concentração de riqueza na mão de poucos – vai destruir o Estado brasileiro”, alertou.

“Se as pessoas querem um estado forte, serviço público, um governo que atue, olha se você tem um programa como no caso do Bolsonaro, de privatização, de perda de direitos, de diminuição de direitos, isso na verdade é o contrário daquilo que as pessoas querem. Agora é preciso mostrar isso concretamente. É preciso mostrar como nós temos a capacidade de melhorar a vida do povo, da classe trabalhadora, daqueles que precisam da mão forte do estado para conseguir melhorar a sua vida”.

No primeiro turno da eleição presidencial, Haddad venceu na maioria dos estados do Nordeste. Mas com exceção, em algumas cidades da região, Bolsonaro obteve mais votos. Questionado sobre isso, Flávio Dino disse que tem uma série de problemas específicos que podem explicar esse resultado, um exemplo, é a segurança pública.

“Eu acho que esse tema deve ser pautado pela candidatura do Haddad. Acho que a candidatura do Haddad além de sublinhar os aspectos sociais, deve dizer concretamente o que vai fazer, qual é o plano de segurança pública objetivo que transite, inclusive pelo aumento da capacidade operacional das polícias e a criação de instrumentos nacionais”.

“A experiência concreta tem demonstrado que não pode ser o exército, não é seu papel, sua vocação e sua capacitação. A polícia federal hoje tem uma série muito grande de atribuições. Nós temos um embrião que é a força nacional de segurança pública e acho que uma proposta correta seria institucionaliza-la, torna-la permanente como uma espécie de guarda nacional. Que esteja à disposição dos estados para ajudar a PM naqueles casos mais graves, mais agudos, por exemplo, no caso de homicídios, roubos a bancos. Então, é uma proposta objetiva, concreta, que diz “o governo federal fará isso”: vamos criar uma força nacional, uma guarda nacional que terá um número de pessoas, que vai atuar em relação a roubo a banco, ao tráfico de armas e aos homicídios. Essa é uma resposta concreta. A sociedade precisa ouvir isso da gente, porque nós temos a capacidade de formular e apresentar isso. Porque se não ouve, vai acreditar em falsas soluções, por exemplo, que cada um possa ter uma arma na cintura”.

Na visão de Flávio Dino, isso só vai aumentar ainda mais a criminalidade e a violência. Ele explica que na hora que a quadrilha souber que as pessoas têm uma arma 38, eles vão com uma metralhadora. “Na verdade, o cidadão sempre vai estar em condição desfavorável. É uma falsa promessa de que ele armado vai resolver alguma coisa”.

“Além do fato de a experiência, por exemplo, dos Estados Unidos mostrar que quando há uma disponibilidade maior de armas, aumenta também a criminalidade fortuita. Por exemplo, a discussão de trânsito que se transforma num homicídio. Uma discussão em uma festa, no bar, assistindo um jogo, se transforma num homicídio. Ou seja, longe de diminuir a violência, você disseminar o porte de armas, vai na verdade aumentar a violência. E a gente tem que comprovar isso com estatísticas internacionais”, frisou Flávio Dino.

Assista a íntegra da entrevista: