Fiocruz produziu 4 mi de comprimidos de cloroquina a pedido do Governo

(Foto: Agência Brasil/Reuters)

O Ministério da Saúde usou R$ 70,4 milhões de créditos emergenciais para combate à Covid-19 para produzir, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 4 milhões de comprimidos de cloroquina e outros medicamentos que também não têm efeito contra a doença.

O dinheiro utilizado foi o disponibilizado pela Medida Provisória 940, que abriu créditos extraordinários para o Ministério da Saúde.

Documentos obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo, com datas de 29 de junho e 6 de outubro, mostram que o Ministério da Saúde ordenou a produção de cloroquina e Tamiflu para pacientes com Covid-19, mas nenhum dos dois remédios tem efeito contra a doença.

Os próprios documentos, que foram elaborados pela Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, afirmam que os medicamentos seriam fabricados para pacientes com coronavírus.

Os documentos afirmam que “com esses recursos alocados à Fiocruz, por meio da Medida Provisória nº 940, está em processo de produção por Farmanguinhos/Fiocruz o montante de 4.000.000 de comprimidos de difosfato de cloroquina 150 mg. Esse montante tem previsão de entrega nos meses de julho e agosto”.

O Ministério da Saúde e a Fiocruz não quiseram comentar o uso dos recursos da MP 904 com a produção de Tamiflu, que, segundo eles, foi para o combate à influenza.

“O Ministério da Saúde tem distribuído o fosfato de oseltamivir para o enfrentamento à pandemia e tem recomendado o uso concomitante com outros medicamentos por até cinco dias até exclusão de influenza, em pacientes pediátricos com diagnóstico de Covid-19”, afirma o documento datado de 6 de outubro.

“Com os recursos alocados à Fiocruz, por meio da MP nº 940, para a aquisição de medicamentos, encontra-se em processo de aquisição junto a Farmanguinhos o montante de 4 milhões de comprimidos de difosfato de cloroquina 150 mg”, continua.

A cloroquina está sendo distribuída “de acordo com as orientações do Ministério da Saúde para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19”.

Depois da publicação da reportagem, o PDT entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma notícia-crime contra Jair Bolsonaro.

Desde o começo da pandemia, o governo Bolsonaro tem defendido que a cloroquina deveria ser o remédio usado no mundo todo para combater a Covid-19, mesmo sem nenhum estudo que apontasse nesse sentido.

No total, o Ministério da Saúde distribuiu mais de 6 milhões de comprimidos de cloroquina e hidroxicloroquina.

Em janeiro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, começou a ser investigado por ter indicado o uso do medicamento para os pacientes com Covid-19.

Quando foi a Manaus, que estava com todos os leitos de UTI ocupados e com falta de oxigênio medicinal, Pazuello lançou um aplicativo que orientava os médicos a receitarem cloroquina para os infectados