Deputados criticam fechamento de fábricas da Ford no Brasil

Foto: divulgação

A multinacional norte-americana Ford, primeira montadora de veículos a se instalar no País, anunciou segunda-feira (11) que vai fechar suas fábricas no Brasil. A medida será responsável pelo corte de cinco mil postos de trabalho, enquanto o País vive uma situação recorde de desemprego.

Como resultado do encerramento da produção nas unidades de Camaçari (BA) e em Taubaté (SP), a empresa encerrará as vendas do EcoSport, Ka e T4 assim que terminarem os estoques.

Em comunicado, a montadora alegou que o encerramento da produção ocorre “à medida que a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”.

Logo após o anúncio da empresa, parlamentares da Bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados ocuparam suas redes sociais para lamentar a decisão e cobrar medidas em defesa dos trabalhadores atingidos. A líder do partido, deputada Perpétua Almeida (AC), apontou que o “Brasil vai se transformando num grande cemitério de vítimas da covid e também de empresas e empregos”.

“É urgentemente tirarmos o País dessa política genocida e, ao mesmo tempo, votar reforma tributária com redução da carga (de impostos), geração de emprego e renda e tributação dos milionários”, afirmou. A parlamentar ressaltou que, por incompetência do governo Bolsonaro, a falta de perspectiva com o Brasil vai afastando empresas e investidores.

Perpétua lembrou que, mesmo decidindo encerrar suas atividades por aqui, a Ford continua na Argentina, “a vizinha que Bolsonaro não perde a oportunidade de desqualificar”. “A crise econômica que tende a piorar em 2021, potencializada pelos efeitos da covid e negativa da vacina, são o maior desestímulo aos investimentos privados. Esse governo não é capaz de equacionar uma solução para o Brasil, capaz de retomar o desenvolvimento, os empregos e renda”, criticou.

O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) denunciou que a Bahia vai sofrer um “impacto brutal” com o fechamento da Ford no estado, pois “milhares de empregos diretos e indiretos podem ser perdidos”.

“Não podemos aceitar essa decisão unilateral! Precisamos lutar junto com trabalhadores, lideranças, todas as autoridades competentes para fazer a mobilização em favor da preservação de empregos, dos direitos e também de outras alternativas para diminuir os impactos gerados pelo fechamento da fábrica em Camaçari”, afirmou.

Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), com a economia minada sob o (des)governo de Bolsonaro, “a crise só tende a recair sobre os ombros dos mais pobres”.

Na mesma linha, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) comentou que o anúncio da Ford revela “o retrato de um país arruinado por um governo desastroso”. “O Brasil perdeu a credibilidade, todos sabem que enquanto Bolsonaro governar, não há chance de recuperação”, avaliou.

Trajetória

A Ford está no Brasil há mais de 100 anos. Foi a primeira montadora a se instalar no País, ainda em 1919.

A montadora americana já havia anunciado sua reestruturação na América do Sul e o marco mais simbólico desse plano foi o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo, o mais tradicional polo metalúrgico brasileiro.

A empresa disse que encerrará imediatamente a produção nas unidades de Camaçari e em Taubaté. Já a unidade que produzia o utilitário Troller, em Horizonte (CE), continuará operando até o quarto trimestre.

Seguem no Brasil a sede sul-americana da companhia, o centro de desenvolvimento de produtos que funciona na Bahia e o campo de testes em Tatuí (SP). Mas o brasileiro que quiser comprar carros da montadora será abastecido pelas unidades produzidas no Uruguai e na Argentina.

 

 

(PL)