Deputados condenam Bolsonaro por querer desobrigar uso de máscara

Em evento no Planalto, Bolsonaro anuncia pedido de estudo para desobrigar uso de máscara

(Crédito: Adriano Machado/Reuters)

O Brasil se aproxima das 500 mil mortes por Covid-19 e tem apenas 11% de sua população vacinada com a segunda dose da vacina contra o novo coronavírus, seguindo um ritmo lento de imunização. Ainda assim, Jair Bolsonaro afirmou, na quinta-feira (10), que solicitou ao ministro da Saúde um parecer para desobrigar o uso de máscara por quem já foi imunizado ou se infectou com o vírus.

Deputados do PCdoB condenaram a declaração do presidente da República e afirmaram que sua conduta negacionista continua pondo em risco a vida dos brasileiros.

Isso porque uma pessoa pode contrair e transmitir o vírus mesmo que esteja vacinada e sem sintomas. Como ainda há proporção da população vacinada no país ainda é baixa e a transmissibilidade é alta, o risco de alguém que tomou a vacina contrai-lo e transmiti-lo, mesmo sem ficar doente, para quem ainda não esteja protegido é bem grande.

“O presidente, que não é da área de saúde e não faz questão de se aconselhar com técnicos sérios e com expertise, “resolve” agora que o uso de máscaras deve ser abolido para quem já se vacinou ou já foi contaminado. Seria mais um passo para alcançar a meta de 1,4 milhão de mortos?!”, questionou a vice-líder do PCdoB na Câmara, deputada Professora Marcivânia (AP).

A deputada Alice Portugal (BA) afirmou que é “assustador” o que Bolsonaro propõe. “Máscara e vacina são as formas mais eficientes de controlar a pandemia e ele não defende nenhuma. Bolsonaro defende a morte. #bolsonarogenocida”, declarou a parlamentar.

O deputado Daniel Almeida (BA) afirmou que esta é “mais uma decisão do presidente que vai na contramão do mundo”. “Nesta crise sanitária autoridades do planeta recomendam o uso de máscara, dentre outras medidas, para conter o avanço da Covid. A atitude de Bolsonaro reafirma sua política negacionista e coloca milhares em risco de vida”, destacou.

Para a deputada Jandira Feghali (RJ), Bolsonaro “só pode estar planejando uma nova cepa”, em referência às mutações do vírus que podem acontecer.

A deputada Perpétua Almeida (AC) lembrou que nos Estados Unidos, por exemplo, só com quase 50% da população vacinada é que liberaram a retirada de máscaras em lugares abertos. “No Brasil, temos 11,06% da população vacinada com a segunda dose, mas Bolsonaro já quer eliminar o uso das máscaras”, criticou.

Em um vídeo postado pelo Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga, que até então tem defendido o uso de máscara, álcool em gel e o distanciamento social como medidas essenciais para diminuir o avanço da pandemia, afirma que o estudo sobre a “flexibilização do uso da máscara” foi encomendado.

Para o deputado Orlando Silva (SP), o ministro joga sua história no lixo “para atender os impulsos homicidas de Bolsonaro”. “Se Queiroga ceder à orientação assassina de Bolsonaro para desobrigar as máscaras, deve ser convocado pela terceira vez à CPI. Ficará provado que mentiu e que não trabalhando causa menos problemas ao país. Se editado, o decreto espalha vírus será revogado pelo Congresso”, disse.

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Por Christiane Peres, do PCdoB na Câmara