Cúpula do Clima: Flávio Dino lamenta esdrúxula diplomacia de Bolsonaro

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O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), comentou, em suas redes sociais, nesta quinta-feira (22), a vexatória participação de Jair Bolsonaro no primeiro dia da Cúpula do Clima.

Flávio Dino destacou que “o presidente brasileiro ficou no fim da fila dos líderes a discursar. E o presidente dos Estados Unidos não ficou para ouvir. Ou seja, a esdrúxula diplomacia do Brasil como ‘pária mundial’ foi bem-sucedida. Lamento muito. Haveremos de recuperar o nosso protagonismo global”.

O governador apontou ainda que “além de excessivamente genérico, o discurso de Bolsonaro tem um grave problema: é incoerente com a realidade. Faltam ações que dêem amparo às palavras. Basta ver a situação absurda do Fundo Amazônia, paralisado desde 2019”.

Flávio Dino colocou ainda que “os minutos que Bolsonaro usou na Cúpula de Líderes deviam ter sido destinados ao anúncio de medidas imediatas e a reforçar propostas concretas, a exemplo do mecanismo REDD+ [Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal], com garantia de recursos para comunidades tradicionais e povos originários. Além de um Green Deal brasileiro”.

Plano de Recuperação Verde

Ainda sobre a questão ambiental, em entrevista ao canal GloboNews nesta quarta-feira (21), o governador Flávio Dino falou sobre a carta, assinada por sete governadores da Amazônia Legal, dirigida à Cúpula do Clima, na qual apresentam o Plano de Recuperação Verde (PRV).

Conforme salienta o documento, “o PRV é um plano ousado e abrangente, mas realista e necessário aos desafios do Brasil e do mundo deste século. Sabemos que só poderá ser viabilizado com uma visão colaborativa e envolvendo uma coalizão de todos aqueles que reconhecem o papel da Amazônia na prestação de serviços ambientais e ecossistêmicos. Esse é o compromisso que nós, governadores da Amazônia Legal, reiteramos por ocasião da Cúpula de Líderes sobre o Clima”.

Na entrevista, o governador explicou que o PRV aponta um freio ao desmatamento, “mas também temas como produção sustentável, tecnologia verde, capacitação e também infraestrutura verde, ou seja, olhar pela sustentabilidade na sua dupla dimensão, que é umbilicalmente ligada: de um lado, a sustentabilidade ambiental, e de outro a sustentabilidade social. Portanto, olhando para os 30 milhões de brasileiros e brasileiras que moram na Amazônia para que o ideal de desenvolvimento econômico com a floresta em pé seja efetivamente possível”.

Flávio Dino destacou que os governadores estão lutando pela retomada do Fundo Amazônia, inclusive via ação junto ao STF. “Achamos que é inadmissível o Brasil ter, a estas alturas, aproximadamente R$ 2 bilhões disponíveis que não estão sendo utilizados e poderiam ser usados para pagar serviços ambientais e ecossistêmicos, apoiar as populações tradicionais no que se refere à infraestrutura, projetos de economia verde, de bioeconomia, e esse dinheiro está congelado”, salientou.

Além disso, colocou, “estamos também colocando o Consórcio da Amazônia à disposição porque temos um fundo próprio dos nove estados da Amazônia Legal” para que parcerias nacionais e internacionais sejam viabilizadas.

Flávio Dino colocou que os governadores respeitam a esfera federal e suas prerrogativas, “porém é evidente que um tema com a relevância da política ambiental para a vida, para o papel do Brasil no mundo, não pode ficar subalternizado a visões unilaterais que não expressam a nossa Constituição e os tratados internacionais aos quais o Brasil aderiu”.

Disse, ainda que “nós, governadores, temos o compromisso com o cumprimento dessas obrigações legais e, sobretudo, obrigação com o nosso povo. Essa diplomacia do ‘me dá um dinheiro aí’ não é correta porque avilta a imagem do Brasil em termos internacionais. É  quase como uma chantagem, ‘ou me dá dinheiro, ou não cumpro os meus deveres’. Isso é errado. A abordagem deve ser colaborativa; não pode ser intervencionista, ou seja, não aceitamos imposições ao Brasil”. E acrescentou: “Temos que cumprir nossas obrigações, sobretudo com a população brasileira, que precisa de segurança climática, social e econômica  e somente o desenvolvimento sustentável pode oferecer isso”.

 

Por Priscila Lobregatte
Com agências