Comunistas promovem debate sobre desemprego e defesa do IBGE

As deputadas comunistas Alice (na mesa) e Marcivânia (no telão) na audiência pública

Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) foi a responsável pelo debate sobre o aumento do desemprego no Brasil realizado nesta quinta-feira (17) na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara. Os ataques sofridos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão que afere a taxa de desocupação no país, também foram tema da audiência pública.

A parlamentar comunista destacou a necessidade de defender o IBGE para melhor entender o Brasil e desenvolver políticas públicas adequadas.

Um das preocupações de Alice diz respeito ao corte de 25% no orçamento do IBGE para a realização do Censo Brasil 2020.

“Com 2.200 pesquisadores, nós não vamos conseguir ter o Censo Brasil 2020 com o necessário primor técnico para termos o retrato do Brasil. Um país que não conhece seu presente, não conseguirá planejar o seu futuro. Essa audiência foi muito ilustrativa e precisaremos continuar debatendo como proteger o IBGE, para que dialogue com os órgãos internacionais e possa oferecer os dados reais aos institutos de pesquisas, ao Legislativo, pois somos usuários dos dados. Proteger este instituto é garantir que o Brasil se conheça melhor”, disse Alice.

Cimar Azeredo, diretor do IBGE, destacou que o órgão segue as recomendações de organismos internacionais, em especial a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com o intuito de garantir a comparabilidade com outros países. Ele afirmou que a taxa de desemprego caiu no país, mas que mais de 37 milhões de brasileiros trabalham na informalidade.

O técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clóvis Scherer, apontou dados preocupantes do desemprego e afirmou que o departamento defende a manutenção da metodologia utilizada pelo IBGE.

“O Brasil tem mais de 12 milhões de desempregados e estamos longe de uma recuperação significativa no país. A promessa da reforma trabalhista de gerar emprego não se cumpriu. O governo precisa criar políticas públicas para garantir a geração de emprego e renda”, afirmou.
Representante do Ministério da Economia, Matheus Stivali também falou do aumento da informalidade no Brasil, alegando que o trabalho informal seria “normal” para cenários de recuperação de crises. Ele reconheceu que a recuperação do país deveria estar mais rápida.

Hélio Gherardi, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), alertou para a crescente desigualdade social, que atribuiu ao aumento do desemprego. “Antes, discutíamos níveis de emprego no país, hoje discutimos taxas de desemprego. Desde que assumiu, o governo atendeu ao pedido das empresas e não entendeu que se o trabalhador não receber salários dignos, não irá poder comprar e consequentemente a indústria e o comércio vão reduzindo sensivelmente. A reforma trabalhista contribuiu com este atual cenário”, destacou.

Ao final da audiência, a presidente da Comissão de Trabalho, deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP), afirmou que o tema é de fundamental para o país e se comprometeu em ampliar o debate no colegiado.