A produção industrial nacional ficou estagnada em abril, com uma variação de apenas 0,1% na comparação com março, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (3). No ano, a indústria acumula queda de -3,4%.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) projeta que, diante da atual conjuntura de juros altos e o alto patamar da inflação, a indústria de transformação recue 1,2% este ano.

“Diante do quadro de forte aperto monetário implementado pelo Banco Central, com efeitos defasados, e dos custos elevados de produção que ainda pressionam a indústria, a Fiesp mantém expectativa de baixo dinamismo da atividade industrial nos próximos meses. Ademais, a forte contração de bens de capital, em linha com a redução dos investimentos no PIB do primeiro trimestre (FBCF: -3,5%), sinalizam uma antecipação dos agentes em relação ao desempenho mais fraco da economia na segunda metade do ano. Essa reversão é esperada, dado que o investimento é uma variável alicerçada nas expectativas, que é negativa por causa da alta dos juros. A projeção da Fiesp para a produção industrial em 2022 é de uma queda de 1,2%, que, se confirmada, será a sexta redução da indústria em um período de dez anos”, destacou a Fiesp no site.

Entre as grandes categorias econômicas, os maiores recuos foram observados nos setores produtores de bens de capital (-9,2%) e de bens de consumo duráveis (-5,5%), na passagem de março para abril.  Bens de consumo semi e não duráveis obtiveram alta de 2,3% e bens intermediários, 0,8%.

Em abril, o setor industrial ficou no vermelho em 10 das 26 atividades investigadas. Exerceram os principais impactos negativos: produtos alimentícios (-4,1%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,2%), máquinas e equipamentos (-3,4%), outros equipamentos de transporte (-8,4%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-3,6%), metalurgia (-1,2%), e produtos do fumo (-12,0%).

Diante de um cenário de estagflação, isso é, com economia estagnada e ao mesmo tempo sofrendo com o desemprego elevado e com altas generalizadas dos preços (inflação), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro variou apenas 1,0% no primeiro trimestre,  na comparação com o quarto trimestre do ano passado, segundo dados do IBGE.

Já impactada pelos seguidos aumentos da taxa básica de juros (Selic), hoje em 12,75% ao ano, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção civil, recuou -3,5% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao quarto trimestre do ano passado, e caiu -7,2% frente ao primeiro trimestre de 2021.