Bolsonaro descumpre promessa de atualização da tabela do IR 

Jair Bolsonaro (PL)

Foto: reprodução/vídeo

A cara de pau de Bolsonaro não tem limites mesmo. Após três anos e meio de governo sem cumprir a sua promessa de campanha, de que atualizaria a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física, ele agora, às vésperas das eleições, diz que vai reajustar a tabela caso seja reeleito.

“Havia compromisso nosso de mexer na tabela, sim, buscar uma atualização. Veio a pandemia, aí foi uma desgraça para a gente, assim como algumas coisas, não consegui botar para frente”, disse Bolsonaro em entrevista à Rádio Guaíba, prometendo mais uma vez que vai atualizar a tabela.

A promessa de Bolsonaro, feita em 2018, era que isentaria do IRPF todos os trabalhadores que ganhassem até 5 salários mínimos, depois passou a dizer que a isenção seria para quem ganhasse até R$ 3 mil e, depois, deixou a promessa de lado até agora, quando diante da grita geral, não podia mais correr do tema e, aí, nova demagogia: “já está conversado com o Paulo Guedes, vai ter atualização da tabela do Imposto de Renda para o próximo ano, está garantido já”, disse o mentiroso.

A questão é que, com o descaso do governo sobre o tema, e a alta acelerada da inflação, a defasagem da tabela do Imposto de Renda no governo Bolsonaro, até junho deste ano, já estava acumulada em 26,6%.

Isso significa que, sem correção da tabela de acordo com a inflação, e mantida a política de arrocho sobre o salário mínimo, a partir do próximo ano, aqueles que ganham acima de um salário mínimo e meio deverão pagar o imposto.

Já se tivesse havido a correção da tabela, segundo estudo divulgado pelo Sindisfisco Nacional, apenas pessoas que ganham acima de R$ 4.670,23 pagariam IR.

“Quando não temos a correção da tabela, o tributo acaba atingindo em cheio os mais pobres, que perderam seu poder de compra ao longo do período. Não corrigir a tabela é uma forma de aumentar o imposto para essa numerosa parcela da população que, além de arcarem com o IR, precisam também lidar com os tributos indiretos, que incidem sobre o consumo”, afirma o presidente do Sindifisco, Isac Falcão.