Bancada repudia nazismo; Jandira defende embargo de editais da Cultura

Jandira Feghali afirma que editais lançados por Alvim na quinta-feira (17) precisam ser embargados

Foto: Reprodução

Parlamentares da bancada do PCdoB na Câmara repudiaram na manhã desta sexta-feira (18) o vídeo publicado por Roberto Alvim como secretário de Cultura de Bolsonaro. No material que foi divulgado pelas redes da secretaria, Alvim copiou trecho e formato de discurso do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, para comentar o lançamento do Prêmio Nacional das Artes. Diante de pressões de setores políticos e sociais, foi demitido por Bolsonaro.

A líder da Minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), destacou que a exoneração não resolve o problema dos editais que, na avaliação dela, apontam para censura. Pelas redes sociais, ela defendeu o embargo.

“Os editais, como a política adotada por Alvim e autorizada por Bolsonaro, ferem o princípio da impessoalidade na gestão pública. Desta forma, não querem valorizar toda a Cultura popular e brasileira, rica e diversa, mas O QUE ELES ACHAM E DEFINIRÃO como Cultura”, questionou.

Mais cedo, Jandira já havia comentado o vídeo com conteúdo nazista.

“O sentimento gerado com o vídeo de Alvim é de asco. Percebe-se uma arrogância típica dos ignorantes autoritários. Quem disse a eles que a arte e cultura brasileiras começam com este Governo? Qm deu o direito de julgar qualidade e conteúdo das obras artísticas brasileiras?”, escreveu.

Márcio Jerry quer convocação

O deputado federal Márcio Jerry, vice-líder do PCdoB, anunciou nesta sexta-feira (17) que irá convocar Roberto Alvim para prestar esclarecimentos na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

“Vamos convocar Roberto Alvim tão logo retomemos os trabalhos da Câmara. Ele deve explicações ao Brasil! Ou Bolsonaro demite ele ou assume escancaradamente sua face nazista. Não há meio termo”, afirmou Jerry.

Essa não é a primeira vez que Jerry se posiciona contra o totalitarismo. Ele é responsável por protocolar o Projeto de Lei 1.798/2019, que pretende criminalizar “apologias ao retorno da ditadura militar” e a “pregação de novas rupturas institucionais no país”. O PL altera o Código Penal para “punir, com multa ou detenção, de três a seis meses, autores de declarações ou conclamações públicas que remetem a fatos criminosos, tortura ou que incentivam algum tipo golpe ou quebra do sistema político vigente”.

Opinião abjeta

Ao comentar a demissão do ex-auxiliar de Bolsonaro, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) questionou a posição do governo.

“Alvim não caiu pela opinião abjeta, que infelizmente encontra amparo nesse desgoverno. Caiu por expressá-la”, afirmou o parlamentar.

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC), ressaltou que apologia ao nazismo é crime e que o ex-secretário deve responder na Justiça.

Na opinião dela, a apologia ao nazismo e a Hitler representam também desrespeito aos brasileiros que o combateram na II Guerra Mundial – seja no front, seja nos esforços para produção da borracha.

O líder dos comunistas na Câmara, Daniel Almeida, defendeu a exoneração como modo de defender a democracia.