Charge: Aroeira, 2020

Eleito na cavalgada bolsonarista de 2018, o oportunista e “outsider” Wilson Witzel acaba de levar mais um “tiro na cabecinha”. O Tribunal Especial Misto, responsável por analisar o processo de impeachment do governador do Rio de Janeiro, decidiu finalmente despejá-lo do luxuoso Palácio Laranjeiras.

Por Altamiro Borges*

Segundo a agência Estadão, “o governador afastado terá de deixar o Palácio Laranjeiras, em Laranjeiras, na zona sul, que é a sede oficial do governo e onde Witzel mora com a mulher e três filhos. A ordem para que deixe o imóvel foi decidida nesta quinta-feira”. O defenestrado tem 15 dias para cumprir a decisão.

O Tribunal Especial Misto, composto por cinco deputados estaduais e cinco desembargadores, também aprovou por unanimidade (dez votos a zero) o prosseguimento do processo que pode resultar na cassação definitiva do governador afastado do Rio de Janeiro.

A votação da desocupação

Ao contrário da decisão sobre o prosseguimento do processo de impeachment, a votação sobre a desocupação do Palácio Laranjeiras não foi unânime: seis integrantes do Tribunal Especial votaram pela saída de Wilson Witzel e quatro defenderam que ele, a mulher e os filhos pudessem permanecer no imóvel.

Votaram pelo despejo imediato os deputados Waldeck Carneiro (PT), Dani Monteiro (PSOL) e Carlos Macedo (Republicanos) e os desembargadores José Maldonado, Teresa Neves e Inês Chaves. Votaram contra os deputados Chico Machado (PSD) e Alexandre Freitas (Novo) e os desembargadores Fernando Foch e Maria Mello.

Diante dessas decisões, o ex-valentão Wilson Witzel apelou: “Nem mesmo Jesus Cristo teve um julgamento justo, mas cumpriu seu propósito. Não tenho dúvida de que a verdade prevalecerá. Infelizmente, a política tem usado o impeachment para afastar aqueles que não conseguem derrotar nas urnas”.

Como lembra o Estadão, Witzel foi afastado do cargo em agosto por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O falso moralista é acusado de comandar uma organização criminosa em plena pandemia da Covid-19. Segundo a Procuradoria, ele teria recebido, junto com o Pastor Everaldo (PSC), R$ 50 milhões em propina.

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Altamiro Borges* é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e membro do Comitê Central do PCdoB.

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