Durante a convenção, o secretário de Organização do PCdoB, Altair Freitas, fez a leitura do manifesto. Foto: Cezar Xavier

A Convenção Nacional do PCdoB aprovou nesta quinta-feira (30) um manifesto que oficializa o apoio à chapa Lula-Alckmin e apresenta as diretrizes políticas da legenda para as eleições de 2026. Sob o lema “Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho”, o documento sustenta que o próximo mandato deve inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento, superando a etapa de reconstrução iniciada após o governo anterior.

O texto afirma que o crescimento econômico deve estar associado à geração de empregos qualificados, à valorização dos salários e ao fortalecimento dos serviços públicos. Para o partido, a reindustrialização baseada em ciência, inovação e novas tecnologias é condição indispensável para reduzir desigualdades, agregar valor às riquezas nacionais e garantir soberania em áreas estratégicas, como transição energética, economia digital e minerais críticos.

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O manifesto também defende um Estado forte, capaz de planejar investimentos, coordenar políticas públicas e induzir o desenvolvimento. O documento critica a predominância do rentismo, dos juros elevados e das políticas de austeridade, propondo reformas econômicas, tributárias e institucionais voltadas ao fortalecimento da produção e do mercado interno.

Na avaliação do PCdoB, a eleição de 2026 representa uma disputa entre projetos de país. De um lado, afirma o texto, estão forças identificadas com a extrema direita e o neoliberalismo; de outro, uma frente democrática comprometida com soberania, desenvolvimento, inclusão social e uma ordem internacional multipolar. O partido conclama a mobilização popular pela reeleição de Lula e pela ampliação de sua representação no Congresso como condição para viabilizar as mudanças defendidas no documento.

Leia a íntegra do manifesto:

PCdoB com Lula e Alckmin 

Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho

O Brasil sempre foi maior do que os obstáculos que tentaram impor ao nosso povo. Foi assim quando conquistamos a democracia, enfrentamos a fome, ampliamos direitos, valorizamos o trabalho e fizemos milhões de brasileiros acreditarem novamente no futuro.

Agora chegou o momento de dar um passo adiante, de romper com as amarras do atraso e ir além da reconstrução do que foi destruído, empreendida com sucesso pelo atual governo do Presidente Lula. É preciso abrir um novo ciclo de desenvolvimento soberano capaz de transformar profundamente o país e assim também transformar a vida do nosso povo. É para cumprir essa missão que o Partido Comunista do Brasil compõe a frente democrática e popular por um novo mandato para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula é o líder necessário que detém a experiência e a liderança nacional, o respeito internacional e o compromisso social para conduzir essa transição. 

O PCdoB conclama a sociedade brasileira para participar desse processo. O desafio é simples de compreender e grandioso de realizar: adotar um caminho próprio para um salto civilizacional que nos torne uma nação soberana, forte e influente, mais desenvolvida e, sobretudo, mais próspera e justa para nossa gente.

O caminho para isso está apontado no Plano de Governo Participativo da campanha de Lula, com a contribuição do PCdoB (PCdoB lança contribuições ao programa da campanha de Lula à presidência). Esse Plano expressa a confiança que temos de que a nova vitória em outubro pode realizar tais objetivos. 

Alicerçados no apoio e na mobilização popular e com direção estratégica do novo governo construiremos um país com uma verdadeira mobilidade social ascendente, em que o crescimento econômico valorize o trabalho com empregos de qualidade em larga escala e salários melhores, a educação pública de excelência seja prioridade permanente, onde a defesa da vida tenha no SUS fortalecido um fator decisivo, garantindo o direito à saúde acessível e sem filas de espera, com cidades mais humanas e segurança para viver, com oportunidades para a juventude e dignidade para quem envelhece, onde a cultura ocupe seu lugar na consolidação de nossa nacionalidade e a ciência seja reconhecida como patrimônio estratégico do nosso povo.

Neste país a riqueza produzida precisa estar a serviço de elevar o bem-estar do nosso povo, assegurar amplos direitos sociais e civis a mulheres e homens, independentes de cor da pele, de gênero, de orientação sexual e opção religiosa.

Para isso, é preciso realizar uma grande e intensiva etapa de industrialização em novas bases tecnológicas. Nenhuma nação alcançou alto nível de desenvolvimento e de qualidade de vida abrindo mão das suas indústrias, capacidade científica e soberania. Uma indústria moderna, inovadora, digital, ambientalmente sustentável, integrada à revolução científica e tecnológica do nosso tempo e voltada à superação dos grandes desafios nacionais é imprescindível para garantir nossa soberania e superar a elevada desigualdade social que marca nossa história.

Tal desafio nos exige dominar tecnologias estratégicas, ampliar os investimentos em pesquisa, inovação, educação e saúde, agregar valor às nossas riquezas naturais e criar milhões de empregos qualificados com melhores salários para as próximas gerações, elaborar marcos regulatórios soberanos para a transição digital, energética, exploração da cadeia das terras raras e enfrentamento das mudanças climáticas. Esse é o caminho para romper os limites do atual modelo de décadas de baixo crescimento e desigualdade.

O povo brasileiro quer e merece mais! O Brasil tem pressa. Isso requer mudanças para superar o desalento e o rebaixamento cultural imposto pelas forças dominantes. E temos todas as condições para isso, proporcionando cidadania plena a milhões de pessoas excluídas. 

Somos uma potência agrícola, energética, mineral, científica, ambiental e cultural. Possuímos um dos maiores mercados internos do planeta. Dispomos de universidades, institutos de pesquisa, trabalhadores qualificados e uma juventude criativa. Precisamos de decisão política e de um plano nacional de desenvolvimento para colocar nossas capacidades em movimento.

Esse projeto exige um Estado forte, democrático e eficiente. Capaz de planejar o futuro, induzir e coordenar investimentos públicos e privados, fortalecer a infraestrutura, impulsionar a inovação, apoiar quem produz, garantir serviços públicos de excelência e reduzir as carências regionais e sociais que ainda dividem nosso país. A política econômica deve servir às pessoas, e não submeter a sociedade aos interesses do capital financeiro e dos rentistas. O Estado e seu orçamento devem contemplar quem trabalha e produz.

São objetivos que exigem colocar em marcha um plano de desenvolvimento com metas nítidas e coordenação de todo o governo. Nossa soberania começa pela capacidade de defesa nacional, de produzir conhecimento, energia, alimentos, tecnologia, medicamentos e soluções para nossos próprios desafios. Soberania também se conquista quando o Brasil atua no mundo com independência, cooperação, parcerias e alianças condizentes aos seus interesses, defesa da paz e compromisso com um desenvolvimento sustentável, solidário e multipolar.

Mas nenhuma dessas transformações acontecerá espontaneamente. Aqueles que lucram com o atraso continuarão defendendo um país dependente, desindustrializado, desigual e subordinado aos privilégios de poucos e das grandes potências estrangeiras. Suas armas são a imposição de juros altos e austeridade fiscal para assegurar extraordinários rendimentos financeiros, próprias do sacrossanto receituário neoliberal.

Por isso, o desafio de nosso tempo é construir uma nova mobilização política, social e cultural para abrir caminho para a transformação!

É preciso uma nova maioria na sociedade e no parlamento formada por trabalhadores e trabalhadoras, pela juventude, pela comunidade científica, pelos setores produtivos, pelos sindicatos e movimentos sociais, pela cultura, pelos empresários comprometidos com o desenvolvimento nacional e por todos aqueles que acreditam na democracia e na soberania.

Uma maioria capaz de colocar os interesses nacionais e populares acima dos lucros do rentismo, da atual composição do Congresso Nacional, do atraso e da intolerância. Maioria para produzir mudanças com reformas estruturais no país, no campo político e institucional, da política econômica, macroeconômica e tributária.

Nesse sentido, as eleições de 2026 serão uma escolha entre dois projetos de país.

De um lado, a extrema direita e os setores que apostam na divisão do povo, no negacionismo, na violência política, na destruição de direitos e na submissão do país aos interesses estrangeiros. Aqueles que querem destruir a democracia e atar o Brasil a reboque dos interesses dos países imperialistas.

De outro, estamos com Lula para inaugurar um novo ciclo histórico de desenvolvimento soberano, democrático e inclusivo por uma vida melhor para os brasileiros e brasileiras. Aqueles que situam o nosso país em alianças internacionais em prol do seu Projeto Nacional e por uma ordem mundial mais justa e democrática.

É essa escolha que está diante de nós. É esse o chamado que o PCdoB faz à sociedade brasileira. Avançar na elaboração de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para fazer do Brasil uma nação que transforme as riquezas em prosperidade compartilhada, crescimento econômico em oportunidades e desenvolvimento em qualidade de vida.

O futuro não será obra do acaso. Será resultado da vontade organizada de um povo que decide acreditar novamente em si mesmo. Envolve estimular uma consciência nacional vocacionada a um país plenamente desenvolvido e senhor do seu destino. Para os comunistas, essas conquistas que as forças progressistas são chamadas a realizar nesse futuro imediato desbravam caminho e acumulam forças para a jornada de lutas pelo socialismo em nossa pátria.    

É tempo de dar um passo adiante e fazer do próximo governo Lula o vetor de referência e mobilizador do país, com rumos soberanos para uma arrancada do desenvolvimento, na busca da construção de uma grande nação, para uma vida melhor a todos os brasileiros e brasileiras.

Nós brasileiros e brasileiras, temos, nesta hora, o privilégio e a responsabilidade de sermos decisivos para assegurarmos a reeleição do presidente Lula, condição imperativa para o futuro promissor que almejamos. Igualmente, nosso voto e nossa mobilização são imprescindíveis para que tenhamos uma forte bancada de parlamentares no Congresso Nacional sem a qual é impossível a realização das mudanças. Venham e juntem-se à campanha eleitoral alegre, criativa e combativa do PCdoB, pela vitória de Lula, pela eleição de deputados/as de nossa legenda e também de deputados/as estaduais, além de nossos aliados.

Brasília, 30 de julho de 2026

Documento aprovado pela Convenção Eleitoral Nacional

do Partido Comunista do Brasil-PCdoB