Fórum da Juventude do PCdoB debate eleições e Congresso da UJS
A Secretaria Nacional de Juventude do PCdoB realizou nesta segunda-feira, 11, a primeira edição de 2026 do Fórum de Secretários Estaduais de Juventude do Partido, reunindo dirigentes de todas as regiões do Brasil para debater os desafios políticos do próximo período, com foco na disputa eleitoral de 2026, no fortalecimento do trabalho de base e na atuação política dos jovens comunistas nos estados.
A reunião partiu da avaliação de que o Brasil atravessa um período decisivo da luta política, marcado pela crise estrutural do capitalismo contemporâneo, pelo avanço da extrema direita em escala internacional e nacional e pela reorganização geopolítica em curso, com o fortalecimento do BRICS, da China e das articulações do Sul Global.
Os dirigentes destacaram que o bolsonarismo consolidou forte presença institucional, influência nas redes digitais e capacidade de mobilização social, especialmente junto à juventude, o que exige maior presença política do Partido nas escolas, universidades, territórios, movimentos culturais e redes sociais.
Na abertura da reunião, o secretário nacional de Juventude do PCdoB, Gustavo Petta, destacou que as eleições de 2026 terão caráter decisivo para o futuro político do país.
“Nós estamos diante de uma encruzilhada novamente. Ou continuamos avançando sob a liderança do presidente Lula e do campo democrático, ou viveremos um enorme retrocesso social, político e democrático com o fortalecimento da extrema direita. Por isso, a juventude precisa compreender a dimensão estratégica dessa disputa”, afirmou.
O dirigente ressaltou ainda que a prioridade política do Partido é contribuir para a reeleição do presidente Lula e ampliar a bancada comunista na Câmara Federal e nas assembleias legislativas estaduais.
“Precisamos acumular organização social, formulação política e presença concreta junto à juventude trabalhadora, nas escolas, universidades e territórios. O Congresso da UJS e os cursinhos populares precisam estar conectados à luta política real e ao fortalecimento das nossas candidaturas”, afirmou.
Em outro momento da reunião, Gustavo Petta também chamou atenção para a importância de construir unidade política em torno do projeto eleitoral do Partido nos estados.
“Os nossos jovens devem seguir a orientação das direções estaduais do Partido e fortalecer as candidaturas do PCdoB. Precisamos compreender que essa batalha eleitoral não é apenas institucional. Ela faz parte da disputa estratégica pelo futuro do Brasil e pela derrota da extrema direita”, declarou.
Durante o encontro, os secretários estaduais defenderam a construção de uma plataforma política de juventude articulada ao debate das reformas estruturais democráticas, indispensáveis ao desenvolvimento soberano e à luta pelo socialismo defendido pelo PCdoB. Entre os temas apontados como prioritários estavam trabalho digno, combate à precarização, acesso à universidade, soberania digital, ciência e tecnologia, democratização das redes, cultura, transporte público, reforma urbana e desenvolvimento sustentável.
Outro eixo central do Fórum foi o Seminário Nacional de Educação Popular convocado pelo PCdoB, que acontecerá entre os dias 29 e 31 de maio, em São Paulo presencialmente e em formato híbrido. A atividade reunirá dirigentes, educadores populares e militantes envolvidos na Rede Ocupa, experiência nacional de cursinhos populares construída pelos jovens comunistas em diferentes estados do país.
O secretário nacional adjunto de Juventude do PCdoB, Rafael Leal, destacou que os cursinhos populares devem ser compreendidos como espaços permanentes de organização territorial e formação política.
“A experiência dos cursinhos populares mostrou que é possível construir uma relação muito mais profunda com a juventude e com as comunidades. O cursinho não pode ser apenas preparação para a prova. Ele precisa ser espaço de organização popular, acolhimento, formação crítica e trabalho comunitário”, afirmou.
Segundo Rafael, a Rede Ocupa já reúne cerca de 130 turmas em quase 20 estados brasileiros, articulando juventude, professores, movimentos sociais e comunidades.
Também foi apresentado o processo de preparação do Congresso Nacional da UJS, que ocorrerá entre os dias 2 e 5 de julho, na cidade do Rio de Janeiro, com o tema “O futuro é agora: por um Brasil de esperança e socialista”.
A presidenta nacional da UJS, Rafaela Alves, a Rafinha, afirmou que o congresso será um momento estratégico de fortalecimento político e organizativo da juventude socialista brasileira.
“Nós queremos que esse congresso seja muito mais do que uma etapa organizativa. Ele precisa ser uma grande jornada de mobilização política, fortalecimento das nossas estruturas e diálogo com os desafios reais da juventude brasileira”, afirmou.
Segundo Rafinha, o tema escolhido busca responder ao sentimento de insegurança social e ausência de perspectivas vivido por parte da juventude brasileira.
“Escolhemos o lema ‘O futuro é agora: por um Brasil de esperança e socialista’ porque existe hoje uma juventude que quer enxergar perspectiva, alternativa e transformação social. Precisamos apresentar um projeto de país capaz de dialogar com esse sentimento”, disse.
Na sequência do debate sobre o Congresso da UJS, Rafael Leal ressaltou que os processos congressuais da juventude precisam estar ligados às lutas concretas da juventude brasileira.
“A gente precisa fazer o Congresso da UJS no curso da luta política. Onde houver mobilização estudantil, luta nas universidades, campanha contra a extrema direita ou organização popular, a juventude comunista precisa estar presente. É isso que vai fortalecer nossa organização e nosso projeto político”, declarou.
A maior parte dos secretários estaduais presentes realizou intervenções sobre os temas debatidos, apresentando experiências dos estados, avaliações sobre a conjuntura política e contribuições sobre eleições, educação popular e organização da juventude. O Fórum foi marcado por ampla convergência política em torno da necessidade de fortalecer a atuação dos jovens comunistas na disputa ideológica e na luta eleitoral do próximo período.
Também foram apresentados informes sobre a campanha “Com Cuba Sempre” e sobre a reorganização do Coletivo Nacional de Cultura do Partido.
Sobre a campanha “Com Cuba Sempre”, o informe destacou a necessidade de ampliar o enraizamento político da solidariedade a Cuba nos estados, fortalecendo a presença da campanha nas escolas, universidades, entidades estudantis, movimentos culturais e redes sociais.
A avaliação debatida no Fórum apontou que, após um primeiro momento de forte mobilização nacional, a campanha precisa agora ampliar sua presença territorial e fortalecer a participação das direções estaduais, das entidades estudantis e da juventude organizada.
Entre as orientações apresentadas estiveram a realização de campanhas de arrecadação de alimentos, medicamentos e recursos financeiros, a promoção de debates e atividades formativas sobre o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, além da ampliação da disputa de narrativas nas redes sociais.
Também foi destacada a importância de utilizar os materiais visuais produzidos pelas entidades nacionais e aproveitar os 100 anos de nascimento de Fidel Castro como oportunidade para fortalecer atividades de solidariedade internacionalista junto à juventude brasileira.
Na área da cultura, o informe apresentado destacou que a reunião do Coletivo Nacional de Cultura do PCdoB marcou uma nova etapa de reorganização cultural do Partido em âmbito nacional.
O debate apontou a necessidade de estruturar melhor os fluxos de articulação política, formação, comunicação e formulação programática no campo cultural, compreendendo a cultura como espaço estratégico da disputa ideológica contemporânea.
Entre os encaminhamentos discutidos está a construção de ciclos de formação política na área cultural e a realização de um seminário nacional híbrido, com sede em Brasília, voltado à elaboração de propostas para o programa de governo no campo da cultura.
A iniciativa deve reunir gestores, trabalhadores da cultura, artistas, pesquisadores, intelectuais e militantes de diferentes estados.
O informe ressaltou ainda o papel estratégico da cultura na disputa junto à juventude brasileira, especialmente nas redes sociais, na música, no audiovisual, no comportamento e na formação de imaginário social.
Também foram destacadas experiências históricas do movimento estudantil, como as Bienais da UNE e o Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA), além do fortalecimento das casas de cultura e memória ligadas ao Partido, tomando como referência experiências como a Casa Augusto Buonicore, em Campinas.
Como encaminhamento político, o Fórum convocou os estados para a realização de potentes congressos estaduais da UJS, para a participação ativa no Seminário Nacional de Educação Popular do PCdoB e para que os jovens comunistas entrem “de cabeça” na campanha eleitoral de 2026, contribuindo para a reeleição do presidente Lula e para a eleição de deputados federais e estaduais ligados à juventude e comprometidos com um projeto democrático, popular e soberano para o Brasil.




