Nádia Campeão no 15° Congresso do PCdoB. Foto: Richard Silva

A conjuntura política, as eleições deste ano, o projeto e a visão do PCdoB foram temas do podcast “Brasil de Fato Entrevista” com a presidenta em exercício do Partido, Nádia Campeão. No programa, ela defendeu que os comunistas estão empenhados em construir uma ampla frente política eleitoral para garantir a reeleição do presidente Lula, fator decisivo neste ano. A entrevista foi conduzida pelo jornalista Igor Carvalho (confira o vídeo abaixo).

Ao tratar da atuação do partido, Nádia destacou: “Fazemos parte da frente popular, democrática e progressista do país. E estamos presentes no imenso conjunto das lutas sociais do povo brasileiro, em especial na luta contra a extrema-direita, que cresce em todo o mundo e também no Brasil. E em especial nesse último período, atuamos com mais força na frente anti-imperialista, em defesa da paz, fazendo frente às terríveis agressões perpetradas pelo imperialismo estadunidense”.

Nádia também reforçou a expressividade do partido no Legislativo e no Executivo federais: na Câmara, a bancada comunista conta com onze deputados (dois quais cinco são mulheres), além de atuar no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação com a presidenta licenciada do Partido, Luciana Santos.

“O PCdoB tem uma atuação muito diversificada no cenário nacional, e agora, especificamente neste momento, estamos buscando construir e participar uma frente política eleitoral importante para garantir a reeleição do presidente Lula. Isso é decisivo para 2026. O PCdoB está muito focado nessa disputa, mas nunca esquecendo desse conjunto de lutas que a gente precisa travar”.

Questionada sobre a renovação do partido ao longo de seus 104 anos de existência, a dirigente argumentou que a explicação está em combinar a fidelidade aos princípios fundamentais do partido — como a luta anticapitalista e o compromisso com o socialismo — com uma leitura adequada da atualidade.
“Nós fomos interpretando os desafios do Brasil sempre de uma forma muito criativa e acompanhando a evolução da luta política, sempre compatibilizando com esses fundamentos maiores, mas sem nunca abrir mão deles”, explica.

Contexto atual

Nádia Campeão também abordou a luta pelo socialismo considerando o atual contexto internacional e nacional. “A questão principal hoje é que o capitalismo está demonstrando o seu esgotamento; ele não corresponde ao que a humanidade precisa e não apresenta perspectivas de futuro. Hoje, o capitalismo é crise, guerra, desemprego e fome. Ou seja, fica cada vez mais clara a necessidade da superação desse sistema”.

No âmbito nacional, disse que “dificilmente o Brasil conseguirá superar seus problemas estruturais nas condições do capitalismo de hoje. Então, acredito que a questão do socialismo também está colocada no Brasil. Quanto mais um governo progressista, popular, que defenda a soberania, avançar no Brasil, mais perto nós ficamos de uma perspectiva mais avançada de sociedade”.

Nádia disse, ainda, que “o anticomunismo continua muito forte e isso nos afeta sempre. Mas, seguimos disputando a eleição com a nossa legenda, com os nossos candidatos e enfrentando uma legislação que é muito restritiva. A exigência da cláusula de barreira e o impedimento de coligações proporcionais, por exemplo, são mecanismos criados para impedir que partidos ideológicos avancem”.

Ao mesmo tempo, destacou: “estamos convictos de que tem muito espaço para o Partido Comunista crescer no movimento popular democrático, progressista e na esquerda brasileira e de o partido tem um papel para além do seu tamanho. Acho que o PCdoB tem um papel central na luta de ideias, nas bandeiras que defende e, inclusive, na constituição desse bloco de esquerda e do campo progressista. Nós precisamos nos unir, precisamos ter um programa comum. Da nossa unidade depende o que será do Brasil no futuro”.

Nádia também falou sobre as dificuldades enfrentadas pelo atual governo no Congresso Nacional. “Nós não temos maioria no Senado e nem na Câmara. Então, para governar é preciso fazer entendimentos e acordos. É claro que pode-se discutir até que ponto determinados entendimentos funcionaram ou não. Nós, por exemplo, somos bem críticos à questão das emendas impositivas, do sequestro do orçamento público pelo Congresso Nacional — isso precisa mudar. Mas, de todo modo, um governo de frente precisa buscar entendimentos e achamos que isso é compreensível”.

Eleições e frente ampla

Para esta próxima eleição, disse Nádia, “continua a exigência de formarmos uma frente ainda mais ampla, porque o lado da direita e da extrema direita está fortalecido; será uma eleição equilibrada e nós precisamos diminuir o máximo possível as forças que que se aglutinam do lado de lá. Acho que disputar setores do centro e centro-direita continua sendo muito importante.”

Ao abordar o projeto do PCdoB para a disputa deste ano, declarou que a expectativa é “manter a bancada de 11 e ampliar um pouco mais”. Ao todo, a dirigente informou que o partido deverá lançar cerca de 80 candidatos a deputado federal e de 300 para estadual, além de apoiar candidaturas majoritárias pelo país.

Nádia também pontuou que a bancada da Federação Brasil da Esperança (PCdoB-PT-PV) deve aumentar, uma vez que seus parlamentares tiveram maior possibilidade de atuar em consonância com o governo federal sob o presidente Lula. Mas, enfatizou, “não acredito que haja uma mudança total na atual correlação de forças entre o campo da esquerda, a extrema direita e o campo do centro”.

Ao tratar desse aspecto, ponderou que “estamos vivendo uma disputa muito acirrada que vem desde que o presidente Lula assumiu a presidência da República. Enfrentamos uma tentativa de golpe logo após sua posse e de lá para cá, não tivemos refresco. Nós lutamos para defender a democracia, para reconstruir as políticas públicas e parte do Estado brasileiro que tinha sido destruída, mas sempre sob pressão da extrema direita, do grande capital, do setor financeiro, da grande mídia e do Congresso Nacional, que nos é francamente desfavorável”.

Candidatura oca

Sobre o principal nome da extrema direita para a disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Nádia classificou a candidatura como “oca” e acrescentou: “Ele é uma pessoa que carrega a feição do traidor da pátria e tem ligação com os milicianos do Rio de Janeiro, além de não ter bagagem nenhuma para querer presidir o Brasil”, além de carregar a alta rejeição de seu pai, Jair Bolsonaro (PL) e não inspirar “nenhuma credibilidade”.

Por isso, analisa que quando a campanha começar abertamente, ficará clara a diferença de estatura entre Flávio e o presidente Lula, “o melhor candidato para enfrentar os problemas que ainda persistem no País”.