(Fotos: Richard Silva/PCdoB na Câmara)

Vice-líder do governo no Congresso, o deputado federal reeleito Daniel Almeida (PCdoB-BA) diz que a reeleição do presidente Lula se deve ao amplo apoio da população brasileira à defesa da democracia, direitos do povo e da soberania do país.

“Só foi possível fazer essa virada e a vitória em função de Lula ter tido a capacidade de aglutinar as mais amplas forças políticas e a energia cívica, o levante cívico que o povo brasileiro produziu no segundo turno, assumindo a defesa da nação, da soberania, da democracia e dos direitos do nosso povo”, avalia o parlamentar.

Daniel também destaca o papel da juventude nas grandes manifestações e os idosos que foram às urnas no segundo turno.

O deputado diz que a principal batalha no Congresso para a próxima legislatura é isolar a extrema direita e fazer a mediação com os partidos de centro para garantir a governabilidade e encaminhar as pautas importantes dos direitos dos trabalhadores e da defesa do desenvolvimento nacional.

Além disso, o deputado destacou a importância de uma reforma política, porque o atual modelo, com forte presença do poder econômico, está esgotado.

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“A gente deve fazer isso regulamentando também as plataformas digitais que têm utilizado essa estrutura para semear ódio e fake news”, diz.

Além dele, o PCdoB na Bahia reelegeu Alice Portugal, e elegeu Olívia Santana para a Câmara dos Deputados.

O parlamentar, que é presidente do Grupo Parlamentar Brasil-China, concedeu entrevista para avaliar o atual cenário político nacional e internacional:

Qual a sua avaliação sobre o processo eleitoral e a vitória histórica do presidente Lula?

Em primeiro lugar, agradecer aos baianos por mais um mandato, o sétimo para representar os baianos no Congresso Nacional. Segundo, foi uma eleição difícil, dura, a presença do poder econômico funcionou de forma muito forte na disputa, especialmente para deputados. A vitória histórica de Lula é efetivamente um fato inusitado, especialmente pelo que se deu no segundo turno. Esperávamos a vitória, sabíamos que seria uma eleição, mais uma vez, polarizada entre um projeto de nação, de um líder político que respeita às instituições, a democracia vinculada ao povo brasileiro, e o clã de uma família vinculada ao pior na vida política no mundo e no Brasil, a extrema direita, articulada ao crime organizado, à milícia, etc. Só foi possível fazer essa virada e a vitória em função de Lula ter tido a capacidade de aglutinar as mais amplas forças políticas e a energia cívica, o levante cívico que o povo brasileiro produziu no segundo turno, assumindo a defesa da nação, da soberania, da democracia e dos direitos do nosso povo.

O que contribuiu para a redução da abstenção e ampliação de votos na Bahia em favor do presidente?

A Bahia sempre deu uma votação expressiva para Lula em todas as eleições. Na eleição de 2022, foram aproximadamente 4 milhões de votos na frente do concorrente. Agora, no primeiro turno, houve uma distensão elevada e, no segundo turno, a mobilização do governador, que já tinha sido eleito no primeiro turno, a presença ativa dos prefeitos que buscaram cada eleitor que não compareceu no primeiro turno. Essa mobilização cívica, vinda dos estudantes, das pessoas mais idosas, estimulou esta mobilização e a presença expressiva do eleitor no segundo turno. Destaca-se a participação em Salvador, que é tido como reduto do Carlismo, que aderiu à candidatura de Flávio Bolsonaro e, no segundo turno, o Lula alcançou 73% dos votos válidos. Portanto, foi um conjunto de fatores que levou a essa mobilização e a diminuição da abstenção, proporcionando, mais uma vez, uma diferença de votos em favor do presidente Lula no patamar de 4 milhões de votos.

Quais as principais demandas do estado para o quarto governo de Lula?

A Bahia continua com a sua contribuição histórica, com uma boa parceria com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), pela primeira vez tem dois senadores do PT, portanto vinculado à esquerda, com uma identidade de projeto e de compromisso com o presidente Lula, portanto o grupo político da Bahia saiu mais fortalecido. As demandas para a Bahia são, de forma muito especial, na área de infraestrutura, além de manter os programas sociais que garantem muitos investimentos e um dinamismo para a economia da Bahia, a presença do Bolsa Família, apoio à agricultura familiar, Minha Casa Minha Vida, Pé-de-Meia, todos esses programas sociais têm um impacto muito forte no estado da Bahia.

Além disso, penso que o principal desafio é dar um salto na infraestrutura para a mobilidade na Bahia, não só concluir o VLT em Salvador, mas também a extensão do metrô, fazer a ponte Salvador e Itaparica, fazer a duplicação das BR-101 e BR-116, que tem ainda trechos expressivos na Bahia, sem a duplicação. Então eu penso que essas são obras muito importantes, além da transposição das águas do São Francisco, que já foram feitos os canais de transposição para o Leste e para o Norte, chegando até o Ceará, à Lagoa, a Sergipe e à Bahia ainda não houve uma evolução do chamado Eixo-Sul, de transposição de água do São Francisco, portanto, o grande desafio é fazer esses investimentos estruturantes.

Na sua avaliação quais serão os principais desafios do governo Lula 4 no parlamento?

Não será fácil. Só uma liderança como o Lula será capaz de mediar a composição de um Congresso predominantemente de extrema direita com um centro no papel ainda bastante relevante. Então, qual é o esforço? É de diminuir o espaço da extrema direita, isolar, se possível. Fazer mediação com o centro para que ele possa se associar a pautas mais relevantes de defesa dos direitos dos trabalhadores, do desenvolvimento nacional, da soberania e da democracia. Também avançar em algumas reformas.

A reforma política, que acho muito importante, porque o atual modelo, com forte presença do poder econômico, está esgotado. A gente deve fazer isso regulamentando também as plataformas digitais que têm utilizado essa estrutura para semear ódio, fake news, etc. E também cuidar de melhorar o pacto federativo, estabelecendo com mais clareza o espaço de cada um dos poderes, de forma muito especial o poder judiciário, que também precisa passar por reformas. Ao mesmo tempo, fazer a regulamentação e a implementação das medidas em torno da reforma tributária. Foi feita a reforma tributária, mas tem um grande desafio de fazê-la funcionar nesses próximos quatro anos.

 Como presidente do grupo parlamentar Brasil-China, qual a sua avaliação sobre a fala de Xi Jinping nas parabenizações a Lula?

A China é um grande parceiro comercial do Brasil. A identidade do governo chinês com o governo brasileiro, o Xi Jinping com o Lula, é inquestionável e com muitos pontos de vista em comum. Foi isso que Xi Jinping expressou na saudação a Lula pela sua vitória. Construir um mundo multipolar, respeitar a determinação dos povos, construir o que ele chama de comunidade de destino compartilhado, essa sinergia entre Brasil e China, aproximando os povos, combinando como tratar o desenvolvimento tecnológico, energia verde, renovação energética, de forma muito especial, estabelecer uma parceria comercial mais equilibrada entre China e Brasil com transferência de tecnologia.

Acho que já demos os primeiros passos em relação a isso, mas vejo que o Xi Jinping e o Lula têm muita coisa em comum, muita identidade, um complementa o outro e nossa expectativa é de que nesse mundo, com tantos conflitos, os dois tenham um papel mais relevante do que tem tido até então. O mundo todo respirou aliviado com o resultado da eleição do Brasil e tem, na relação com a China, algo que o diferencia. São nações grandes que defendem a paz, a multipolaridade e a não intervenção nos assuntos internos de um país sobre os assuntos internos de outro país.

Como o senhor avalia essa posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de não reconhecer o resultado das urnas no Brasil e dar asilo ao fugitivo Flávio Bolsonaro?

Não há nenhuma novidade sobre o posicionamento do Trump. Ele não respeita as nações, os governos e pensa que a posição dele está acima das nações, que ele foi feito para ser imperador. Tem desrespeitado a América Latina de forma muito especial, acha que isso aqui é um quintal dos Estados Unidos. A eleição do Lula foi um freio nessa postura intervencionista do Trump. Acho que ele está muito incomodado com isso. Não vai poder fazer nada, está muito fragilizado, sofrendo derrotas internas muito graves, sofrendo derrotas pelo mundo.

A eleição de Israel também foi uma sinalização de que ele não pode fazer tudo que ele imagina que pode fazer. E penso que cometeu mais um grave equívoco, um grave erro em acolher o fugitivo Flávio Bolsonaro. Ele vai ter que se virar com esse trambolho que chega nos Estados Unidos.

Não acredito que ele encontrará justificativa para dar proteção a Flávio, mesmo porque na circunstância de hoje os Estados Unidos precisam muito do Brasil. A economia americana, especialmente no que diz respeito ao acesso ao alimento, depende muito do Brasil, da importação de produtos brasileiros. Então quem está mais fragilizado agora é o Trump.

Hoje os Estados Unidos precisam muito mais do Brasil do que o Brasil dos Estados Unidos. Então eu não acredito que ele vá abrir mão de manter essa relação com o Brasil a custo do nada, porque o Flávio Bolsonaro, seu irmão e sua família vão se tornando cada vez mais um nada na geopolítica global e para os interesses entre os Estados Unidos e o Brasil.