13.07.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita aos Laboratórios de Robótica, Automotiva e NSPi do IMT, no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul – SP. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), para acompanhar o início de uma nova rodada de testes em motores destinados a validar o aumento das misturas de biocombustíveis no país. Junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin e uma comitiva de ministros e representantes do setor produtivo, como o presidente da JBS, Gilberto Tomazoni, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, os testes visam atestar a segurança e a eficiência de motores operando com biodiesel (acima do atual B15) e etanol (além do E30, rumo ao E32 e E35).

A iniciativa, prevista na Lei do Combustível do Futuro, conta com a validação técnica da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) e do próprio Instituto Mauá. Durante o evento, destacou-se que a validação empírica é crucial para calar céticos e demonstrar que a tecnologia brasileira já opera, em frotas como as da JBS e da Vale, com até 100% de biodiesel sem avarias. O objetivo é transformar o Brasil em protagonista global da transição energética, unindo segurança alimentar e segurança energética sem conflitos entre as duas pautas.

Marcos Vinícius Aguiar, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), e Gilberto Tomazoni, Diretor Presidente Global da JBS, destacaram a robustez do ecossistema técnico brasileiro. Tomazoni ressaltou que a JBS opera há três anos com caminhões movidos a B100 (100% biodiesel) sem nenhuma avaria. Os novos testes no laboratório da Mauá — que demandam cerca de 300 horas por motor — pretendem conferir o selo de segurança definitivo para a expansão da mistura.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, relembrou o histórico dos governos de Lula e Dilma no setor, sinalizando que a margem legal do etanol na gasolina pode saltar dos antigos 27,5% para até 35%, estando atualmente no patamar de E30 com testes avançados para o E32. Silveira e o vice-presidente Alckmin apontaram que a transição energética é viável graças ao avanço simultâneo da agricultura familiar e da agroindústria, rechaçando a tese de que haveria conflito entre a produção de alimentos e a geração de energia limpa.

O vice-presidente Geraldo Alckmin celebrou o fato de o Brasil dar exemplo ao mundo ao ter marcas que nenhum outro país possui, como 32% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel, gerando emprego, renda, valor agregado e despoluição.

A agenda no tradicional reduto industrial paulista evidenciou a sinergia entre a academia, a iniciativa privada e o poder público na consolidação da descarbonização da frota automotiva.

Geopolítica do petróleo e blindagem da economia

Além dos aspectos técnicos, o presidente Lula conferiu um tom geopolítico ao seu pronunciamento. Diante de jornalistas, reagiu formalmente a uma publicação recente do presidente norte-americano Donald Trump a respeito do Estreito de Ormuz — canal de escoamento de petróleo no Oriente Médio. Trump havia sinalizado uma cobrança de 20% sobre o óleo de navios que trafegassem sob a proteção militar dos EUA.

Lula traçou um paralelo direto entre a política energética nacional e o cenário geopolítico turbulento. O presidente criticou duramente as declarações de Trump sobre a cobrança de taxas para a desobstrução do Estreito de Ormuz, classificando a medida como “pirataria”. Segundo Lula, guerras provocadas por potências estrangeiras inflacionam o preço do petróleo, impactando diretamente o custo de vida no Brasil, como nos preços de arroz, feijão e tomate.

Lula justificou as medidas domésticas adotadas para proteger a economia brasileira das oscilações inflacionárias globais causadas por conflitos externos. O presidente explicou que o governo federal optou por taxar em 12% a exportação do petróleo cru para subsidiar o refino interno, evitando que o preço de itens básicos da cesta alimentar disparasse nos supermercados.

13.07.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita aos Laboratórios de Robótica, Automotiva e NSPi do IMT, no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul – SP. Foto: Ricardo Stuckert

O carro híbrido e a formação de engenheiros

O evento também serviu como plataforma para defender o carro híbrido (elétrico e a etanol) como uma solução superior ao veículo puramente elétrico em termos de autonomia, conforto e segurança, especialmente para as dimensões continentais do Brasil. Lula citou testes realizados na Alemanha, na feira de Hannover, onde o biodiesel brasileiro demonstrou ser 67% menos emissor de gases de efeito estufa do que as misturas tecnológicas europeias.

(por Cezar Xavier)