Partido Comunista da China chega aos 105 anos no auge de sua influência
Pessoas posam para fotos ao lado de um monumento do Partido Comunista Chinês (PCC) no município de Nanniwan, cidade de Yan’an, província de Shaanxi, noroeste da China, em 22 de abril de 2026. Foto: Visual China Group
O Partido Comunista da China (PCCh) celebra hoje, 23 de julho, 105 anos de sua fundação, data que remonta à primeira reunião do Congresso Nacional em 1921. Ao longo de mais de um século, a legenda transformou uma nação agrária e fragmentada na segunda maior economia do mundo, disputando a vanguarda tecnológica. Entre seus principais feitos, destacam-se a histórica erradicação da pobreza extrema, que tirou mais de 800 milhões de pessoas da miséria em poucas décadas, segundo relatório do Banco Mundial, e a rápida consolidação do país como uma potência global incontestável em infraestrutura, manufatura e exploração espacial.
Sob o governo comunista, a China tornou-se a maior potência manufatureira do planeta, líder em infraestrutura ferroviária de alta velocidade, energia renovável, comércio exterior e um dos principais polos de pesquisa científica. Nos últimos anos, o país também passou a disputar a liderança mundial em inteligência artificial, semicondutores, veículos elétricos, computação quântica e telecomunicações, setores considerados estratégicos para a nova revolução industrial.
Desde 1921, o partido conduziu a Revolução Chinesa, proclamou a República Popular em 1949 e, sobretudo a partir das reformas iniciadas no fim dos anos 1970, comandou uma das mais aceleradas trajetórias de crescimento econômico da história contemporânea.
Gigantismo organizacional
A força do PCCh é refletida em sua base massiva, consolidando-se como a maior organização política do planeta. Os dados mais recentes do Departamento de Organização do Comitê Central do PCCh confirmam a contínua expansão da legenda, que ultrapassou a marca de 101,29 milhões de membros.
O partido conta ainda com mais de 5,4 milhões de organizações de base espalhadas por empresas privadas, universidades e áreas rurais. A composição interna tem passado por renovação: jovens de até 35 anos representam mais de 80% dos novos ingressantes, enquanto a presença feminina e de profissionais de áreas tecnológicas cresce de forma consistente. Essa estrutura garante a coesão ideológica e a rápida execução de políticas públicas em um vasto território continental.
Um protagonista da nova ordem internacional
Além das transformações internas, o Partido Comunista Chinês ampliou sua influência global por meio de iniciativas como a Nova Rota da Seda, do fortalecimento dos BRICS e da expansão da cooperação com países do Sul Global. O partido busca protagonismo internacional, posicionando a China como um dos principais centros de poder da economia e da política mundial nas próximas décadas.
As prioridades para os próximos anos estão concentradas na execução do 15º Plano Quinquenal, no fortalecimento da inovação científica, da economia digital, da manufatura avançada e da autossuficiência tecnológica diante das restrições impostas pelos Estados Unidos. Também permanecem entre os objetivos centrais a transição para uma economia de baixo carbono, a ampliação do mercado interno e a continuidade da campanha de combate à corrupção e fortalecimento da disciplina partidária.
Além disso, há o foco na expansão da influência geopolítica e no rejuvenescimento nacional, fortalecendo sua posição no Sul Global e na governança multilateral. O objetivo central do PCCh é transformar a China em uma potência socialista moderna, próspera e desenvolvida até 2049, ano do centenário da República.
(por Cezar Xavier)

