Tarifas e tensão: EUA testam soberania do Brasil, analisa Carmona
Lula estuda acionar a Lei de Reciprocidade sobre o comércio com os EUA.
Na edição desta quinta-feira (23) do programa Entrelinhas Vermelhas, o analista de geopolítica Ronaldo Carmona afirmou que a sobretaxa de 25% imposta pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros não possui racionalidade econômica, dado o histórico superávit comercial dos EUA.
Para ele, a medida integra uma grande estratégia de recomposição de poder e reindustrialização, visando neutralizar o papel autônomo do Brasil como polo em um mundo multipolar e garantir a hegemonia no hemisfério.
Assista a íntegra da entrevista:
Soberania e Lei da Reciprocidade
Questionado sobre a resposta brasileira, Carmona acredita que o país deverá acionar a Lei da Reciprocidade. O objetivo não é retaliação cega, mas a equiparação de danos, já que as exigências norte-americanas – como abertura indiscriminada do setor industrial, zerar tarifas de químicos e automóveis, e restrições à cooperação com a China – eram inadmissíveis.
O especialista defende que o Brasil deve superar visões neoliberais anacrônicas e acelerar um Projeto Nacional de Desenvolvimento focado em ciência, tecnologia e inovação, preparando-se para um possível quarto mandato de Lula.
Pretexto para intervencionismo
Sobre a classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas pelos EUA, o professor alertou que a medida é política e tecnicamente contraproducente. Contudo, reconheceu que a incapacidade do Estado de dominar plenamente o território nacional oferece um pretexto perigoso para agendas intervencionistas. A saída, segundo ele, é uma estratégia firme de repressão ao crime organizado para reafirmar a soberania.
Impactos globais e resposta nacional
O debate também abordou o retorno dos ataques dos EUA ao Irã e a interdição de rotas críticas, como os estreitos de Ormuz e Bab-el-Mandeb, controlados por Teerã e aliados, como os houthis. Carmona destacou que o fechamento dessas vias afeta um terço do petróleo mundial e reverbera no Brasil, especialmente na importação de fertilizantes e na exportação de frango. Nesse cenário, citou o anúncio do Plano Brasil Soberano, do presidente Lula, como medida essencial para mitigar os danos econômicos às exportações nacionais.
(por Cezar Xavier)

