Cuba acusa EUA de genocídio em discurso comemorativo da Revolução
Cuba realizou um comício tradicional neste domingo (26) para comemorar um dos aniversários mais importantes da revolução.
Durante as solenidades de aniversário da Revolução Cubana, o presidente Miguel Díaz-Canel elevou o tom de sua denúncia contra Washington, classificando o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos não como uma simples sanção, mas como um ato deliberado de “genocídio” e crime de lesa-humanidade. Em discurso contundente, o líder cubano detalhou como a política de asfixia financeira e comercial visa provocar o colapso social da ilha, punindo coletivamente uma população que há mais de seis décadas resiste à hegemonia norte-americana.
Diante de milhares de pessoas reunidas em ato oficial, o chefe de Estado afirmou que o objetivo das sanções é provocar escassez, aprofundar dificuldades econômicas e estimular a instabilidade política interna, reiterando que Cuba continuará resistindo às pressões externas.
A declaração ocorre em um momento particularmente delicado para a economia cubana, que enfrenta inflação elevada, escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, dificuldades na geração de energia elétrica e redução das receitas obtidas com turismo e exportações.
Saúde e alimentação sob ataque
Havana sustenta que o bloqueio ultrapassa o âmbito de uma disputa comercial e constitui uma forma de guerra econômica destinada a impedir o desenvolvimento do país. Cuba encontra amplo respaldo diplomático na condenação ao bloqueio. Há mais de três décadas, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova, com maioria expressiva, resoluções que pedem o fim das sanções unilaterais impostas por Washington.
Os efeitos perversos do bloqueio são visíveis nos hospitais e nas prateleiras vazias de Cuba. A restrição sistemática à importação de insumos médicos, equipamentos de diagnóstico e medicamentos pediátricos configura uma violação direta e cruel do direito à vida. Organizações internacionais já documentaram como as sanções extraterritoriais, a exemplo da Lei Helms-Burton, intimidam bancos e empresas de terceiros países a cortar relações com Havana. Isso agrava drasticamente a escassez de alimentos e combustíveis, transformando necessidades básicas em privilégios e afetando desproporcionalmente crianças, idosos e doentes crônicos.
A hipocrisia do “embargo” humanitário
Apesar da retórica de Washington sobre suposto “apoio ao povo cubano”, a realidade no terreno desmente qualquer intenção humanitária. O bloqueio impede a modernização da matriz energética e a manutenção da infraestrutura pública, gerando apagões constantes e paralisia no transporte. Díaz-Canel enfatizou que a comunidade global deve reconhecer que sufocar uma nação soberana por vias econômicas é uma forma moderna de genocídio, tão letal e devastadora quanto um conflito armado convencional.
O discurso presidencial também reafirmou a Revolução Cubana como símbolo de soberania nacional. Díaz-Canel exaltou a resistência do povo cubano diante das dificuldades econômicas e afirmou que a preservação da independência do país continua sendo prioridade estratégica. Segundo ele, as reformas econômicas em andamento procuram preservar as conquistas sociais da Revolução, especialmente nas áreas de saúde, educação e ciência, ao mesmo tempo em que buscam aumentar a produção nacional e atrair investimentos.
Resistência e clamor por justiça global
Ao reafirmar a soberania da ilha, o discurso cubano ecoou o clamor de nações do Sul Global que, ano após ano, votam esmagadoramente na ONU pela retirada imediata e incondicional do bloqueio. A persistência dos EUA em manter essa política anacrônica revela o fracasso histórico de suas tentativas de subjugação. Enquanto Cuba busca parcerias solidárias para mitigar os danos, a acusação de genocídio serve como um alerta: a impunidade de Washington em violar direitos humanos fundamentais não pode mais ser normalizada.
A ilha busca ampliar parcerias comerciais e financeiras com países como China, Rússia, Vietnã e integrantes do BRICS, além de estimular investimentos estrangeiros em setores considerados estratégicos. A combinação entre resistência política, diversificação das relações internacionais e reformas graduais permanece no centro da estratégia cubana para enfrentar um dos períodos mais difíceis desde o fim da União Soviética.

(por Cezar Xavier)

