Polícia Federal recomenda demissão de Eduardo Bolsonaro por abandono do cargo
A Polícia Federal recomendou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a demissão do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do cargo de escrivão. A nova mancha no currículo do ex-parlamentar é resultado de sua temporada nos EUA, quando tramou contra o seu próprio país, e pode ser mais uma sujeira a respingar na imagem já encardida de seu irmão, Flávio, que ainda quer ser presidente.
Conforme noticiado nesta terça-feira (21), a conclusão do processo administrativo disciplinar da PF foi encaminhada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao qual a corporação é subordinada. Caberá ao titular da pasta, o ministro Wellington Lima e Silva, decidir se oficializa a demissão.
Por ter ficado meses fora do Brasil, Eduardo teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara no final do ano devido ao excesso de faltas não justificadas — das 78 sessões deliberativas de 2025, ele se ausentou de 63.
A perda do mandato o obrigava a reassumir seu cargo como escrivão da PF, o que ele não fez. Tal situação levou à abertura do processo disciplinar para avaliar sua demissão.
Mais tarde, Eduardo ainda foi condenado, por unanimidade no Supremo Tribunal Federal (STF), por coação no processo da tentativa de golpe de Estado, em 2022. A pena estabelecida — de quatro anos e dois meses em regime semiaberto, além de inelegibilidade por oito anos — ainda não foi executada porque cabem recursos.
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Como reza a cartilha da família Bolsonaro, assim como seu pai e irmãos, Eduardo é um prodígio na arte de gerar problemas e notícias ruins, não apenas para si, mas para os seus.
A possível demissão — embora não tenha o peso político de um conchavo pró-tarifa contra o Brasil —, é mais um ponto negativo na cestinha do clã e na candidatura do irmão, que já não vive seu melhor momento.
Para começar, a semana em que o processo foi finalizado e Eduardo poderá perder o cargo de escrivão é a mesma em que ele recebeu o Green Card do governo dos EUA.
A concessão foi mais rápida do que costuma ser para cidadãos comuns e soa como uma recompensa pelos “serviços prestados” por Eduardo — no caso, tramar para prejudicar a economia do próprio país em favor dos EUA e induzir a Casa Branca a chantagear autoridades brasileiras para livrarem seu pai da condenação por golpismo.
Também nesta semana, o Brasil começa a ser submetido à nova tarifa imposta por Trump, cuidadosamente costurada pela dupla Eduardo e Flávio como forma de tentar prejudicar Lula — o que se reverteu contra o próprio candidato bolsonarista, conforme mostram várias pesquisas recentes.
A isso, somam-se as mais recentes rusgas políticas entre Flávio e a madrasta, Michelle Bolsonaro, e a resistência do centrão em apoiá-lo, fatos que mostram fissuras na sua candidatura.
E tudo isso recai sobre um delicado e quilométrico telhado de vidro que Flávio construiu com esmero ao longo de anos. Dele fazem parte, por exemplo, mansões compradas com dinheiro vivo; rachadinha; ligação com milicianos; relações íntimas e mal explicadas com o dono do Master (que lhe pagou mais de R$ 60 milhões resultantes das inúmeras fraudes que levaram o banco à liquidação) e a própria articulação do tarifaço.
Num quadro como esse, ter um irmão tão próximo já cassado, condenado e inelegível perdendo, ainda, um cargo público na PF por abandono para tramar contra o País, não parece ser uma notícia alvissareira. Com um irmão desses, quem precisa de inimigo?

