Foto: Reprodução/UNE

Na última quinta-feira (7), iniciou-se o II Encontro Nacional de Prounistas e Bolsistas, realizado no campus Vergueiro da Universidade Paulista (UNIP), na capital paulista. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UNIP celebra os 21 anos do Programa Universidade para Todos (Prouni). O evento ocorrerá até esta sexta-feira (8).

Na abertura, o evento contou com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, um dos idealizadores do programa. Além disso, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), o vereador de Campinas Gustavo Petta (PCdoB), além de Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

O plenário lotou de estudantes e ex-estudantes beneficiados pelo Prouni, política criada durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Criado em 2004 e instituído pela Lei nº 11.096/2005, o programa oferece bolsas integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior. A seleção é feita com base nas notas do Enem e prioriza estudantes de baixa renda, egressos da rede pública, pessoas com deficiência e professores da rede pública.

Segundo dados apresentados pela organização do encontro, o Prouni já beneficiou cerca de 3,4 milhões de estudantes em duas décadas e formou mais de 1,5 milhão de brasileiros. O programa surgiu a partir de reivindicações históricas do movimento estudantil, especialmente da UNE e de entidades de base.

Haddad participou da formulação do programa quando era secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), durante o primeiro governo Lula. A proposta foi desenvolvida em colaboração com sua esposa, Ana Estela Haddad.

Ao falar sobre a criação do programa, Haddad afirmou que setores da direita resistiram à implementação do Prouni por não concordarem com políticas de inclusão no ensino superior.

“O pessoal da direita não queria o Prouni porque eles estavam no bem bom, sem pagar impostos. E vocês sabem que eu não gosto desse pessoal que não paga imposto desde criancinha”, disse.

Haddad defendeu o legado das políticas educacionais e rebateu críticas feitas à época da criação do programa. Além disso, defendeu a mobilização estudantil e afirmou que a participação dos jovens na formulação de políticas públicas é fundamental para mudanças estruturais no país.

“Disseram que não íamos investir em universidades públicas por causa do Prouni, e foi feito o maior investimento da história. Disseram que não íamos investir em educação básica, aí criamos o Fundeb. A cada dúvida, a gente respondia com um programa”, disse. “Quando a UNE vai no MEC, apresenta uma pauta de reivindicações, isso é muito importante. Não subestimem. Tem muita coisa errada ainda no Brasil, esse país só vai ser arrumado por vocês”, afirmou.

Além da celebração dos 21 anos do programa, o encontro tem como foco o debate sobre permanência estudantil, apontada por entidades estudantis como um dos principais desafios enfrentados pelos bolsistas.

Entre os obstáculos citados estão a falta de políticas de assistência, os custos com transporte e alimentação e a burocracia para transferência ou mudança de curso. Segundo os organizadores, muitos estudantes acabam abandonando a graduação antes da conclusão do curso.

“O ProUni carrega no DNA as entidades estudantis e a certeza de que esse é o caminho para construir o Brasil que queremos”, afirma a UNE.

Fonte: Página 8