Manifestação em Belo Horizonte denuncia a privatização de escolas pelo governo Zema | Foto: Reprodução

O leilão realizado na B3, na última segunda-feira (30), em São Paulo, entregou a gestão de serviços de 95 escolas estaduais de Minas Gerais ao fundo IG4 BTG Pactual Health Infra, ligado ao BTG Pactual, aprofundando a privatização da educação pública no Brasil e  amplia a presença do setor financeiro na área.

Vencedor do certame, ao apresentar a menor contraprestação mensal – R$ 22,3 milhões –, o fundo assumirá por 25 anos a operação de serviços essenciais ao funcionamento das unidades escolares, como manutenção predial, limpeza, vigilância, tecnologia da informação e fornecimento de utilidades. Sob o discurso de eficiência e modernização, o governo de Romeu Zema e seu vice, Mateus Simões, consolida uma política que transfere à lógica de mercado dimensões estruturais da educação pública.

A presença do setor financeiro não é um detalhe secundário. O BTG Pactual, banco que estrutura e opera o fundo vencedor, foi fundado por Paulo Guedes – figura central do programa econômico do governo Bolsonaro – e tem entre seus principais nomes o banqueiro André Esteves. Nos últimos anos, a instituição tem ampliado sua atuação em processos de privatização e concessões, incluindo iniciativas em setores estratégicos como saneamento e saúde, reforçando um movimento de financeirização dos serviços públicos.

O próprio histórico do fundo vencedor reforça essa tendência. Vinculado à gestora Opy, o grupo já atua na administração do Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, em Belo Horizonte, evidenciando a expansão de fundos de investimento sobre áreas sociais sensíveis. Agora, a educação passa a integrar esse portfólio, tratada como ativo capaz de gerar rentabilidade ao longo de décadas.

Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind UTE/MG), a medida traz consequências diretas para os trabalhadores e para o funcionamento das escolas públicas. “Além de comprometer a gestão democrática das escolas, o programa pode provocar a demissão ou a precarização do trabalho de milhares de Auxiliares de Serviços Básicos (ASBs). Também há risco de exposição de dados sensíveis de estudantes”, denuncia o Sind UTE. Para a entidade, a lógica que orienta o projeto é clara: redução de custos para ampliação de lucros, em detrimento da qualidade do serviço público e das condições de trabalho.

A entrada de fundos financeiros na educação pública, segundo o sindicato, explicita um movimento mais amplo de privatização. Em nota, a entidade questiona: “que interesses um banco tem na educação pública?”. “O verdadeiro interesse está em transformar a educação em fonte de lucro, desviando bilhões em recursos públicos de sua finalidade”, aponta. 

Organizações estudantis, como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), também apontam riscos estruturais. “O leilão de 95 escolas públicas de Minas Gerais escancara um projeto que trata o futuro da juventude como negócio. Ao transferir serviços essenciais para a iniciativa privada, o governo abre caminho para a precarização, coloca em risco a proteção de dados dos estudantes e enfraquece a qualidade da educação pública”, afirma a UBES. 

A crítica central recai sobre a artificial separação entre gestão pedagógica e infraestrutura: alimentação, limpeza, segurança e acesso à tecnologia são elementos que impactam diretamente o processo de ensino-aprendizagem.

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