Margaret Conolly abre os braços ao chegar, liberada, no aeroporto de Istambul | Foto: Redes Sociais

Ao desembarcar no aeroporto da capital turca, a doutora Margaret Connolly, uma dos quase 500 integrantes da Flotilha Global Sumud de socorro a Gaza, em 50 barcos, interceptados em águas internacionais, denunciou o agressivo e desumano tratamento recebido sob o sequestro por forças de Israel. Ela é irmã da presidente da Irlanda, Catherine Connolly.

Em uma frase, ela expressou o que experimentou sob custódia israelense: “Eu senti o que os judeus sentiram durante a 2ª Guerra Mundial”.

“Eu fiquei em um navio de Guerra na segunda e terça (18 e 20 de maio), o que significa que fomos sequestrados e mantidos detidos contra nossa vontade, no convés de um navio transformado em prisão”, acrescentou. “Um horror como em um campo de concentração”.

“Todos ficamos curvados durante horas e tínhamos que ficar de rosto colado ao chão. Os que erguiam a cabeça levavam chutes”, descreveu.

“Para eles não éramos humanos”, protestou a dra. Margaret.

“A crueldade dos soldados israelenses vai muito além do que se pode imaginar. Enquanto nos maltratavam, riam o tempo todo”, prosseguiu.

“Quando pedíamos água, recusavam; como alimento, nos atiravam pão estragado”, relatou.

“Se é isso que eles fazem a europeus detidos em águas internacionais, dá para imaginar o que são capazes de fazer com os palestinos, adultos e crianças, mantidos em prisões aos milhares”, destacou.

Ela exigiu que a Irlanda adote sanções contra Israel e se declarou “envergonhada” do parlamento irlandês que, em sua maioria, votou contra as sanções: “Covardes”. “Com esse comportamento, Israel merece ser banido da ONU”.

Ela também conclamou os Estados Unidos, a Alemanha e demais países europeus a “cessarem o envio de armas para Israel seguir no genocídio. Eles estão negociando com um país nazista”.

Nesta quinta, ao chegarem a Istambul, outros ativistas também fizeram graves denúncias sobre agressão aos detidos por Israel.

O jornalista italiano Alessandro Montovani, que escreve no Il Fatto Quotidiano, relatou as duras condições no aprisionamento, como a posição mantida por horas amarrados com as mãos para trás, tivemos os olhos vendados e fomos mantidos com o rosto colado ao chão: “Fomos tratados como animais”.

Depois de liberarem os presos, após intensa pressão internacional, o Serviço Prisional Israelense declarou que “agiu de acordo com os procedimentos recomendados” e ainda qualificou os ativistas humanitários de “terroristas”.

Acontece que o próprio chefe deste serviço, o ministro Ben-Gvir, tratou de mostrar o contrário, com vídeo filmado quando circulava provocando os presos e que depois fez questão de divulgar.

Toda essa barbárie provocou uma das maiores crises diplomáticas já vividas por Israel.

Polônia, Itália, França, Canadá, Bélgica, Austrália, Holanda e Reino Unido foram os primeiros países a convocar embaixadores israelenses para pedir explicações e exigir desculpas pelo tratamento desumano por Israel.

O ministro do Exterior da Irlanda chamou a atitude israelense de “espantosa e inaceitável”.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que o ministro Ben-Gvir está banido e proibido de entrar na Espanha e pediu medidas similares a outros países da Europa. O ministro do Exterior também da Espanha, José Manuel Albares, condenou os tratamentos “monstruosos, indignos e humilhantes”.

A Suécia disse que estuda sanções aos “ministros extremistas israelenses” e a Dinamarca declarou que deixou claro a Israel que “detentos devem ser tratados com respeito”. A Turquia, país de onde a Flotilha partiu na semana passada, qualificou as prisões de “ilegais” e apontou Gvir como “figura chave do genocídio perpetrado por Israel em Gaza”, que “mais uma vez expôs sua bárbara mentalidade”.  

De acordo com o grupo de advogados israelenses e palestinos, Adalah, que prestaram apoio aos sequestrados, três deles necessitaram atendimento hospitalar e dezenas dos participantes na Flotilha apresentaram marcas de espancamento.

Segundo a organização de juristas, muitos foram atacados com tasers e outros foram atingidos com balas de borracha.

O deputado italiano, Dario Carotenuto, relatou haver sido esmurrado no olho, o que me deixou cego por algum tempo. Vi outros com problemas nos olhos e ouvidos e mulheres informando de violência sexual.

Fonte: Papiro