STF inicia julgamento de mandantes da execução de Marielle
Réus por crimes que figuram entre os mais brutais da cena política nacional, os acusados pelos assassinatos da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes começaram a ser julgados nesta terça-feira (24) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ); Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, e Ronald Paulo de Alves, ex-policial militar, tornaram-se réus por duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
Já o ex-assessor do TCE Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, responde, juntamente com os irmãos Brazão, pelo crime de organização criminosa.
O processo chegou ao Supremo em razão das investigações apontarem Chiquinho Brazão como um dos envolvidos — por ser então deputado federal, o réu tinha foro por prerrogativa de função.
Julgamento
O julgamento terá duas sessões nesta terça-feira, com início às 9h e às 14h. Também foi marcada uma sessão para a manhã de quarta-feira (25), a partir das 9h. O julgamento será transmitido ao vivo pela Rádio e TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.
Após a abertura da sessão pelo presidente do colegiado, ministro Flávio Dino, e o chamamento do processo para julgamento, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal, faz a leitura do relatório. Trata-se de um resumo do caso, com a descrição dos fatos, o histórico processual, as alegações da acusação e das defesas e os crimes imputados.
Em seguida, terá início a fase de sustentações orais. O vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, representante da Procuradoria-Geral da República (PGR), será responsável pela acusação e terá o prazo de uma hora para sua manifestação, com possibilidade de prorrogação para uma hora e meia
O advogado assistente de acusação, indicado por Fernanda Chaves para auxiliar o Ministério Público, poderá falar por até uma hora. Em seguida, os advogados das defesas apresentarão suas manifestações, cada um dispondo de uma hora.
Concluídas as sustentações, o relator será o primeiro a votar, seguido pelos demais integrantes do colegiado em ordem crescente de antiguidade no Tribunal, ficando por último o presidente da Turma. A sequência será, portanto, a seguinte: Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Assassinato brutal
Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados a tiros dentro do carro que ele dirigia na noite de 14 de março de 2018, na região central do Rio de Janeiro. No veículo também estava a assessora Fernanda Chaves.
As investigações sobre o homicídio foram inicialmente conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e, em 2023, a Polícia Federal também passou a atuar no caso, por determinação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em junho de 2024, por unanimidade, a Primeira Turma do STF acolheu a denúncia apresentada pela PGR, que apontou os irmãos Brazão como mandantes do crime.
Eles são acusados de ter planejado o assassinato em razão da atuação política de Marielle, que dificultaria a aprovação de propostas legislativas voltadas à regularização do uso e da ocupação de áreas comandadas por milícias na capital fluminense.
De acordo com a PGR, Rivaldo Barbosa teria se encarregado de dificultar as investigações, utilizando-se de sua posição de comando na Polícia Civil.
Já o policial militar Ronald Paulo de Alves, conhecido como Major Ronald, teria monitorado as atividades de Marielle e fornecido aos executores informações essenciais para a consumação do crime. Por sua vez, Robson Calixto Fonseca é acusado de integrar a organização criminosa junto aos irmãos.
O ex-policial militar Ronnie Lessa foi condenado como o autor dos disparos. Ele confessou o crime e fechou acordo de colaboração premiada. Desde 2019, Lessa está preso, cumprindo pena de 78 anos de prisão pelas execuções.
Com agências




