É comum nos anos eleitorais ouvir de alguns (as) camaradas que é difícil combinar a busca pelo voto para as nossas candidaturas com a organização partidária, com o funcionamento adequado das direções dos comitês, especialmente nos municípios e organizações de base. Ainda mais: filiar em período eleitoral é inviável porque a busca pelo voto demanda muita concentração, foco, etc. Algumas reflexões se fazem necessárias para quebrar certos mitos construídos durante os períodos eleitorais, considerando a etapa de pré-campanha e nos fatídicos 45 dias de campanha oficialmente falando

Campanhas eleitorais são momentos ricos da luta de classes, período de grande concentração da atenção do povo, no qual o debate em torno dos destinos do país, estados e municípios, logo, da vida cotidiana das pessoas, está sempre em alta, mesmo considerando a enorme desilusão com o capitalismo, as agruras impostas à maior parte das pessoas, e no tipo de sistema político partidário utilizado pelo capital para a escolha de quem controla o Estado nos seus diversos níveis, principalmente os poderes Executivos e Legislativos. Campanhas demandam intenso diálogo com o povo, sendo momentos de trocas de ideias, excelentes para ouvir as demandas populares e para, nesse diálogo, apresentar nossas propostas, nossa visão sobre os problemas. Escuta e fala conjugadas.

A experiência nos mostra que o funcionamento das direções partidárias e o engajamento dos quadros no processo da campanha, nos seus múltiplos aspectos, é absolutamente fundamental para o êxito da busca pelo voto, para transformar a campanha em um momento ímpar de crescimento do partido, seja da sua influência mais difusa entre o povo, e no que diz respeito ao crescimento orgânico com a incorporação de novos (as) camaradas via filiações. Por êxito, é preciso compreender que não estou falando “apenas” da eleição das nossas candidaturas, fator que sempre envolve um conjunto intenso de variáveis, boa parte delas fora do nosso controle. Mas, se é óbvio que o objetivo central da eleição é eleger, precisa ficar consignado entre nós que esse não pode ser o único objetivo do partido comunista nas eleições. E aqui reside uma parte significativa do problema. É necessário ter visão abrangente sobre o que queremos quando disputamos eleições: eleger nossos (as) camaradas, projetar lideranças para pleitos posteriores, intensificar o alcance das nossas ideias junto ao proletariado, e, sim, crescer organicamente.

A não eleição dos projetos eleitorais sob quaisquer hipóteses devem significar para o coletivo partidário como um “afundamento do PCdoB”. Eleição é um dos instrumentos por nós utilizados para projetar nossas ideias, logo, não pode ser o único, sendo necessária a adequada combinação de lutas sociais, lutas institucionais e lutas de ideias. Nossos votos são, principalmente, o resultado da combinação desses três elementos. Jamais devemos esquecer que, estando sob a vigência do capitalismo, as regras eleitorais sempre são muito mais difíceis para partidos como o nosso, de base efetivamente popular. Por tudo isso, é que direções funcionando, militância mobilizada, organismos de base atuantes, são fatores essenciais para as disputas eleitorais, para além da luta política mais cotidiana.

O trabalho de direção de comitês partidários demanda um intenso planejamento coletivo com definição muito objetiva do papel que cada quadro vai cumprir, valendo também para as campanhas eleitorais. Papel que varia da coordenação das campanhas de cada candidatura ao trabalho de intensa importância de mobilização de cada organismo de base e do conjunto da militância; da integração das frentes de massas nas quais estamos inseridos em composição com outras forças ou naquelas frentes dirigidas especificamente pela nossa militância. Varia ainda das articulações com outros partidos, especialmente no âmbito da nossa Federação Partidária, mas também a relação política com outros partidos, construindo múltiplas possibilidades para as nossas candidaturas, passando pelo trabalho de fortalecimento das finanças partidárias e da relação com as instâncias superiores de direção.

Para que tudo isso – e outros aspectos não abordados aqui, que variam conforme a realidade específica dos estados e municípios – tenha funcionalidade, controle, balanço periódico sobre o que avança e o que atrapalha o desenvolvimento da luta política e dos processos eleitorais, as direções, especialmente as Comissões Executivas e as Comissões Políticas, precisam manter a sua atividade sem diluição, sem dispersão, sob o manto da busca pelo voto. Buscar voto não é atividade espontânea que se desenvolve pela própria força das disputas eleitorais. Parte do voto, é claro, é conquistado pela propaganda, pela comunicação mais abrangente através das campanhas pelo rádio, tv e internet, posto que o público atingido por elas é muito grande. Só que não disputamos o voto do respeitável eleitorado sozinhos, o que torna o planejamento, o trabalho dirigido, e o papel dos quadros, ainda mais relevante. A primeira reflexão é essa. Direções não podem “desaparecer” temporariamente em processos eleitorais, especialmente porque a tendência a colher derrotas simplesmente aumenta se isso acontece.

Ora, voltemos à equação: direções em funcionamento nos processos eleitorais propiciam mais organicidade para o trabalho das bases partidárias, para a mobilização da nossa militância, que precisa ser engajada com espírito militante e não de meros cabos eleitorais. Militância ativa em qualquer luta, e nas campanhas eleitorais, agrega valor às disputas, qualifica o diálogo com o povo, com o eleitorado, possibilita às pessoas informações preciosas sobre as nossas candidaturas, suas bandeiras e perfis. Isso é um tesouro coletivo que sob qualquer hipótese deve ser desprezado, desperdiçado, raciocinando que basta ter pessoas contratadas para atuar na campanha panfletando em larga escala que o voto será conquistado. Organizações de base ativas durante as lutas em geral, nos processos que envolvem diretamente os interesses delas, seja de bases organizadas por local de moradia, estudo, moradia e outras frentes de luta, podem – e devem! – tornar-se verdadeiros comitês eleitorais do PCdoB. Comitês que podem desenvolver um número intenso de atividades de campanha, que vão das pequenas reuniões às grandes plenárias, conforme o caso. Que transitam das panfletagens mais massivas, bandeiraços, carretas, presença em comícios, “amarração” individual do voto. Militantes e quadros partidários são representantes efetivos de cada uma das candidaturas do partido quando o (a) candidato (a) não pode estar presente nas atividades, o que é bem comum, em função da multiplicidade de atividades nas quais estão diretamente envolvidos a cada dia.

O papel ativo, tanto dos (as) candidatos (as) como de militantes e quadros na campanha, pode – novamente, DEVE! – servir também para conclamar as pessoas a se filiarem ao PCdoB. Reuniões com o povo, com trabalhadores (as), estudantes, intelectualidade, para apresentação das propostas, bandeiras das candidaturas, precisam ter também o caráter de convidar as pessoas a se tornarem membros do Partido. Ter postura ativa e altiva nesse aspecto, tende a ser positivo para o crescimento quantitativo do partido. Crescimento esse que pode resultar em ampliação qualitativa, à medida em que filiados (as) novos (as) são engajados nas bases, na vida ativa das ações partidárias, conjugando sempre o tripé “filiar, organizar, formar”.  

As filiações em processos eleitorais – pré-campanha e os 45 dias da campanha oficial – demandam que todas as lideranças partidárias, dos (as) candidatos (as) a parlamentares não candidatos (as), quadros no exercício de tarefas institucionais diversas, lideranças sindicais e dos diversos movimentos sociais, atuando sinergicamente na busca pelo voto, sejam instrumentos privilegiados do convite às pessoas para que conheçam melhor o PCdoB, para que se filiem. Não há qualquer incompatibilidade entre atividades de campanha eleitoral e a busca pelo crescimento do Partido. Novamente: disputas eleitorais atraem naturalmente a atenção de boa parte do povo. Se estamos em atividades das nossas campanhas, das quais participam dezenas, eventualmente centenas de pessoas que não são filiadas, é um dever da nossa parte apresentar a elas essa possibilidade.

Portanto, faltando pouco mais de quatro meses para o dia da eleição, muitas tarefas e atividades precisam ser cumpridas pelo coletivo partidário, em torno das nossas candidaturas, da luta pela recondução do presidente Lula para um novo mandato e da eleição de governadores (as) e senadores (as) do nosso campo. E todas elas precisam ser articuladas pelas direções partidárias em combinação com as coordenações das campanhas, engajando cada militante, cada OB, e conclamando o eleitorado a votar no nosso Partido, conhecê-lo mais e a ele aderir. Com certeza, teremos múltiplos êxitos. Vamos à luta!