Lula em São Luís. Foto: Ricardo Stuckert

Com as ruas do Centro Histórico de São Luís, capital do Maranhão, completamente tomadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou mais uma caminhada nesta terça-feira (20). Em coletiva de imprensa e durante o percurso, Lula voltou a desafiar Flávio Bolsonaro (PL) a abrir o sigilo de dados e falou sobre seus planos para um quarto mandato.

“Estou disposto a fazer com que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão e corrupto neste país. Quero ver se ele tem coragem de abrir o sigilo bancário e telefônico dele, pessoa física e jurídica. Vamos ver se ele tem coragem de abrir a vida secreta dele”, disse Lula na coletiva.

Nesse momento, anunciou que seus advogados estavam apresentando requerimento ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, autorizando a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de parentes, mediante a exposição dos mesmos dados por Flávio Bolsonaro.

A quebra de sigilo também é tema de jingle tocado durante a caminhada: “Flávio, abre o sigilo — tem cobrança na rua; quem não deve, explica, põe a conta à luz; corrupção se investiga, sem privilégio; transparência é direito, não é sacrifício”, dizia a letra.

Virada no domingo

Ainda na coletiva, o presidente também salientou que sempre foi bem votado no Maranhão, agradeceu ao povo pelo apoio e ressaltou: “estou aqui para pedir um pouco mais de voto para que a gente possa fazer a virada necessária e ganhar as eleições”.

Outro assunto abordado pelo presidente foi a diferença de tratamento do estado durante os governos de esquerda e de direita. “Vocês conhecem a experiência de como é o Maranhão quando o governo é de um presidente do PT — seja Lula, seja Dilma — e como foi com (Jair) Bolsonaro e (Michel) Temer. Sabem do descaso de que o estado foi vítima no período deles e sabem o que construímos juntos. Se essa gente, que deveria estar presa, ganhar as eleições, vão parar todos os investimentos que temos no estado”, enfatizou.

Lula também reforçou algumas de suas medidas mais recentes. Disse que nesta quarta-feira (21) sancionará a lei que estabelece o perdão das dívidas dos MEIs e o aumento do teto. “São quatro milhões de pessoas com dívida ativa na União; resolvemos anistiá-las para limparem seus nomes e assim poderem começar uma vida nova”, sublinhou.

O presidente também reafirmou que deverá enviar ao Congresso Nacional, nesta quarta-feira (21), Proposta de Emenda à Constituição que garante a gratuidade no transporte público aos finais de semana e feriados, destacando que será uma forma de os trabalhadores da nova escala 5×2 aproveitarem melhor os dias de folga.

Caminhada

Foto: Ricardo Stuckert

Envolvido por um mar de gente, Lula percorreu algumas das principais ruas de São Luís após a coletiva. “Esta é a passeata daqueles que defendem a educação deste País, porque agora vai ter o Pé-de-Meia Universitário; ninguém mais vai deixar de estudar por falta de dinheiro”, disse, sobre uma picape, acompanhado de autoridades, lideranças políticas e da primeira-dama, Janja da Silva.

O presidente prosseguiu afirmando que “esta é a passeata daqueles que defendem o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o SUS como um sistema de saúde importante para o povo. Esta é a passeata que vai garantir o futuro da juventude brasileira”, afirmou.

A fala de Lula faz um contraponto a algumas das principais políticas sociais que marcaram seus governos e que, sob Flávio Bolsonaro, correm o risco real de deixarem de existir ou serem reduzidas, em prejuízo, especialmente, da população mais pobre.

Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, que tem sido aventado por Flávio como seu ministro da Saúde caso vença as eleições, tem defendido maior participação do setor privado e declarou que não pretende investir mais no SUS. Casadas, as duas propostas podem resultar no sucateamento e na privatização do sistema, que é referência mundial em saúde pública e foi conquistado na Constituição de 1988.

Perto de terminar a caminhada, Lula voltou a defender as bandeiras educacionais como as bases para o País avançar: “Esta será a minha última campanha para presidente da República. E quero que esse mandato seja histórico; um mandato para que a gente possa universalizar o Pé-de-Meia para o ensino médio; criar o Pé-de-Meia para os estudantes universitários; continuar gerando emprego de qualidade e formando profissionais, porque, nos próximos quatro anos, o Brasil vai investir muito na indústria digital, na indústria verde e na indústria criativa”.