Lula no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert

O fim da escala 6×1, uma das principais conquistas do terceiro governo Lula, tem a aprovação de 66,2% da população, contra 26,4% que desaprovam. Os dados fazem parte de pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (19).

Entre os eleitores de Lula no primeiro turno, a aprovação vai a 91,9%; apenas 4,5% desaprovam e outros 3,6% não sabem ou não responderam (NS/NR). O mais baixo índice de favoráveis à medida está no universo dos que dizem votar em Flávio Bolsonaro (PL): 39,4%, ante 50,4% que desaprovam e 10,1% que NS/NR.

O segundo maior índice de aprovação está entre os que indicaram ser eleitores de outros candidatos no primeiro turno, formando um grupo de 70,9%; os contrários são 23,5% e 5,6% NS/NR. Entre os que não compareceram, 68,9% disseram apoiar o fim da 6×1, enquanto 24,8% dizem o contrário e 6,3% NS/NR.

A aprovação à medida nesses dois últimos grupos pode favorecer a candidatura de Lula, que se empenhou e garantiu a aprovação da nova escala, a 5×2, bem como a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas.

Quando levada em conta a preferência manifestada pelos entrevistados para o segundo turno, os percentuais são semelhantes ao aferido no primeiro: 91,4% dos eleitores de Lula apoiam, 5,3% desaprovam e 3,3% NS/NR. O mesmo ocorre com os de Flávio: 41,1% aprovam, 48,6% dizem o contrário e 10,3% NS/NR.

Com relação à influência na escolha do eleitor caso o candidato não defendesse o fim da escala 6×1, 37,2% dos que escolhem Lula e que aprovam o fim da escala deixariam ou ficariam em dúvida de votar nele se ele não defendesse essa bandeira. O índice despenca para 15,8% entre os eleitores de Flávio.

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais foi promulgada pelo Congresso Nacional na sexta-feira (16) após décadas de lula dos trabalhadores e do movimento sindical.

A vitória, neste momento, só foi possível porque a pressão das ruas conquistou espaço no parlamento e a adesão do presidente Lula, que enviou Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para a análise da Câmara e, posteriormente, do Senado.

Ao longo dos últimos anos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi um dos que se colocou contra a medida. Mas, numa jogada oportunista, às vésperas do segundo turno decidiu votar favoravelmente. No entanto, no dia seguinte já sinalizou ao seu entorno que deseja acabar com a medida se for eleito presidente.

Recortes

A parcela feminina da população, que em sua maioria acumula o trabalho remunerado com as tarefas domésticas e os cuidados com a família, são as que mais apoiam a medida.

De acordo com o IBGE, 32,2% das trabalhadoras brasileiras estão submetidas à escala 6×1. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, as que têm carteira assinada e exercem essa escala somam quase 14 milhões.

Considerando o universo geral da pesquisa, 70,9% delas são favoráveis e 21,8% não são; outras 7,3% NS/NR. Já entre os homens, 61% dizem apoiar; 31,6% são contra e 7,4% NS/NR.

No recorte por idade, a maior parte dos apoios ao fim da escala 6×1 está na faixa dos 16 aos 24 anos, com 72,6% favoráveis, 18,5% contrários e 8,9% NS/NR. Na sequência vêm os de 41 a 59 anos, com respectivamente 66,3%; 27,5% e 6,2%.

Quando a pesquisa se debruça sobre a escolaridade, o resultado é que o maior apoio está nas pessoas de ensino fundamental completo, camada em que é mais comum o trabalho nessa escala: 73,1% dizem aprovar; 21,4% desaprovam e 5,5% NS/NR.

Também está nas pessoas de renda mais baixa o maior apoio à medida. Entre quem tem renda familiar de até um salário mínimo, 78,3% aprovam, 14,2% desaprovam e 7,4% NS/NR.

Na faixa seguinte, de um a dois salários mínimos, os percentuais são de respectivamente 72,7%, 19,1% e 8,2%. Da mesma forma, tende a estar nessas camadas a maior parte da classe trabalhadora sujeita a essa escala.

Na ponta oposta, os que recebem mais de cinco salários mínimos são os que menos aprovam, 57,7%, ante 37,2% que desaprovam e 5% que NS/NR.

Levando em conta o credo dos entrevistados, o maior percentual de aprovação está entre os sem religião (73,7% x 19,8; 6,5% NS/NR) e os católicos (68,8% x 26,6%; 4,5% NS/NR).

A pesquisa BTG/Nexus entrevistou 2.002 pessoas entre os dias 16 e 18 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.