Carta cobra checagem de falas em tempo real em debate com presidenciáveis
Uma carta aberta lançada por professores, alunos e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP pede que haja checagem de fatos em tempo real, advertência e punição para o uso de informações inverídicas durante debates entre os candidatos à presidência da República. Até esta terça-feira (20), o documento contava com 12,5 mil assinaturas.
O manifesto será lido publicamente em ato nesta quarta (21), às 19h30, na sede do Departamento de Jornalismo da faculdade.
Embora o documento seja dirigido a todas as emissoras de rádio e televisão, o único debate que ainda não aconteceu é o da TV Globo, marcado para a próxima sexta-feira (23), às 21h20. Por isso, o movimento deverá encaminhar o abaixo-assinado que acompanha a carta à emissora, a fim de que providências possam ser tomadas.
A carta sugere que a checagem das informações seja feita ao vivo, durante o debate e que além do jornalista mediador, haja um responsável pela “arbitragem”. “Afinal, os brasileiros têm o direito de receber a checagem tão logo quanto recebem uma mentira durante a transmissão ao vivo”, alega.
O segundo ponto proposto é que, caso seja identificada alguma incongruência ou informação inverídica, o candidato seja formalmente advertido, ficando sujeito a punições como perda de tempo de fala em caso de reincidência.
A terceira sugestão é que os candidatos também sejam advertidos e punidos se apresentarem “falas, projetos ou propostas capazes de ferir os Direitos Humanos promulgados pela Declaração Universal das Nações Unidas ou medidas inconstitucionais que ataquem cláusulas pétreas da Constituição de 1988, o maior pilar de nossa democracia”.
Por fim, defende mais espaço para a verdade na programação aberta. “As dramáticas desigualdades sociais que afligem o país se refletem, também, no acesso à informação e aos meios de comunicação. Atualmente, os debates eleitorais são transmitidos ao vivo, nos canais abertos e gratuitos, enquanto a apuração, a análise aprofundada e a checagem ficam restritas aos canais de assinatura pagos, destinados ao jornalismo especializado, distante da grande audiência”, aponta a carta.
Dessa forma, prossegue, “faz-se necessário equalizar a transmissão, disponibilizando maior tempo de programação para a checagem em canais abertos, a fim de garantir que os fatos sejam amplamente divulgados. Se o fato chega tarde, é a desinformação que ocupa o espaço”.
Checagem
De acordo com serviços de checagem feitos por sites especializados tendo como base o primeiro debate do segundo turno, promovido no domingo (18) pela Band, Flávio Bolsonaro (PL) foi o que mais emitiu declarações classificadas como falsas ou problemáticas, ou que mereceriam ressalvas.
Segundo a Agência Lupa, por exemplo, Flávio fez oito falas falsas, contra duas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No caso das consideradas problemáticas, foram 19 do senador ante sete do presidente. Já a agência Aos Fatos considerou que Flávio fez 24 declarações que demandam correções ou ressalvas, contra apenas quatro de Lula.
Para ler e assinar a carta, clique aqui.




